O governo federal busca criar um ambiente favorável, no País, para a chegada da internet das coisas, tecnologia que conecta qualquer objeto à rede e que tem sido utilizada pelo setor automotivo em alguns veículos na Europa e nos Estados Unidos. Em setembro será apresentado um plano nacional de viabilidade da tecnologia, e sua regulamentação. Além disso o anúncio da produção de chips em Campinas, SP, pode acelerar o processo de desenvolvimento da tecnologia nos veículos produzidos aqui.
Por meio da conectividade proporcionada pela instalação de chips, ou semicondutores, como são tecnicamente conhecidos, veículos sobre rodas tanto oferecerão acesso à internet quanto terão seus sistemas e comandos acessados remotamente. Uma empresa fabricante, por exemplo,terá acesso aos dados do desempenho dos veículos e terá condições de informar ao motorista que ele precisa realizar revisões, recall, checar a pressão dos pneus, por exemplo.
Nesta semana o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações firmou acordo para a instalação de fábrica em Campinas que produzirá estes semicondutores. O empreendimento custará US$ 200 milhões, investimento que será diluído ao longo de quatro anos de construção. A região, e o entorno da cidade, são considerados polo de tecnologia no Estado: abriga empresas como a Foxconn, fornecedora da Apple, e a Dell, de computadores e servidores.
A notícia é considerada boa pelo setor automotivo pois certamente fará diminuir o tempo de desenvolvimento da tecnologia no Brasil. Patrícia Ellen, consultora da Mckinsey, afirmou que “a proximidade da indústria, em um primeiro momento, reduz os custos de desenvolvimento, além de proporcionar a criação de parcerias com as montadoras”.
A internet das coisas, ou IoT, tem potencial para acrescentar até US$ 740 bilhões ao setor automobilístico no mundo até 2025, em decorrência das mudanças que pode provocar na manutenção e no design de veículos e na coleta de dados dos motoristas. Pode gerar até US$ 11 trilhões para a economia global até 2025, sendo 38% receita em países emergentes.
Além da fábrica o governo busca meios de introduzir a tecnologia no Brasil, criando um projeto que torne viável sua adoção bem como a regulamentação para conectividade de dispositivos. Em dezembro o Ministério de Ciência e Tecnologia contratou consórcio formado por três empresas para o desenvolvimento do plano nacional que contém estudos de viabilidade da adoção da internet das coisas no País, tanto em termos de benefícios da tecnologia quanto em criação de uma regulamentação.
Venceu o consórcio formado pela consultoria Mckinsey, o instituto de pesquisa CPqD, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, e o escritório Pereira Neto/Macedo Advogados. O estudo será entregue ao governo em agosto, e o plano estará pronto para ser apresentado para consulta pública em setembro. A expectativa é a de que a execução do plano demore cinco anos.
O projeto prevê o financiamento de R$ 17,4 milhões para a elaboração do estudo técnico independente. O BNDES entrará com R$ 9,8 milhões, e o consórcio arcará com R$ 7,6 milhões.
A consultoria já realizou mais de cinquenta projetos nesse setor. O CPQD é o maior centro de pesquisa e desenvolvimento no setor de IoT no Brasil e o escritório é atuante na área jurídica em temas como inovação, tecnologia e estruturação de grandes projetos de internet. Sócio do escritório Ronaldo Lemos teve participação na elaboração do Marco Civil da Internet.
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