Toyota Sorocaba quer reagir ao drama argentino

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São Paulo – Mais mudanças devem ocorrer na operação da Toyota no País, especificamente em Sorocaba, SP, onde são fabricados os modelos compactos Etios e Yaris. Afora o fim do terceiro turno, confirmado para agosto, e o início das atividades de Masahiro Inoue como novo CEO na América Latina e no Caribe, a empresa deverá reconfigurar, ali, a linha de produção em função da crise no mercado argentino.

 

Na quarta-feira, 10, o novo CEO foi apresentado à diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região e as apresentações, segundo a Toyota, devem seguir ao longo do mês em concessionárias e em empresas fornecedoras. Durante a visita os representantes dos trabalhadores solicitaram, por meio de carta, novos investimentos na unidade após o encerramento do terceiro turno.

 

Masahiro Inoue e Rafael Chang, o presidente da Toyota no Brasil, receberam o documento que vai além dos investimentos de rotina: trata da produção, em Sorocaba, de um novo modelo baseado na plataforma TNGA, a sua mais recente no mercado brasileiro e sobre a qual será montado o novo Corolla, em Indaiatuba, SP. Os executivos, segundo o sindicato, se mostraram otimistas acerca da possibilidade, mas evitaram pormenores a respeito do tema.

 

De qualquer forma a fabricante vislumbra um segundo semestre diferente em termos produtivos diante daquilo que hoje considera um desafio importante, que são as exportações. O sindicato de Sorocaba informou na segunda-feira, 15, que a produção da unidade passa por paralisação programada – de 10 a 22 de julho – para manutenção e modificações. Com a diminuição das vendas na Argentina deverá diminuir ainda mais o volume de produção do modelo Etios com aumento do tempo de montagem na linha.

 

Deverá diminuir o volume porque recuo na produção do modelo já ocorreu no primeiro semestre. Dados fornecidos pela montadora a AutoData na segunda-feira mostram que até maio foram produzidos 24 mil unidades do compacto, o que representa um volume 50% menor do que o produzido no janeiro-maio do ano passado. O Etios, assim como o Yaris, é exportado para outros países da América Latina mas os volumes passam longe do tamanho da demanda do mercado argentino, ainda que em declínio.

 

Afora o fator Argentina, o segundo principal mercado do modelo na região depois do brasileiro, a redução também ocorreu em função de um planejamento executado para priorizar a produção do Yaris.

 

A montadora não confirma, mas o Sindicato dos Metalúrgicos estima que estejam nos estoques das concessionárias argentinas, hoje, 7 mil unidades do Toyota Etios, modelo que, lá, já desfrutou do papel de veículo mais vendido. Por causa disso, segundo o sindicato, na unidade de Sorocaba, até segunda ordem, não se produz mais Etios para o mercado argentino até março do ano que vem.

 

Até junho, segundo dados da Acara, a associação dos distribuidores argentinos, o modelo foi o terceiro mais vendido no período, somando 8 mil 436 unidades. Este volume, na comparação com os licenciamentos feitos no primeiro semestre do ano passado, representa queda de 59%, e o porcentual negativo serve de argumento fundamental para que ajustes sejam feitos na produção do modelo em Sorocaba.

 

No mercado brasileiro o cenário é parecido nas vendas. Dados da Fenabrave indicam que, até junho, os licenciamentos da versão hatch apresentaram queda de 54% na comparação com o janeiro-junho de 2018, somando 8 mil 959 unidades emplacadas. As vendas da versão sedã também vivem declínio no período: menos 58%, chegando a 6 mil 171 unidades emplacadas.

 

Foto: Divulgação.