AutoData - General Motors, a mais otimista
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18/10/2016

General Motors, a mais otimista

Por Michele Loureiro

- 18/10/2016

Enquanto o Sindipeças projeta alta de 2,7% nas vendas de veículos em 2017, a Fenabrave aposta em 5% e a Anfavea fala em avanço de até 9%, a General Motors aparece com a previsão mais otimista do Congresso AutoData Perspectivas 2017, realizado na sede da Amcham, em São Paulo, na terça-feira, 18. Barry Engle, presidente da GM na América do Sul, estima avanço de 12% a 14% do mercado. “Esperamos uma melhora já no último trimestre deste ano e acreditamos que 2017 retomará o patamar de 2,4 milhões de veículos”, diz.

Para o executivo, há evidências que fazem acreditar que a retomada seja de dois dígitos. “A confiança do consumidor chegou ao nível mais baixo neste ano e nos últimos meses tem mostrado recuperação. Além disso, as medidas econômicas do governo devem surtir efeito em breve”, avalia.

Engle afirma ainda que dados como a idade média da frota, que tem a maior fatia no segmento de seis a dez anos, e a taxa baixa de motorização são fatores que podem contribuir para o crescimento do mercado. “Nos Estados Unidos, há 800 carros para cada 1 mil pessoas. No Brasil, essa taxa é de 200 para 1 mil. Há muito potencial”, diz. Além disso, ele aposta no contexto histórico para justificar a previsão. “Nas últimas três décadas, o mercado cresceu em média 5% ao ano. Isso se viu em pouquíssimos mercados pelo mundo”, afirma.

A GM trabalha com a previsão de mercado de 3,4 milhões de unidades em cinco anos e 4,2 milhões em dez anos. “É possível que isso aconteça ainda antes, afinal o Brasil tem a volatilidade como uma das principais características e isso pode impulsionar saltos maiores. O segredo é saber navegar nesse cenário.”

A receita da montadora estadunidense para trafegar nesse mercado instável consiste em quatro frentes: manter os investimentos, renovar a linha de produtos, apostar em novas tecnologias e conter os custos. “De 2013 a 2019 investiremos R$ 13 bilhões no Brasil. Até o fim do ano vamos renovar grande parte da linha de produtos, fomos os primeiros a trazer tecnologias como o One Star ao País e vivemos em busca de corte de custos junto aos nossos parceiros”, resume o executivo.

Exportações – No período de 2010 a 2015, 95% das exportações de veículos tiveram como destino a Argentina e grande parte do restante ficou alocada na América do Sul. Engle disse ainda que em muitos casos a GM precisa trazer veículos da China, Índia, Tailândia, Estados Unidos e México para abastecer países vizinhos do Brasil. “Por incrível que pareça é mais barato fabricar e transportar carro do outro lado do mundo e trazer para a América do Sul, mesmo tendo o Brasil com 50% de capacidade ociosa”, afirma.

Além dos custos trabalhistas mais altos, questões como produtividade e logística também prejudicam a conta. Engle afirmou que no Brasil demora-se cerca de 50% a mais para produzir um veículo. “Já os custos logísticos representam 11,5% do PIB, enquanto nos Estados Unidos essa relação é de apenas 7,9%.”

O executivo contou que no início do ano, quando o dólar estava a R$ 4, a GM iniciou um projeto para exportar para Colômbia, Peru e Chile. “Com o câmbio atual isso já não está mais atrativo. Precisamos encontrar formas de nos tornarmos mais independentes do câmbio.”


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