Em greve desde a quarta-feira, 5, os funcionários da fábrica da Volvo em Curitiba, PR, realizam nova assembleia na segunda-feira, 17, para decidir sobre a continuidade ou não do movimento. Os trabalhadores decidiram paralisar suas atividades há 11 dias em função da decisão da Volvo de conceder reajuste anual equivalente a 50% do INPC. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba insiste em repasse de 100% da inflação, enquanto a montadora alega que o momento não comporta essa concessão.
De acordo com nota emitida na sexta-feira, 14, o Grupo Volvo América Latina lamenta a decisão do sindicato de insistir na paralisação, alegando que a correção de 50% do INPC é condizente com o difícil cenário do setor de transporte e da economia brasileira no momento. Informa, inclusive, que a empresa ofereceu como proposta alternativa a concessão de um abono salarial de R$ 5 mil agora e a incorporação dos 50% do INPC deste ano nos salários dos funcionários em setembro de 2017.
“A interrupção da produção de veículos ocorre justamente num dos piores momentos da indústria automotiva brasileira e numa das mais acentuadas crises econômicas enfrentadas pelo País”, destaca a Volvo na nota divulgada na sexta-feira, 14. “É também um dos piores momentos já enfrentados pela Volvo desde que a empresa se estabeleceu no Brasil no final dos anos 70.”
A montadora alega que atualmente opera com uma capacidade ociosa de 70%, tendo acumulado queda de 70% nas vendas de caminhões nos últimos dois anos. A empresa possui ainda um excedente de funcionários, que estão em casa, devido à queda na produção e nas vendas.
“Esta paralisação do sindicato é inaceitável em um momento de queda acentuada de mercado e uma situação complicadíssima para a empresa. Está claro que a posição do sindicato não reflete a posição dos funcionários. Os mensalistas estão trabalhando e grande parte dos horistas também entrou para trabalhar, apesar da insistência do sindicato em barrar a entrada dos funcionários na fábrica”, afirma Carlos Morassutti, vice-presidente de RH e Assuntos Corporativos do Grupo Volvo América Latina.
O executivo reforça ainda que “quando o mercado está em alta e a Volvo atinge os seus resultados comerciais, sempre compartilha os ganhos com os funcionários”. Nos últimos 10 anos, a empresa concedeu aos funcionários um aumento real acumulado de 40%. A fabricante também pagou a PLR, Participação de Lucros e Resultados, mais alta do Brasil, num valor de R$ 30 mil em dois anos seguidos.
Além disso, segundo a nota oficial da empresa, o nível salarial e o pacote de benefícios aos trabalhadores são maiores que a média do mercado, com um valor mínimo de R$ 3 mil considerando o valor do vale alimentação.
Na tentativa de solucionar o impasse, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba solicitou nesta semana uma audiência entre as partes no TRT-PR, Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. Até a sexta-feira, 14, não havia posicionamento do órgão sobre o pleito, por isso a convocação de uma assembleia para as 7h da segunda-feira, 17.
“Nada disso estaria acontecendo se a Volvo tivesse aplicado os 100% da reposição da inflação, que é o básico nos acordos da categoria”, disse na sexta-feira, 14,
De acordo com o sindicato, a fábrica da Volvo emprega cerca de 3,2 mil trabalhadores, sendo 1,8 mil do chão de fábrica. Ainda segundo a entidade, a produção diária antes da paralisação estava em 35 caminhões pesados, 12 caminhões médios e 5 ônibus. A montadora também possui um centro de distribuições em São José dos Pinhais, PR, com cerca de 180 metalúrgicos.
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