O mercado interno em baixa não tem poupado nem mesmo os segmentos de veículos para os consumidores mais favorecidos ou, melhor dizendo, ricos. Depois de dois ou três anos em forte ascensão os modelos premium experimentaram algum declínio, em especial a partir do segundo semestre do ano passado e amargaram resultado pior no primeiro quadrimestre, com recuos da ordem de 15% a 20%, dependendo do subsegmento.
E Helder Boavida, o presidente do BMW Group aqui, não vê quadro muito diferente até o fim de 2016.
“Esse mercado deve fechar o ano até 20% abaixo. E a BMW não fugirá muito desse quadro, claro, embora tenhamos a expectativa de repetir o resultado de 2015”, diz o executivo, que procura fugir de números mais objetivos. De qualquer forma, fica a referência: no ano passado os emplacamentos da marca alemã superaram 15,8 mil veículos. No primeiro quadrimestre de 2016 já foram negociadas pouco mais de 3 mil unidades, quase 1,7 mil a menos do que em igual período do ano passado.
Mas, apesar dos recentes apenas cem dias no comando da operação brasileira, Boavida já sabe como contornar o aguardado menor fluxo de negócios no mercado interno e assim manter o nível de atividade da fábrica da empresa em Araquari, SC, concebida para produzir até 30 mil veículos por ano e que, trabalhando em um turno, deve chegar a pouco mais da metade disso, 16 mil veículos, este ano.
“Estudamos a possibilidade de exportar um segundo modelo brasileiro”, revelou o português de 53 anos, que há poucas semanas anunciou com pompa contrato de exportação de 10 mil unidades do SUV compacto X1 para os Estados Unidos. As primeiras unidades seguirão a partir do mês que vem e a idéia é mandar todo o lote até o fim de 2017.
O executivo, contudo, reforça que os estudos para este segundo modelo são preliminares e que nem mesmo prazos, volumes e mercados estão definidos. De qualquer forma o executivo não descarta países vizinhos como potenciais mercados para os veículos fabricados em Santa Catarina.
Ele também revelou que pretende aumentar o leque de modelos brasileiros da BMW. A planta de Araquari, que já monta cinco modelos, dentre sedãs e SUVs, um deles da marca Mini, deverá ganhar mais um companheiro muito em breve.
O presidente, que já comandou a BMW em Portugal e nos últimos dois anos liderava a empresa no México, salienta que a intenção de produzir mais um modelo e a exportação do X1 comprovam a flexibilidade e qualidade produtiva da planta catarinense e, sobretudo, a confiança do Grupo no Brasil.
“Não podemos esquecer que acabamos de anunciar também a construção de um fábrica de motocicletas”, disse, recordando a unidade que entrará em operação em Manaus, AM, ainda no transcorrer do segundo semestre.
Para Boavida, que enfrentou a grave crise econômica de Portugal em 2011 e 2012, o setor automotivo brasileiro deve enfrentar dificuldades por mais dois anos – “voltar ao mercado de 2014 somente dentro de uns três anos, e isso caso ajustes econômicos sejam feitos a partir de agora”.
O executivo espera ainda pela definição de política industrial automotiva. “Precisamos saber o que vem depois do Inovar-Auto.”
Luxo só – Mesmo com as previsões pouco otimistas para o mercado interno a BMW segue seus planos de atualização da linha de produtos. Na quinta-feira, 19, lançou o novo Série 7, importado.
O sedã de quase 5 metros, com motor V8 biturbo de 450 cavalos, é fabricado com aços de alta resistência, alumínio e várias partes da estrutura em fibra de carbono. Na extensa lista de itens de série – e coloca extensa nisso! – há, por exemplo, sistema automático de condução adaptativo, que dispõe de radar e câmera 3D que identificam uma pessoa, por exemplo, cruzando a rua a 600 metros de distância e ajusta a condução de forma a evitar um acidente.
Os ocupantes têm ainda massageadores nos bancos e os comandos de enorme série de funções e da central multimídia podem ser apenas por gestos. Sim, no novo BMW tocar na tela ou apertar botões agora são opções e não necessidades.
Quase tudo no novo Série 7 é personalizável, desde o quadro de instrumentos, a luz ambiente, aromas e ionização do ar-condicionado e até teto solar, que conta com 15 mil leds que simulam um céu estrelado.
Tanto luxo não é para muitos felizardos. A BMW espera vender apenas cerca de 50 unidades do novo carro no segundo semestre e pelo menos manter os 25% de participação que deteve com o Série 7 e Série 6 no subsegmento de alto luxo em 2015, que, no total, atingiu perto de seis centenas de veículos no Brasil – em todo o mercado premium a marca chegou a 30% das vendas. Em tempo: a versão a ser vendida aqui, a M, sai por nada menos do que R$ 710 mil.
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