Bosch: mercado global em retração até 2025.

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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29/01/2020

São Paulo –  A Bosch divulgou na quarta-feira, 29, balanço do seu desempenho em 2019 e, afora os números, que de maneira geral apontam para baixo em função de vendas menores em mercados importantes como o chinês, a sistemista também deu seu parecer a respeito do mercado automotivo para os próximos anos. O cenário, sob sua ótica, é de retração até 2025.

 

A receita global da companhia no ano passado recuou 1,1% na comparação com o desempenho de 2018, chegando a 78 bilhões de euro.

 

“Economia fraca e forte declínio na produção automotiva deixaram marcas na Bosch”, disse Volkmar Denner, presidente do conselho de administração. “O resultado do ano poderia ter sido pior se a empresa não tivesse apostado na diversificação dos negócios. Em vista dos desafios atuais a ampla diversificação da empresa está tendo um efeito estabilizador, o que ajuda a expandir os negócios existentes e a desenvolver novos negócios. Apesar da situação econômica desafiadora continuamos a investir em importantes áreas de crescimento”.

 

A companhia trabalha com a expectativa de que os próximos anos serão marcados por forte transição na indústria automotiva. Enquanto a indústria se articula para atender às demandas futuras, sejam elas em veículos com powertrain a combustão, elétrico ou híbrido, a projeção aponta para queda na produção global de veículos – e isso afetará não apenas a Bosch mas toda a cadeia de produção.

 

Este ano, segundo a empresa, haverá declínio de 2,6% na produção mundial, algo em torno de 89 milhões de veículos. São 10 milhões de unidades a menos do que foi produzido em 2017, ano apontado pela empresa como marco da retração nas linhas de montagem.

 

“A Bosch espera que esse nível permaneça constante nos próximos anos e não prevê nenhum aumento na produção automotiva global antes de 2025”, informou por meio de comunicado. Após 2025 acredita-se que a indústria estará mais consolidada e, principalmente, com pretensões mais aderentes à realidade futura.

 

No que toca à sua operação a Bosch pretende nos próximos cinco anos manter o investimento em novas áreas de negócio e em áreas de pesquisa e desenvolvimento como forma de manter-se respirando em época de batalhas comerciais de China com Estados Unidos e de Brexit. Neste ano está planejado aporte de 1 bilhão de euro em mobilidade eletrificada, por exemplo.

 

"Diante da contínua fraqueza econômica, o crescimento global desacelerará ainda mais", disse Stefan Asenkerschbaumer, vice-presidente financeiro da Bosch. "Em particular importantes indústrias essenciais, como a produção automotiva e de máquinas, deverão declinar.”

 

Menos é mais – Outra medida será buscar formas de enxugar a sua operação e reduzir o custo operacional. A empresa pretende adaptar suas estruturas de custos e força de trabalho às “dramáticas mudanças e excesso de capacidade do setor da maneira mais socialmente possível”.

 

Em todo o mundo, em 2019, o Grupo Bosch empregava 403 mil funcionários. O quadro foi reduzido em 6,8 mil postos de trabalho, o que representa retração de 1,7%, com as principais mudanças ocorrendo na China e na Alemanha.

 

Nesse sentido acordos com sindicatos estão em curso na Alemanha a respeito de redução do quadro de funcionários, disse o presidente Volkmar Denner: “Já alcançamos acordos sobre esse assunto com nossos parceiros sociais em unidades importantes como Bamberg, Schwieberdingen e Stuttgart-Feuerbach”.

 

Ainda que a Bosch sinalize para forte estruturação nos mercados avançados, como Europa e Ásia, a operação brasileira deveria passar à margem dos planos de redução de operação que espera aplicar no mundo desenvolvido. Isso porque, segundo pesquisa de mercado da Bosch, dois em cada três veículos registrados em 2030 ainda serão movidos a diesel ou gasolina, com ou sem uma opção híbrida. O cenário projetado indica, por exemplo, que ainda haverá espaço para os produtos e serviços que a empresa mantém em carteira já consolidada no mercado interno.

 

Resultados – No exercício de 2019, o Ebit – lucro antes dos juros e impostos – foi de cerca de 3 bilhões de euros, com a margem estimada em pouco menos de 4%. O resultado foi afetado, de novo, pela desaceleração da produção automotiva, principalmente nos principais mercados chineses e indianos, pela redução adicional na participação de motores diesel nos automóveis, pelos altos custos de reestruturação e pelo aumento dos investimentos iniciais em projetos de importância futura.

 

Na Europa os negócios da Bosch ficaram estáveis. A receita foi de 41 bilhões de euro em 2019, resultado considerado “em pé de igualdade com o ano anterior”. Na América do Norte as vendas cresceram 5,3%, para 13 bilhões de euros. Ajustado pelos efeitos da taxa de câmbio essa queda é de 0,5%. Na América do Sul as vendas subiram para 1,4 bilhões de euros, o que equivale a crescimento de 1,1%, ou 5,3% após o ajuste para efeitos da taxa de câmbio.

 

Na Ásia-Pacífico o desenvolvimento de negócios foi negativo em geral: as vendas caíram 3,1%, para 22,5 bilhões de euros, uma queda de 4,5% depois de se ajustar aos efeitos da taxa de câmbio.

 

Foto: Divulgação.