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03/08/2016

Estoques caem para apenas 19 dias

Por Alzira Rodrigues

- 03/08/2016

Um dos dados positivos do balanço de julho divulgado na terça-feira, 2, pela Fenabrave é a redução para apenas 19 dias nos estoques das redes e fábricas de veículos. De acordo com o presidente da entidade, Alarico Assumpção Jr., o total estocado baixou para uma faixa de 110 mil a 115 mil unidades, um dos menores volumes desde que começou a crise no setor automotivo em 2013.

A redução deve-se em parte ao aumento das vendas no varejo e também à adequação que as montadoras vêm fazendo em suas linhas de montagem. Os dados relativos à produção serão divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 4, mas o presidente da Fenabrave acredita que houve uma adequação. Por um bom tempo os estoque ficaram acima de 60 dias e a queda vem se dando de forma gradual nos últimos meses. EM junho estava em torno de 35 dias.

Também tem contribuído para a diminuição dos estoques, segundo a Fenabrave, os problemas que algumas montadoras, principalmente a Volkswagen, têm tido no fornecimento de peças. Por causa de problemas com o Grupo Prevent, as três fábricas da montadora no País estão tendo interrupção na produção desde meados de junho.

No momento faltam peças estampadas da Fameq, uma das empresas do Grupo Prevent. Mas a Volkswagen também já teve problemas com a Keiper, que faz bancos, assim como a Mardel e a Cavelagni. Pelas contas da montadora, desde março de 2015 até hoje foram mais de cem dias de paralisações ocorridas dentre as três fábricas. Ao todo deixaram de ser produzidas mais de 90 mil unidades.

De qualquer forma o presidente da Fenabrave garante que deu para sentir uma movimentação positiva no varejo em julho: “As vendas diretas ficaram em 36,2% no mês e em 32% no ano. A participação delas no total não cresceu no mês passado em relação ao anterior, o que indica que o consumidor comum está mais confiante e voltou a comprar”.

Balanço da rede – Diante da crise que se instalou no setor nos últimos anos a rede de concessionárias no País passa por processo de enxugamento. De 8,1 mil pontos de venda existentes em 2013, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos agrícolas, há hoje pouco menos de 6,9 mil. Entre pontos abertos e fechados o saldo negativo é de 1mil 226 no período de quinze meses. No período foram demitidos, segundo Assumpção Jr., perto de 124 mil trabalhadores.

Um dos problemas da rede ainda é a grande dependência das concessionárias às vendas de carros 0 Km. Na média, de acordo com a Fenabrave, 60% do faturamento ainda advêm dos veículos novos, ficando 25% com o pós-venda e 15% com os usados. Um dos trabalhos em curso na rede é justamente o de ampliar negócios com veículos usados, razão de a Fenabrave ter ampliado seu levantamento sobre esse mercado, segmentando dados sobre o tempo de uso dos veículos comercializados no varejo.

De acordo com dados divulgados pela entidade o mercado de usados movimentou 780 mil unidades em julho, com crescimento de 9,1% sobre as 714,6 mil comercializadas no mês anterior. No acumulado dos primeiros sete meses do ano o segmento registra queda de 4%, bem abaixo, portanto, do mercado de novos, com vendas que ultrapassaram 4 milhões 760 mil unidades.


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