Indústria de motocicletas supera a crise e investe em produção

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18/11/2019

São Paulo – A indústria de motocicletas chega ao Salão Duas Rodas 2019, que abriu as portas ao público na segunda-feira, 18, no São Paulo Expo, em São Paulo, em clima de otimismo e celebração. A marca de 1 milhão de unidades vendidas ao mercado interno será novamente alcançada este ano, um marco importante que simboliza a pá de cal na crise que o setor enfrentou desde 2014. E a projeção, segundo a Abraciclo, é de novo crescimento em 2020.

 

Até outubro as fabricantes comercializaram 894,7 mil unidades no varejo, volume 14,8% superior ao do mesmo período do ano passado – no mês foram 98,3 mil unidades, 18% acima de outubro de 2019 e 12,1% de aumento sobre setembro.

 

“A média diária chegou a 4 mil 276 unidades por dia útil no mês passado”, disse Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo. “E a tendência é a de que em novembro e dezembro essa média cresça, pelo histórico de demanda do setor.”

 

Segundo o executivo são três os fatores que ajudaram a impulsionar as atividades do setor de duas rodas: a facilidade do crédito, que voltou a irrigar o setor após anos de torneiras apertadas, a busca por alternativas de mobilidade urbana, em especial nas grandes cidades, e o próprio movimento da indústria, que incorporou tecnologia e design às motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus, AM.

 

A Yamaha projeta fechar o ano com aumento superior ao da média do mercado, 17%, com 151 mil motocicletas comercializadas. Poderia ser mais, de acordo com Ricardo Susini, seu diretor comercial: “Passamos por alguns períodos com baixos estoques e precisamos investir na fábrica para atender à demanda. Não fosse isso estaríamos com desempenho ainda melhor”.

 

A partir de janeiro a fábrica Yamaha de Manaus, terá um segundo turno de produção, já antevendo demanda superior em 2020.

 

Com a mesma confiança a Honda investe R$ 500 milhões em sua unidade produtiva de Manaus, visando à atualização de máquinas e ao incremento de produtividade:

 

“No passado crescemos de forma acelerada para acompanhar o mercado. Agora estamos reorganizando a fábrica, aprimorando a logística interna e mudando o leiaute de algumas áreas, além de atualizar algumas máquinas”, contou Alexandre Cury, diretor comercial da Honda, lembrando que no passado a unidade chegou a produzir 1,6 milhão de motocicletas. “Neste ano devemos crescer 13,5% e produzir 850 mil motocicletas para o mercado brasileiro.”

 

Responsável por 79,5% das vendas ao mercado interno a Honda acompanha o ritmo de crescimento do mercado e acredita em aumento de 5% a 10% em 2020.

 

Renato Fabrini, gerente geral da Triumph, é um pouco mais otimista: “Nós devemos acelerar de 10% a 11% em 2020”.

 

A Triumph chegará em 2019 a um novo recorde de vendas: 5,5 mil unidades, aumento de 14,2% sobre o ano passado. Competindo apenas nos segmentos de cilindradas mais altas a empresa aposta alto no mercado brasileiro: “Chegamos ao Brasil há sete anos e mesmo com a crise aumentamos os volumes ano a ano. Hoje somos a quinta maior operação da Triumph no mundo, atrás de Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha”.

 

Toda a linha da Triumph é montada em Manaus, em operação CKD, lembrou o executivo. Até os mais recentes lançamentos, apresentados no Salão Duas Rodas, serão nacionalizados.

 

De janeiro a outubro foram produzidas na Zona Franca de Manaus 945,6 mil motocicletas, aumento de 6,7% sobre os primeiros dez meses do ano passado. No mês passado as fabricantes entregaram 109,1 mil motocicletas, avanço de 7,9% sobre outubro de 2018. O ritmo só não acelerou mais porque a Argentina entrou em crise e prejudicou as exportações, que cederam 47,5% no acumulado do ano, para 32,3 mil unidades.

 

Foto: Divulgação.