Novo laboratório faz Petronas mirar novos mercados

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13/09/2018

Contagem, MG – A Petronas finalizou a expansão do laboratório onde passará a desenvolver novos produtos e realizar testes em seus óleos lubrificantes e graxas com equipamento atualizado. O espaço, instalado dentro da fábrica que mantém em Contagem, MG, foi reinaugurado na quarta-feira, 12. O investimento aplicado na compra de equipamentos e no aumento da área construída foi de US$ 8 milhões.

 

É o quinto centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa no mundo. Há dois principais: o de Turim, na Itália, que concentra os trabalhos nos produtos para automóveis, e o da Malásia, instalado na sede da companhia. Os demais são considerados laboratórios satélites integrados aos principais. São eles: na China, voltado aos óleos para motores diesel. Estados Unidos, para o agronegócio e, África do Sul, para a mineração.

 

O laboratório de Minas Gerais, por sua vez, concentra as operações em torno dos óleos lubrificantes industriais. De acordo com Luiz Sabatino, presidente da companhia no País, apesar do Brasil constituir polo automotivo, a empresa decidiu utilizar a nova área para se dedicar a outros mercados na região:

 

“Como já possuimos dentro da organização a experiência de Turim nos leves, ficou estabelecido que no Brasil concentraríamos os esforços em crescer em áreas que também são fortes na América Latina”.

 

Ainda que existam outros alvos, o centro de P&D renovado pela Petronas também atuará junto ao setor automotivo local. Especificamente na homologação dos óleos lubrificantes que já são produzidos aqui para o mercado de reposição e OEM, segundo Sabatino. A empresa no País é responsável pelo primeiro enchimento dos veículos da FCA e, mais recentemente, passou a atender aos veículos Caoa Chery.

 

A Petronas possui forte relação com a FCA. Em 2012, finalizou a compra da FL Selenia, ex-divisão de lubrificantes da Fiat, e que estava no controle de um grupo de investidores. A partir daí se tornou distribuidora exclusiva de óleos lubrificantes para seus veículos globalmente. O relacionamento sólido no OEM, no entanto, poderá não ser eterno, disse Sabatino:

 

“Não juramos amor eterno à FCA e nem eles a nós. Como atuamos em um mercado dinâmico, muita coisa pode acontecer no decorrer dos anos. Da nossa parte, estamos conversando com outras empresas sobre primeiro enchimento e participaremos de concorrências”.

 

Em 2014 o mercado de lubrificantes no Brasil somou 1,3 bilhão de litros, volume que caiu para 1,1 bilhão no ano passado -- mas que deve se recuperar este ano e chegar a 1 bilhão 250 milhões de litros.

 

Este ano, a Petronas deve produzir cerca de 160 milhões de litros de lubrificantes e graxa, com crescimento de 3% sobre 2017, um porcentual representativo, de acordo com Guilherme de Paula, CEO da Petronas na América Latina: “É um mercado nas mãos de diversos concorrentes, 3% é algo a se comemorar. A Petronas avançou mesmo com o mercado recuando”.

 

E a empresa quer crescer mais 3% no ano que vem. Para isso, é preciso destinar recursos às ações comerciais nos principais pontos de vendas dos seus lubrificantes: distribuidores autorizados, concessionárias e oficinas mecânicas, já que a companhia não dispõe de rede própria -- e nem quer, pontuou Sabatino: “As líderes no mercado possuem rede extensa de postos de gasolina, onde vendem seus lubrificantes. Optamos por ir em outra direção”.

 

Para custear a operação comercial no País, manter a produção em Minas Gerais e desenvolver novos produtos, a empresa dispõe de US$ 40 milhões para investir no ciclo de cinco anos iniciado em maio. Com o dólar em patamar de R$ 4,20, o orçamento da companhia deverá ser de R$ 168 milhões.

 

O valor é inferior ao do último ciclo de cinco anos, R$ 350 milhões, que fora utilizado para reformular a fábrica, modernizar o laboratório, dentre outras melhorias. Foram nesses últimos seis anos, informou o executivo, que a Petronas aumentou seu market share no País: saltou de 9,4% para 11,7%, o que tornou a empresa a quarta maior do mercado nacional.

 

Para o ano que vem, a empresa expera consolidar a produção mineira como plataforma de exportações: “Nossas exportações aumentaram e hoje respondem por cerca 15%, enquanto em 2012 eram de 6% a 7%”.

 

Dos produtos fabricados em Contagem, 60% vão para o mercado automotivo e 40% vão para os outros, que eles classificam como consumo.

 

Foto: Divulgação.