A previsão de crescimento na produção de autopeças para este ano praticamente dobrou, subindo de 5% para 9%. A revisão dos números para cima foi feita por George Rugitsky, conselheiro do Sindipeças, Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP, durante o Seminário Autodata Revisão das Perspectivas 2017:
“A produção de autopeças se beneficiou do bom desempenho das montadoras de automóveis e comerciais leves no primeiro trimestre deste ano, o que não era esperado nas nossas projeções”.
O valor das exportações de autopeças deve inverter a curva de quedas consecutivas nos últimos anos. Em 2014, chegou a US$ 8,34 bilhões, caindo para US$ 7,56 bilhões em 2015 e US$ 6,56 bilhões em 2016. Neste ano, a estimativa é que o montante alcance a US$ 6,80 bilhões.
Segundo Rugitsky, as exportações trazem resultados de imediato, pois os veículos são exportados com componentes produzidos no mercado interno. Mas ainda há muito espaço para crescimento na exportação: “Só o mercado latino americano, tirando Brasil e Argentina, é composto por 1,6 milhão de veículos”.
Prova disso é que as exportações irão puxar o faturamento no setor de autopeças, que também amargava uma série sucessiva de quedas: R$ 80,1 bilhões em 2014, R$ 66,6 bilhões em 2015 e R$ 63,1 bilhões em 2016. A projeção para o faturamento deste ano é de R$ 69,1 bilhões.
Baixa competitividade – Segundo ele, o setor tem condições de se inserir no mercado global: “Não queremos apenas atender aos lançamentos que vêm para o Brasil este ano, como por exemplo, o Volkswagen Polo e o Kwid, da Renault, mas ter condição de voltar a exportar uma parcela significativa da produção”.
Ele acredita que o custo Brasil, que engloba altos preços de matéria prima e mão de obra, como também problemas na logística do transporte, é um dos fatores que emperra a competitividade: “De 2002 a 2006, o Brasil era considerado um país de baixo custo e se tornou fornecedor de linhas únicas de produtos. Na Freudemberg, onde sou presidente, nós fabricávamos a linha de retentor para eixo de caminhão, que era feito com exclusividade no Brasil e essa linha já não existe mais”. Para reverter esse quadro, ele acredita que são necessárias mudanças macroeconômicas, como as reformas trabalhista e previdenciária.
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