Se o segundo semestre sugere disputa intensa entre General Motor e Fiat pela liderança do mercado interno de automóveis e comerciais leves – a diferença até junho em favor da primeira foi de apenas 13,8 mil unidades, 1,5 ponto porcentual – o que se poderá dizer então do quase feudo de luxo das três marca alemãs premium, agora todas com produção local.
Os primeiros seis meses do ano já anteciparam o tom de dramaticidade que deve perdurar até o último dia útil do ano nos departamentos comerciais das três empresas. Mesmo vendo suas vendas encolherem 22,6% frente ao resultado do mesmo período do ano passado, a Audi liderou os emplacamentos com exatos 6.033 veículos.
Pode-se dizer que, diante de margens tão apertadas que vêm se repetindo com alguma frequência entre elas já há alguns anos, folgou diante de BMW e Mercedes-Benz, que registraram 5.290 e 5.162 unidades, resultados, respectivamente , 27,2% e 31,3% do que obtiveram de janeiro a junho de 2015.
É bom frisar que a vantagem da Audi, em veículos emplacados, foi de apenas 743 unidades para a segunda colocada BMW, que superou a Mercedes-Benz por outras ínfimas 128 unidades. Diferenças que podem ser radicalmente alteradas com facilidade nos últimos seis meses de 2016, sobretudo porque as três empresas ainda têm alguma reserva de lançamentos de produtos para o período e que ganharão os holofotes até o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro.
O ranking do trio alemão pode, ainda, sofrer influência, digamos, de produtos de marcas externas a esse confronto, mas que trafegam pela mesma faixa de mercado, em especial a dos chamados produtos de entrada, que começam a ser assediados por veículos da Honda, Toyota, Ford, General Motors, Chrysler, dentre outras marcas, que têm lançamentos recentes ou que apresentarão novidades nos próximos meses – a Jeep, por exemplo, começará a produzir o novo SUV Compass em Goiana, PE, neste trimestre.

Outro exemplo é a Jaguar Land Rover, que, com certeza, tem colaborado para roubar algumas unidades do trio alemão. A empresa, que acaba de inaugurar sua fábrica em Itatiaia, RJ, registrou 3.598 Land Rover emplacados no primeiro semestre, 10,8% menos do que nos primeiros seis meses de 2015, mas queda muito abaixo da média do mercado e das três concorrentes. Considerado apenas o desempenho da marca Jaguar, mas cuja base de comparação é pequena, os 333 veículos negociados no período representaram evolução de 73,5%.
Se nenhuma excepcionalidade surgir, o roteiro de Audi, BMW e Mercedes- Benz deve ser rigorosamente o mesmo do ano passado. No primeiro semestre de 2015 a diferença da Audi para a então segunda colocada Mercedes-Benz era de exatos 289 veículos e para a BMW de 529 unidades, muito semelhante ao quadro atual.
Fechado o balanço anual, porém, a Audi permaneceu na liderança por somente 27 unidades de vantagem sobre a Mercedes-Benz: 17.540 contra 17.1513. Há quem atribua esse resultado final a esforços comerciais específicos das duas empresas nos estertores de dezembro, apenas para deter o título de marca líder de 2015. Não seria nada inédito.
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