As vendas de caminhões devem crescer acima de 10% no ano que vem. Pelo menos é o que esperam executivos que participaram do segundo dia do Congresso Autodata Perspectiva 2017, realizado na terça-feira, 18, na sede da Amcham, em São Paulo. A aposta para 2017 é um aumento entre 10% a 14% no mercado total, alcançando cerca 55 mil unidades e 20% no segmento de pesados. Apesar da elevação forte, o volume não será tão expressivo em virtude da base baixa de 2016. Os licenciamentos este ano devem somar 50 mil unidades, queda de mais 28% no comparativo com 2015. Para a produção, no entanto, os executivos estimam alta acima de 20% no ano que vem.
“Há muito caminhão parado nas frotas de grandes empresas e, por isso, elas não devem fazer grandes pedidos para a renovação”, avalia o vice-presidente comercial da Iveco, Marcos Borba.
O gerente-geral de vendas e marketing da Ford Caminhões, Oswaldo Ramos, também acredita que o crescimento do mercado de caminhões será na casa dos 10% no ano que vem puxado pela retomada dos investimentos no país. “A variação na venda de pesados é sempre na casa dos dois dígitos, para cima ou para baixo. Em 2017, não será diferente, o mercado deverá atingir algo em torno de 60 mil unidades. Por isso, temos que rever muito o negócio, porque somente volume não paga a conta. O pós-venda deve ser bem explorado”, ressaltou o executivo.
Já a novata DAF espera uma alta do mercado no ano que vem entre 20% a 25%, com vendas de até 4 mil unidades no segmento de pesado. “Esse segmento tem forte atuação no agronegócio, que vem com sucessivos recordes safra após safra. Por isso, essa mensagem de otimismo”, disse Luís Gambim, diretor comercial da montadora.
Estoques – Ramos, da Ford, disse que a montadora deve fechar o ano com um giro, entre montadora e rede, em torno de 45 dias. “Começamos o ano com cerca de seis meses de estoque e, pior: com modelos antigos. Fizemos um ajuste forte em nossa produção para adequar o volume e também para melhorar a qualidade, com veículos mais atualizados, fabricação 2016/modelo 2016”, contou o executivo. “Esse é o último trimestre de ajuste nos estoques.”
Na Iveco, a situação não era tão diferente no início deste ano. A montadora já teve cinco meses de estoque na rede e em seu pátio em Sete Lagoas, MG. Agora, com os ajustes feitos na produção, esse volume foi reduzido para pouco mais de 30 dias. “Passamos por um aprendizado. A formação do estoque é feita muito mais em relação à demanda de produtos do que na estimativa de crescimento do mercado”, afirmou Borba. Já a DAF deve trabalhar com um giro de 20 dias no ano que vem.
Com o estoque alto, os preços dos veículos tiveram uma queda ao longo do ano. Agora, com os ajustes prometidos pelos executivos, haverá uma recomposição nos valores ao consumidor. “Aumentamos os preços em 4% há dois meses e devemos realizar mais um ajuste até o fim do ano. Os preços de hoje não pagam a conta”, disse Gambim, da DAF.
Ford e Iveco também devem reajustar os preços dos seus produtos este ano. Ramos, da Ford, disse que com os estoques acima do ideal as montadoras realizaram promoções ao longo de 2016 para colocar no mercado os veículos fabricados em 2015. Agora, segundo ele, é inevitável o reajuste dos preços já que os caminhões modelo 2017 têm um custo bem maior que os anteriores.
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