A recuperação do segmento de caminhões e ônibus, tanto em produção como nas vendas, depende de medidas que estimulem o mercado. Roberto Cortes, presidente e CEO da MAN Latin America, disse, durante o Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2017, na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP, que o uso da linha Finame, do BNDES, Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, é essencial para sustentar as vendas de veículos pesados:
“A Finame, nos seus 40 anos de vida, sempre viabilizou os investimentos em equipamentos, que são bens de capital. Mas, isso é só para corrigir uma distorção com relação aos outros países. O Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. E a Finame é extremamente necessária na hora de decidir pela renovação de frota”.
Hoje, as vendas via Finame representam mais de 80% dos licenciamentos de veículos pesados. Cortes afirmou, ainda, que o ideal é uma taxa de juros real de 4%. Hoje, descontando a inflação, os juros anuais em um contrato da Finame devem girar em torno de 11%: “O que o setor almeja é a volta da Finame integral, mas não com uma taxa alta e sim um porcentual que justifique os investimentos em bens de capital. Juros como esse são semelhantes aos bancos comerciais. A verdade é uma só: sem subsídio não é viável o investimento em bens de capital”.
Rumo a 2022 – Segundo Cortes, com as condições ideais de temperatura e pressão, o mercado no País deverá chegar aos níveis de 2013 em 2022: “As vendas pós-eleição deverão ter um comportamento interessante, parecido com o que tínhamos no passado”. Isso puxa também a produção que deve seguir o mesmo ritmo.
Para este ano, Cortes se diz um “otimista contido”. Isso porque a queda do mercado no primeiro semestre foi bem maior do que a indústria imaginava: “Junho foi o primeiro mês que tivemos crescimento no comparativo com junho do ano passado. O aumento foi de 5%, chegando a 5,3 mil unidades comercializadas. Essa tendência deve continuar nos próximos meses, mas para alcançarmos o mesmo volume do ano passado, no segundo trimestre o desempenho tem de ser 30% melhor do que o primeiro”.
As vendas diárias, segundo ele, foram de 240 unidades em junho. Em maio chegaram a ser de 231/dia. No início dessa série, em janeiro, o patamar era bem abaixo: de 154 veículos por dia. A expectativa é de que os licenciamentos alcancem 50 mil caminhões e 11 mil ônibus este ano: “Isso é bom? Não. Estamos num nível de indústria do século passado e muito aquém dos números que gostaríamos. Um volume de cerca de 60 mil voltamos a 1999”.
As exportações é que podem dar um impulso às montadoras instaladas aqui. Em junho, os volumes chegaram a 4,3 mil unidades, aumento de 24% com relação ao mesmo mês do ano passado. Cortes disse que, pela primeira vez, os embarques alcançaram o patamar pré-crise econômica mundial, em 2008: “Voltaremos a este nível este ano, porque não acredito que ocorrerão mudanças significativas no câmbio. A expectativa é uma elevação de dois dígitos na exportação”.
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