Serviços digitais abrem os caminhos da ABB no Brasil

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Tradicional fornecedora de robôs para a indústria automotiva, a ABB se movimenta no mercado para se posicionar como empresa de serviços na área de automação – filão que, pelo menos no setor de veículos, avalia como pouco explorado. É uma espécie de mudança de paradigma após 105 anos, completados em 2017, se consolidando na vanguarda da robótica em processos como soldagem e pintura. A meta da empresa para a América Latina é deter em cinco anos uma fatia de até 10% dos US$ 20 bilhões que estima ser o tamanho do mercado global de serviços digitais. Para atingi-la, o caminho aponta para as montadoras parceiras que estão experimentando evolução tecnológica em suas linhas.

 

O ciclo de lançamentos de veículos no Brasil e uma onda de investimentos que têm sido anunciados para fábricas aqui e na Argentina, com vistas aos próximos anos, foram os fatores que fizeram a empresa a ajustar o radar de sua área de serviços para a região – no terceiro trimestre, a receita global com serviços cresceu 11% na comparação com o resultado obtido no mesmo período em 2016, segundo balanço da companhia divulgado em outubro. A expectativa é a de que a ofensiva dos seus serviços nos clientes com quem já tem longo relacionamento faça esta porcentagem aumentar em 2018.

 

Isso porque as empresas estariam inclinadas a absorver novas tecnologias que melhoram a produção, de acordo com o presidente global, Ulrich Spiesshofer: “Temos dentro da empresa o conhecimento acumulado ao longo de todos esses anos sobre a operação de diversos clientes ao redor do mundo. O que fizemos foi reunir essa experiência em plataformas digitais que podem render melhorias e economias a estas companhias com quem já temos relacionamento. Chegou o momento do setor entrar na onda digital”.

 

O executivo esteve no Rio de Janeiro no início do mês para apresentar os planos na área de serviços para os próximos anos em evento que também celebrou o aniversário da empresa. Na oportunidade foi lançado o pacote de serviços ABB Ability, a aposta da companhia para diversos setores, inclusive o automotivo. Trata-se de um conjunto de serviços que envolvem monitoramento de máquinas, simulação de linhas de produção, gestão de energia e conectividade, para citar os serviços voltados para a manufatura, segmento no qual está inserida a indústria automobilística.

 

A introdução dessa tecnologia nas fabricantes que atuam na América Latina pode representar o salto de patamar que a indústria tem demonstrado buscar para aumentar a competitividade do veículo local em outros mercados. Sobre este tema, Spiesshofer disse que apostar neste tipo de tecnologia levou a indústria de alguns países a ocuparem posições de destaque atualmente: “O avanço da robotização na Coreia do Sul, para citar o exemplo de uma indústria que cresceu rapidamente, a transformou em uma referência na fabricação de veículos, entre outros produtos. As empresas sul-coreanas estão hoje entre as mais avançadas em termos de tecnologia e geração de emprego”.

 

A indústria brasileira possui um nível considerado baixo de robotização. Estima-se que haja proporção de um robô para dez mil funcionários, ao passo que na Coreia, por exemplo, a proporção seja de 478 para dez mil. Ainda assim, 70% dos cinco mil robôs ABB em operação nas montadoras do Brasil formam um volume que torna interessante a oferta de serviços digitais aqui. Junto com a estratégia anunciada em agosto, de dobrar o número de robôs conectados no País, a ABB deverá envolver Ability e outros serviços nas negociações com as fabricantes de veículos.

 

Nas Américas, a participação da área de robótica representou no terceiro trimestre 34% do faturamento da região, tendo a área automotiva como um dos principais vetores de crescimento local. As vendas da divisão cresceram 4% na comparação com o mesmo período em 2016, cenário que resultou na elevação da receita, que cresceu 8% com relação ao trimestre do ano passado.

 

O desempenho comercial da empresa pode seguir em rota de crescimento por causa dos lançamentos esperados no setor automobilístico: serão onze ano que vem, e com eles chegam investimentos em novas linhas de produção. Ainda que os acordos de fornecimento geralmente sejam fechados pelas matrizes, tanto da ABB quanto da fabricante, a divisão brasileira de serviços da companhia desempenha papel importante na prospecção e na indicação de novas tecnologias às fabricantes que, segundo a ABB, estão dispostas a ouvir o que ela tem a dizer sobre serviços digitais.

 

Foto: Divulgação