E o Rota 2030?

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06/11/2018

São Paulo – Nos corredores do primeiro dia de imprensa do Salão do Automóvel de São Paulo, na terça-feira, 6, muitos executivos buscavam informações para entender o que ocorria em Brasília, DF. Enquanto nos estandes eram anunciados investimentos, planos para o mercado brasileiro e carros-conceito, deputados, senadores e representantes da indústria costuravam a aprovação da MP 843, que cria o Rota 2030.

 

Ao final de um longo dia de apresentações no pavilhão da São Paulo Expo chegou a informação de Brasília: a pauta de votações do plenário da Câmara dos Deputados fora adiada para a manhã da quarta-feira, 7. Na verdade, segundo apurou a Agência AutoData, a aprovação do Rota 2030 está em risco.

 

E a falta de consenso na indústria automotiva contamina o andamento das negociações no legislativo. Dentro da própria Anfavea existem montadoras que desejam a aprovação do novo regime automotivo e empresas que são radicalmente contrárias ao texto final. Em xeque estão os chamados penduricalhos ao Rota – em outras palavras, a renovação do Regime do Nordeste.

 

“São regras que mexem com a competitividade da indústria”, afirmou à reportagem uma fonte da indústria, reclamando dos benefícios concedidos a empresas que mantêm fábricas nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oestes. “Os incentivos são muito generosos”.

 

Enquanto o Rota 2030 corria sozinho, com benefícios tributários concedidos exclusivamente às empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento, as divergências ocorreram dentro do governo. Mas ao inserir no texto da MP a prorrogação do chamado Regime do Nordeste, a indústria se dividiu. Segundo apurou a reportagem, ao menos quatro empresas associadas à Anfavea são contrárias ao Rota 2030 com o Regime do Nordeste. Outra sócia da entidade, no sentido oposto, trabalha duro nos bastidores para a sua aprovação.

 

Durante o dia as bancadas de parlamentares do Nordeste e do Sudeste trabalharam de acordo com os interesses das suas regiões - alinhados com os interesses de empresas com fábricas nesses estados. Uma fonte do governo chegou a afirmar que a retirada do Centro-Oeste da lista de regiões beneficiadas com incentivos fiscais selaria a paz no setor – algo que não ocorreu. “Existem empresas trabalhando contra. Espero que arquem com as consequências caso o programa automotivo não seja aprovado”, relatou uma fonte nos corredores do Salão do Automóvel.

 

Até o fim da noite da terça-feira, 6, o presidente da República não havia confirmado presença na abertura do Salão do Automóvel. Fabricantes e representantes do setor esperavam que ele anunciasse a promulgação do Rota 2030 nessa ocasião. Mas ainda resta uma esperança para que isso aconteça: a remota expectativa de que a Câmara e o Senado aprovem a MP 843 no mesmo dia – algo que ocorreu raras vezes na história do País. Ou, até, que isso ocorra após a abertura do Salão, sem o clímax aguardado com o anúncio presidencial no maior evento do setor automotivo na América do Sul.

 

De todo modo, o prazo persiste: em 16 de novembro a MP 843 perde seus efeitos. Junto com ela, o Rota 2030. E, na esteira, a tão desejada previsibilidade para a indústria automotiva.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira, Leandro Alves, Márcio Stéfani e Vicente Alessi, filho

 

Foto: Divulgação.