AutoData - Mudou o humor, o mercado ainda não
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26/07/2016

Mudou o humor, o mercado ainda não

Por Redação AutoData

- 26/07/2016

Os fabricantes brasileiros de veículos comerciais encerraram o primeiro semestre lamentando mais um tombo do mercado interno – chegou a 25,6 mil caminhões, nível similar ao do fim dos anos 90 –, mas iniciam o segundo um tanto mais esperançosos. Quem assegura essa ligeira mudança de humor é Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea. O executivo, que participou do Workshop Tendências Setoriais Caminhões, organizado por AutoData

“Já há boas indicações de que possamos ter, de fato, um ambiente melhor no segundo semestre, historicamente superior ao primeiro”, disse, sem contudo, não ser taxativo. “Ainda é uma mudança de humor, não de mercado.”

O vice-presidente da Anfavea, contudo, revelou que os emplacamentos nos primeiros 25 dias de julho somaram exatos 3.710 caminhões e sinalizam para um mês de 4,5 mil unidades, algo próximo de 7% acima da média mensal verificada desde o começo de 2016. “Mas esse desempenho se repetirá em agosto? Já ouvi de um fabricante que não.”

O executivo pondera que, na média, há um atraso de dois meses entre a compra e o emplacamento de um caminhão. E é bom lembrarmos que em junho Detrans de importantes cidades ficaram paralisados por alguns dias, o que pode ter represado os licenciamentos que só em julho foram efetivados.”

Saltini dá como certo, porém, que o segundo semestre exibirá recuo inferior ao registrado no primeiro semestre, da ordem de 31% no segmento de caminhões. Até porque a base de comparação ajudará, já que nos últimos meses de 2015 o ritmo dos negócios foi ainda pior. Ele elenca ainda a percepção de que a economia começa a esboçar estabilidade, inclusive com a manifestação do FMI de que a economia brasileira poderá até mesmo registrar algum crescimento – da ordem 1% – em 2017.

De qualquer forma, o executivo reforçou que a entidade aguarda que 2016 encerre com mercado interno com cerca de 55 mil unidades, 25% menores na comparação com os resultados do ano passado. Como as exportações ainda não exibirão nem de longe desempenho para compensarem esse decréscimo, o executivo manifesta outra preocupação imediata dos fabricantes: a enorme ociosidade das linhas, acima de 70%.

Voltar aos níveis de 2011, quando o mercado interno consumiu mais de 170 mil veículos e a produção ultrapassou as 200 mil unidades, está em um horizonte muito distante, na análise do vice-presidente da Anfavea. Dependeria, diz Saltini, de sucessivos crescimentos da economia, da ordem de 3% ao ano, para ainda assim demandar pelo sete a dez anos.

Ainda assim o executivo acredita que a realidade do mercado brasileiro de caminhões está bem abaixo desses volumes recordes, que foram inflados à época por taxas de juros que incentivaram a antecipação das compras e que se refletiram nos últimos três anos. As vendas internas de 2015 foram 49% menores que as de 2014, que já tinham encolhido 12% sobre as do ano anterior. “O ideal é que não tivéssemos programas como o Finame, que já é uma distorção, e sim taxas de juros adequadas, em níveis internacionais”, ponderou Saltini, que vê no patamar de 120 a 130 mil unidades.


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