Direção autônoma ainda está distante dos veículos comerciais

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02/10/2019

Södertäjle, Suécia – A indústria de veículos comerciais está mais próxima de tornar viável a eletrificação de caminhões e ônibus do que levar para o mercado uma operação comercial de veículos de condução autônoma, apesar de ter direcionado, inicialmente, investimentos no desenvolvimento de tecnologias que dispensam o motorista. A análise é de Christian Levin, COO do Grupo Traton, que esteve no Innovation Day promovido pela companhia na sede da Scania em Södertäjle, Suécia, na quarta-feira, 2.

 

O executivo ponderou que a direção autônoma saiu da prioridade: “Temos que chegar em um nível extremo de segurança, no qual nada pode dar errado na operação dos veículos comerciais”.

 

É algo que, na sua avaliação, é muito difícil de ser garantido e que colocaria os operadores dos caminhões e ônibus em risco, uma vez que eles têm que assumir a responsabilidade total sobre a utilização desses veículos, incluindo o risco de possíveis acidentes. Por todas estas razões Levin considera que as experiências com direção autônoma ficarão ainda por um bom tempo restritas a operações em circuito fechado.

 

“As aplicações em áreas confinadas serão mais viáveis. Nelas a tecnologia chegará mais rápido. Já temos vários nichos de aplicações deste tipo, inclusive no Brasil. São aplicações que permitem este avanço porque, nelas, os operadores podem ter total controle da atividade, como em mineradoras ou plantações de cana, por exemplo.”

 

Na questão da eletrificação o raciocínio é exatamente o oposto: segundo Levin acontecerá muito rapidamente, principalmente em razão das exigências da sociedade.

 

O COO do Grupo Traton observou que, no longo prazo, a gestão da eficiência do uso da eletricidade será o ponto crucial do sucesso da tecnologia no futuro, pelo menos no segmento de veículos comerciais: “Até este momento investimos pesado para fazer caminhões e ônibus diesel mais econômicos e eficientes. O mesmo acontecerá no ambiente da eletricidade: vencerá a montadora que conseguir alcançar de maneira mais eficaz esta eficiência”.

 

Ele contou que, na sua opinião, o segredo do futuro está no desenvolvimento de novas parcerias e, principalmente, no avanço no desenvolvimento de softwares que possibilitem maior controle e eficiência dos veículos: “Por considerarmos este o principal diferencial competitivo nós, do Grupo Traton, decidimos que trataremos diretamente o desenvolvimento desses controles”.

 

Levin informou que mais de um terço dos engenheiros que trabalham na Traton em todo o mundo atuam diretamente no desenvolvimento eletrônico de softwares. “Nosso maior desafio atual não é simplesmente construir um veículo eficiente: é integrar este veículo ao sistema logístico”.

 

Isso acontece por ser muito difícil programar os softwares segundo cada operação: “Na verdade teremos que vender uma espécie de pacote que incluirá os engenheiros de desenvolvimento. E isto será muito difícil”.

 

Foto: Divulgação.