Financiamentos de 5 anos: uma estratégia de marketing.

Imagem ilustrativa da notícia: Financiamentos de 5 anos: uma estratégia de marketing.

São Paulo – Com a retomada das vendas de veículos e a maior disponibilidade de crédito pelas instituições financeiras, voltaram a aparecer os anúncios de financiamentos de veículos com prestações a perder de vista. Desde o começo de maio, modelos Ford e General Motors podem ser adquiridos com planos de sessenta meses e algumas promoções pontuais chegam a oferecer carros com até 72 parcelas para pagar.

 

Anunciar esses planos é uma boa estratégia de marketing – no passado, houve casos de promoções com até 80 prestações –, mas não condiz com a realidade do mercado. Segundo Luiz Montenegro, presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras, Anef, são poucos os clientes que de fato aderem a esses planos: 

 

“Não vejo como uma tendência. Durante a crise os prazos de sessenta meses ainda existiam, mas os próprios clientes que conseguiam acesso ao crédito não queriam financiar em mais de 48 meses, o que considero um prazo adequado para quitar um automóvel. Agora, com a maior demanda por automóveis novos, as empresas começam a divulgar mais esses prazos”.

 

O presidente da Anef considera 48 meses o prazo ideal para financiar um veículo 0KM por causa da depreciação que eles sofrem no período e porque poucas pessoas conseguem efetivamente chegar ao fim de um financiamento de sessenta meses. “Não sou muito favorável a prazos acima de quatro anos, até porque quem opta por cinco anos acaba antecipando o pagamento ou se torna inadimplente”.

 

De janeiro a março foram liberados R$ 28,6 bilhões para financiamento de veículos pelas empresas financeiras das montadoras, o maior volume de dinheiro disponível no período nos últimos cinco anos. A aprovação de fichas está acompanhando a maior oferta de crédito: “Houve uma queda nas aprovações durante a crise, mas hoje 70% das fichas são aceitas pelos bancos, o que é um índice muito bom. Nossa expectativa é a de que esse índice seja de 70% a 75% até dezembro”.

 

Com relação à inadimplência, que cresceu durante a crise do mercado de veículos, Montenegro disse que os bancos aproveitaram os últimos três anos para fazer uma limpa em suas carteiras, que voltaram a crescer a partir do segundo semestre do ano passado com uma qualidade melhor. Em março o índice de inadimplentes pessoas físicas ficou em 3,6%, queda de 0,9 ponto porcentual na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Para 2018 a Anef projeta crescimento de 15% no volume de recursos liberados para financiamentos de veículos, chegando a R$ 116 bilhões: “Acho que uma alta de 15% no ano será um bom índice, levando em consideração as projeções de crescimento do PIB”.

 

Foto: Divulgação.