Para levar adiante a conectividade de seus produtos, os fabricantes de carro precisam dar as mãos para as sistemistas, responsáveis por desenvolver as tecnologias empregadas a bordo. Essas empresas atuam em três frentes no desenvolvimento de tecnologias para aumentar a conectividade automotiva.
Um dos princípios é ampliar o processamento dentro dos veículos. O segundo ponto é a conexão do automóvel com o circuito externo. A terceira frente está na conexão e no armazenamento em nuvem, exigindo investimentos para criação de verdadeiros computadores a bordo.
Para que os dois últimos pontos funcionem bem é necessária uma infraestrutura externa, exigindo telefonia móvel de qualidade. “Quanto mais conectados forem os veículos, mais qualidade será preciso nas redes telecom”, afirma Ricardo Camargo, da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade, SAE Brasil. Vários desafios precisam ser vencidos para que o Brasil possa se igualar a países mais desenvolvidos. “Áreas de sombra encontradas em diversas regiões do País geram instabilidade e não permitem que a tecnologia seja utilizada de forma homogênea em todo o território nacional”, afirma Camargo. “Essa falta de infraestrutura atrasa a evolução da conectividade”, diz Fabio Alves, gerente de produto da Citroën do Brasil.
O FIM DO CHICOTE – De acordo com Alexandre Brunaldi, diretor de vendas da Qualcomm no Brasil, a conectividade dentro do veículo permite realizar funções sem a necessidade de cabeamentos. Via wi-fi, sem o uso dos já obsoletos chicotes, que aumentam o peso do veículo, funcionam, por exemplo, o comando de voz, a câmeras de marcha à ré e o travamento das portas. “Os novos carros precisam suportar as últimas tecnologias sem fio”, afirma. Com as plataformas de hardware e software da Qualcomm, as montadoras podem projetar carros conectados permitindo atualizações mais facilmente.
Para a eficiência da conectividade com o circuito e com as informações em nuvens, fabricantes como a Qualcomm criam modernos processadores para as principais marcas de veículos. Esses processadores usam os protocolos mais conhecidos para alimentar sistemas de bordo que atendam a atuais e futuras demandas.
É preciso velocidade de internet que permita motorista e passageiros ficarem conectados com seus aparelhos ao sistema do veículo. Já se preparando para as redes 5G, a Qualcomm investe em conexões wi-fi, Bluetooth e Global Navigation Satellite System (GNSS).
Outro grande fabricante global com linha de produtos focada na evolução da conectividade é a Delphi, que, diga-se, ampliou sua fábrica no interior de São Paulo. Didimo Garcia, líder de desenvolvimento de Novos Negócios da empresa na América do Sul, conta que a Delphi trabalha com três tendências, safe, green e connected, cujos focos são segurança e sustentabilidade. O sistema de centrais multimídias da empresa tem tecnologia Dual Hole, opera tanto com Apple Carplay quanto com Android Auto, e é capaz de coordenar a presença de dois ou mais dispositivos sem gerar conflitos.
CARREGADOR SEM FIO – Uma das comodidades produzidas pela empresa é a Delphi Data Connectivity (DDC), que carrega dispositivos como smartphones e tablets assim que eles entram no raio de alcance do equipamento. A tecnologia evita a necessidade de cabos, tomadas, adaptadores e, assim, mantém a atenção do motorista na direção. O carregador utiliza um campo magnético para transmitir energia e tem capacidade similar à versão convencional com fio.
O diretor da unidade de sistemas eletrônicos da Magneti Marelli, Luca Magnotta, diz que para construir um módulo de conectividade é necessário entender quais serviços serão adicionados ao veículo. Segundo Magnotta, um módulo chamado Infotainment, de elevado conteúdo tecnológico, é o responsável pela conectividade a bordo. O equipamento é composto por uma caixa blindada, conectores que gerenciam as entradas e saídas de dados e uma ou mais placas de circuito com centenas de componentes eletrônicos. “É praticamente um computador de alto desempenho que gerencia todas as funcionalidades de informação, conectividade e entretenimento do carro.”
A construção desse módulo passa por um longo desenvolvimento em parceria com o cliente – no caso, as montadoras. Definem-se requisitos e funcionalidades, projeto mecânico, criação das telas, desenho do esquema elétrico do hardware, projeto dos elementos térmicos, sistemas dinâmicos e, obviamente, a criação de um software capaz de gerenciar tudo.
A tecnologia exige muito investimento em engenharia, máquinas, softwares e pessoas. “O desenvolvimento no Brasil só faz sentido caso os volumes sejam significativos para viabilizar o negócio”, diz Magnotta. “A maioria dos sistemas vem de fora, utilizando produtos já desenvolvidos em mercados mais maduros.”
DESENVOLVIMENTO – O executivo da Magneti Marelli acredita, no entanto, em uma tendência de desenvolvimento local de provedores de serviços e aplicativos para smartphones. “Temos nossa equipe de pesquisa e desenvolvimento”, garante.
“O desenvolvimento de um sistema desse tipo começa pela oferta, passa pela definição e nomeação, codesenvolvimento e congelamento dos requisitos do cliente, desenho teórico do produto na engenharia, maquete inicial, protótipos realísticos, construção da linha de montagem, pré-séries, qualificação do produto e processo produtivo e, finalmente, o início da produção”, finaliza Magnotta.
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