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16/09/2016

Comil entra em recuperação judicial

Por Redação AutoData

- 16/09/2016

Apenas oito meses depois de fechar as portas por tempo indeterminado de sua fábrica em Lorena, SP, a Comil entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça gaúcha na segunda-feira, 12. A encarroçadora já havia demitido 850 trabalhadores no começo deste mês e adotado somente meio turno de trabalho na sede de Erechim, RS.

A companhia, em nota, justificou a medida à “crise econômico-financeira que avassala as empresas brasileiras, especialmente o setor industrial automobilístico, que trouxe dificuldades sem precedentes em nossa indústria”.

A produção nacional de carrocerias de ônibus caiu de 32,6 mil unidades em 2013 para 17,1 mil no ano passado. Neste ano, de janeiro a agosto, foram montadas 8,6 mil unidades. Das linhas de montagem da Comil foram apenas 975. Em 2015 a empresa fabricou 2,1 mil, contra 3,1 mil do ano anterior.

“Nos últimos três anos o mercado de ônibus caiu mais de 60%, atingindo níveis de mais de uma década atrás que, associado aos baixos preços e volumes praticados, se tornaram insuficientes para cobrir os custos de produção, agravado com os encargos financeiros que restringiram drasticamente o capital de giro necessário para suportar a operação”, disse a empresa em comunicado.

“Essa crítica situação nos impeliu a tomar medidas duras e traumáticas, como o encerramento das atividades industriais da unidade em Lorena (SP) e demissões de número expressivo de trabalhadores na planta de Erechim, o que fizemos com enorme tristeza”, completou a Comil.

Após as demissões do início do mês, a fábrica gaúcha ainda reúne perto de mil funcionários – chegou a ter 4 mil. A Comil terá exatos dois meses para apresentar o plano para contornar dívidas da ordem de R$ 430 milhões, boa parte em encargos financeiros com instituições bancárias.

Na terça-feira, 13, Darsio Vieira Marques, advogado da empresa, revelou que a Comil buscava há dois anos alternativas para sua crise. “A mais viável foi a recuperação judicial”, afirmou Vieira, que assegurou que o acerto com os funcionários estará entre as prioridades do plano.

A fábrica do Interior paulista encerrou suas atividades em janeiro, apenas dois anos depois de inaugurada. A unidade produzia modelos urbanos, linha transferida para Erechim. O argumento para o fechamento da planta e a demissão de 220 trabalhadores foi exatamente a crise do mercado interno.

A unidade foi inaugurada em dezembro de 2013, após investimento de R$ 110 milhões e um ano e meio de obras. Na ocasião a encarroçadora estimava gerar quinhentos empregos diretos e 1 mil indiretos, com capacidade de produção de doze ônibus urbanos por turno, dobrando sua capacidade de produção para este tipo de veículo.


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