AutoData - Keiper e Volkswagen trocam acusações
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20/06/2016

Keiper e Volkswagen trocam acusações

Por André Barros

- 20/06/2016

Uma relação conturbada desde março de 2015 culminou na interrupção de fornecimento de peças pelo Grupo Prevent, dono da Keiper, e consequente paralisação na produção das fábricas da Volkswagen no Brasil. A liminar expedida pela justiça de São Bernardo do Campo, SP, na segunda-feira, 16, resolveu em parte o problema, que passou também a afetar a Fiat Chrysler em Betim, MG – sem produção na quarta-feira, 18.

No começo da tarde de quarta-feira, 18, a Volkswagen soltou um comunicado acusando o Grupo Prevent de interromper o fornecimento para forçar renegociação nos contratos.

“Não é mero desalinhamento comercial”, afirmou a nota. “As recorrentes ameaças ou ações de fato que ocasionam paradas nas linhas da VW do Brasil pela paralisação injustificada do fornecimento de peças são acompanhadas de solicitações sucessivas de aumento abusivo de preço e pagamento injustificado de valores sem respaldo contratual ou econômico para as empresas do Grupo Prevent”.

Segundo a montadora desde março de 2015 ocorrem paradas nas suas linhas de produção pela falta de abastecimento dos fornecedores. A companhia calcula ter perdido 56 dias de operação e deixado de produzir cerca de 35 mil veículos por causa dos atrasos.

O Grupo Prevent se defendeu em outro comunicado, desmentindo os descumprimentos contratuais. Afirmou que parou de fornecer para a VW para preservar a si própria, aos recursos humanos e a sua integridade financeira, podendo, assim honrar seus compromissos junto aos seus fornecedores.

A fabricante argumentou que a justiça cassou todas as liminares e multas impostas à Keiper no ano passado justamente por entender que foi a Volkswagen quem deixou de cumprir os acordos. “A Keiper foi liberada de cumprir com todas as imposições determinadas judicialmente e que a penalizavam com multas desproporcionais, tudo sob a égide dos processos judiciais e dentro dos termos e competência da legislação civil”.

Segundo o fornecedor todas as paradas foram precedidas por comunicados de avisos e alertas, cumprindo os contratos. E acusa a VW de encomendar quantidades de peças inferiores às acordadas e não efetuar os reajustes de preços, prejudicando a eficiência e custo de produção da Keiper. “Essa prática é extremamente danosa às empresas como um todo, além de ser maneira comum e corriqueira da Volkswagen”.

O comunicado do fornecedor termina informando que as liminares estão sob análise do Poder Judiciário e com a ameaça de processar “todos que são interlocutores de informações provenientes e alegadas pela VW, que se provarão inverídicas”.

PROBLEMAS NA PRODUÇÃO – Apesar da liminar expedida obrigando a retomada no fornecimento, o Grupo Prevent seguiu impondo dificuldades. Segundo a VW, na quarta-feira, 18, um porcentual ínfimo de peças foi enviado pelo fornecedor, “provavelmente na tentativa de confundir o representante do poder judiciário”.

Persistem, portanto, a restrição na produção de veículos nas fábricas da companhia.

A FCA, em Betim, também parou por falta de bancos, que ali seriam entregues pela Mardel, que faz parte do mesmo grupo. A última remessa chegou na quinta-feira, 12. Em nota a companhia afirmou tratar-se da “maior parada da montadora nos últimos anos, paralisando a fabricação de automóveis e ameaçando deixar mais de 50 mil trabalhadores sem atividade na região”.

No fim da tarde da quarta-feira, 18, porém, a Fiat obteve um liminar para garantir o retorno do fornecimento em até 24 horas. O fornecedor entrou em contato com a montadora e garantiram a retomada para a quinta-feira, 19, quando o ritmo de fabricação da Fiat deverá retornar de forma gradual.

“Para a normalidade absoluta da produção a Fiat espera que o fornecimento seja de qualidade, pleno e previsível, e não apenas uma aparência de fornecimento”, afirmou a montadora, em nota.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas divulgou comunicado em que afirmava acompanhar “com preocupação e apreensão a suspensão por tempo indeterminado de toda a produção da Fiat a partir da quarta-feira, 18”.

A entidade citou um “desacordo comercial entre a Fiat e o Grupo Keiper” para justificar a parada. As empresas da Prevent fornecem, ao todo, mais de 600 tipos de peça para a Fiat.


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