Negócio possível: Disal Consórcios à venda.

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Foto Jornalista Vicente Alessi, filho

Por Vicente Alessi, filho

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10/02/2020

São Paulo – A Assobrav, por meio do seu presidente recém-empossado, César Moura, confirmou, na sexta-feira, 7, ter recebido, em novembro, proposta de compra de seu maior ativo, as empresas que formam o Grupo Disal – particularmente a Disal Administradora de Consórcios. As outras são dedicadas à tecnologia da informação e à corretagem de seguros.

 

Depois de adotado todo o procedimento habitual, que envolveu a contratação dos serviços de escritório especializado, sigilos e contas abertas, contou Moura, “a proposta apresentada não fez nenhum associado piscar, pois foi muito aquém de qualquer expectativa. Mas decidimos refinar o processo de avaliação para saber, com mais exatidão, os valores mais corretos desses nossos negócios. E, como empresários que somos, estamos prontos para receber, e examinar, novas propostas”.

 

No começo de dezembro, quando AutoData ficou sabendo, por gente do mercado, da proposta de compra, o próprio mercado de empresas de consórcios já discutia suas consequências. De um lado seria um baque: uma empresa tradicional, respeitada, mudaria de mãos, provavelmente agregada a ente do mercado financeiro. De outro lado diziam que já se movimentavam, depois do susto inicial, potenciais interessados de olho, principalmente, na carteira ativa da Disal, nas operações em andamento. É negócio que envolve bom dinheiro. Dizem que o valor, hoje, já ultrapassa fácil o R$ 1 bilhão.

 

O que também se conta, sob sigilo, é que muitos meses atrás os donos da Disal, que são cerca de 180 concessionários, a maioria Volkswagen mas também Ford, Hyundai e Renault, e a própria Assobrav, entidade de representação dos revendedores Volkswagen, com 38% das cotas – hoje representada no ICA –, já saberiam que estavam diante de decisão cada vez mais inadiável: a Disal teria crescido demais ao longo dos anos para os seus próprios padrões de gerenciamento – tornou-se quase que ingovernável, alguém chegou a afirmar.

 

Mas provavelmente ninguém sairá infeliz do negócio se ele, afinal, existir e acontecer.

 

Mercado – Mas aquelas mesmas fontes do mercado não eram exatamente otimistas com relação a um eventual processo de venda, principalmente quando exposta a variável tempo: seria, acreditavam, uma venda demorada, pois o Grupo Disal, fundado em agosto de 1988, inclui, também, aquelas outras duas empresas.

 

Havia quem acreditasse que o melhor caminho, e o mais fácil, seria estabelecer negociação com a Volkswagen, por meio de seu Consórcio Nacional – aparentemente a VW não se interessou. E que o mais difícil seria ir à busca de comprador no mercado – num panorama que vê baixar os juros toda semana e que também acompanha o crescimento relativo da taxa de administração cobrada pelas empresas administradoras de consórcios, por volta de 14% a 20%, de acordo com o informado no site da empresa, um custo pago pelos seus clientes.

 

“Nessas circunstâncias”, observou uma fonte, “a compra de uma empresa desse porte, forte e exuberante, e de grande potencial, deixa de ser exatamente atrativa, pois o negócio consórcio é particularmente feliz em épocas de juros e de inflação mais altos.”

 

Independente dessa imaginada arquitetura de negociação – os atuais proprietários vendendo a totalidade de suas cotas – talvez tudo ficasse mais simples se apenas a Assobrav colocasse à venda os seus interesses. E talvez a entidade, um ente associativo, tivesse, naquele instante, mais este interesse do que seus associados concessionários: não pode ter fins lucrativos.

 

Havia uma outra hipótese, porém, na qual nenhuma fonte ouvida por AutoData acreditava: que os próprios sócios concessionários assumissem a participação da Assobrav no Grupo Disal.

 

De acordo com informações tornadas disponíveis pelo Banco Central a Disal Consórcios, em novembro de 2019, era a terceira empresa que mais vendeu cotas no País desde janeiro, 61 mil 103, depois do Bradesco, 330 mil 788, e do Banco do Brasil, 108 mil 674. Depois, pela ordem, aparecem Santander, Itaú, GMAC, Caixa Econômica Federal, Embracon, Ponta, CNVW e Sicredi. Depois dessas onze primeiras colocadas outras 105 administradoras somavam 184 mil 679 cotas. Total geral: 967 mil 936.

 

Novo presidente – O presidente César Fernando Álvares Moura, que tomou posse em janeiro com mandato até dezembro de 2021, é filho de um ex-presidente, Orlando Moura, que dirigiu a Assobrav em 1990/1991, e está inserido há pelo menos vinte anos nas atividades da entidade por meio do Programa Sucessores. Seu antecessor, Luiz Eduardo Guião, também é filho de um ex-presidente.

 

Moura disse que tornou-se presidente agitando a bandeira de mudanças, pois a tecnologia certamente dará outra feição ao negócio concessionárias de veículos: “E não é só isto: a mudança de cultura interna também é muito importante, e meu antecessor tomou algumas medidas neste sentido. Agora podemos pensar em estratégia e táticas”.

 

Ele acredita que exista uma espécie de desafio no ar, das locadoras de veículos para as montadoras, neste atual modelo de vendas diretas, no qual as concessionárias podem jogar papel importante, e lucrativo.

 

Foto: Divulgação.