O canal de exportações é importante e necessário para a indústria nacional de ônibus, mas traz consigo um volume tamanho de desafios que seria capaz de encher sozinho um container. É o que se pode concluir da palestra do executivo Marcos Forgioni, vice-presidente de mercados internacionais da MAN Latin America, parte do programa do Workshop AutoData Tendências Setoriais Ônibus, realizado na segunda-feira, 18, em São Paulo, no Milenium Centro de Convenções.
“Cada país, cada mercado, tem a sua peculiaridade. Há inúmeras legislações, regras, encarroçadores. Sem o apoio firme da engenharia em cada local não é possível fazer negócios.”
E ele sabe bem do que está falando: a MAN LA exporta para um grande volume de mercados, sempre a partir da unidade de Resende, RJ – sejam veículos prontos ou kits SKD, parcialmente desmontados, que também podem variar dependendo do cliente externo – e conta com nada menos do que 182 concessionárias fora do Brasil, em especial América Latina e África. Na lista estão, por exemplo, México, Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, Uruguai, Venezuela e África do Sul. E no segundo semestre chega o reforço da Nigéria.
E é aí que começa a encrenca: cada um tem sua própria legislação no que se refere às especificações para ônibus e, em alguns casos, até mais do que uma. “É uma miríade de normas, e não só de emissões”, afirmou Forgioni.
No caso dos motores apenas na América Latina há países que ainda estão no Euro 1 enquanto outros já chegaram ao Euro 5, e todo esse recheio ainda está contemplado na região, do Euro 2 ao 4 dependendo do mercado. Para o futuro o quadro é ainda mais embolado: há quem queira saltar direto do Euro 1 para o 4, enquanto outros já estudam partir para o Euro 6.
“Hoje em Resende produzimos veículos Euro 2, Euro 3 mecânico, Euro 3 eletrônico, Euro 4 e Euro 5. É complicado, pois o parque de fornecedores não aguenta tamanha variação com volumes pequenos.”
E não fica por aí: há outras leis com relação às demais características que os ônibus devem seguir em cada país, que igualmente variam bastante. “No Equador, por exemplo, recentemente determinou-se que deve-se seguir os padrões europeus de parachoques, assentos e iluminação externa.”
Os BRTs também não tem vida fácil: o executivo conta, apenas na América Latina, vinte agências gestoras em oito países. “Alguns querem porta do lado esquerdo, outros do lado direito, piso alto, piso baixo…”
Apesar de todos estes complicadores, a expectativa é boa. Pelos cálculos apresentados na palestra os negócios com ônibus no Exterior cresceram 4% no primeiro trimestre com relação ao mesmo período do ano passado, para cerca de 3,4 mil unidades.
E o volume pode ser ainda melhor: segundo Forgioni as negociações com o Irã poderão chegar a bom resultado. “Tudo é questão de ter um business case que faça sentido, e estamos perto disso. Acredito em novidades boas em breve.”
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