Caoa pretende produzir caminhão Ford e carro chinês

Imagem ilustrativa da notícia: Caoa pretende produzir caminhão Ford e carro chinês
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03/09/2019

São Paulo – Nas últimas três semanas tornaram-se intensas as conversas dentro do círculo que envolve a compra da Ford Taboão, uma discussão que resultou, segundo João Doria, governador estadual, "na execução da primeira fase da aquisição da fábrica instalada em São Bernardo do Campo".

 

Ford e Caoa, empresa que agora detém a preferência na compra, tratarão a portas fechadas do processo de due dilligence para se chegar a um preço e, por fim, a um desfecho.

Mesmo que nos próximos 45 dias as coisas ocorram em sigilo por ora o que, sim, está confirmado pelas partes que negociam, é que a Caoa pretende comprar a fábrica de 1,4 milhão de metros quadrados e produzir sob licença modelos de caminhões Ford, no caso, os da linha Cargo, disse Mauro Correia, presidente da Caoa, na terça-feira, 3. O modelo seria similar ao praticado pela Ford Otosan na Turquia, com o pagamento de royalties para exploração da marca.

O que há de diferente, no caso brasileiro, é a possibilidade de também se produzir veículos de marca chinesa, que não foi revelada nem pelo executivo nem pelo seu chefe, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador e presidente da companhia. Outra possibilidade é a de manter na operação 850 funcionários que já atuam na unidade ainda sob a bandeira Ford.

A informação está alinhada com as expectativas da rede de concessionários Ford Caminhões, que exerceu pressões junto à Ford para que o negócio com a Caoa fosse fechado o mais rápido possível para reduzir os danos nas suas operações – desde que a Ford anunciou o fim da produção no Taboão a rede passou a perder market share.

O valor do negócio deverá ser divulgado tão logo termine o processo de auditoria ao qual está submetido no momento. Ainda que as cifras estejam ocultas no biombo corporativo é sabido que a Caoa pretende comprar a fábrica com recursos próprios e investir, pelo menos, R$ 1 bilhão – cifra mínima para se adequar ao IncentivAuto, programa de incentivo do governo paulista.

 

De acordo com Mauro Correia não haverá participação do BNDES, por exemplo, e também a companhia não fez tentativas para que isso acontecesse.

O processo de auditoria não constitui certeza de compra da Ford Taboão por parte da Caoa e nada foi assinado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. De todo modo a Prefeitura de São Bernardo do Campo não trabalha com um plano B caso a Caoa, por alguma razão, decida sair do negócio – ou não obtenha as condições ideais de fechá-lo.

 

Por enquanto, neste que parece ser o penúltimo capítulo do negócio Ford-Caoa, o que se tem, segundo o governador, é “um bom entendimento das partes”, como a foto que ilustra a matéria sugere.

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Foto: Divulgação.