Fenabrave pede reabertura imediata das lojas e linhas de crédito

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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04/05/2020

São Paulo – A Fenabrave mantém duas frentes prioritárias de negociação durante este período de restrição de mobilidade imposto por diversos estados e municípios, que resultou em queda de 76% nas vendas de abril, comparadas com as de igual mês de 2019. De um lado busca reabrir as concessionárias fechadas desde meados de março, na esperança de que retorne, mesmo que um pouco, o volume de vendas. De outro negocia linhas de crédito para capital de giro e a postergação de pagamento de tributos, para dar um suspiro ao fluxo de caixa das lojas, fortemente abaladas pela brutal redução de faturamento das últimas semanas.

 

“Sem vendas e sem liquidez os mais de 315 mil empregos gerados diretamente pelos concessionários estarão em risco”, afirmou o presidente Alarico Assumpção Júnior em nota divulgada à imprensa na segunda-feira, 4. “Mais de 30% das empresas do setor talvez não tenham fôlego para chegar ao final deste mês.”

 

A negociação com o governo para interceder junto aos bancos para que sejam liberadas linhas de financiamento com taxas de juros mais baixas – classificadas por Assumpção Júnior apenas como “razoáveis” – se arrasta desde o começo da quarentena, em meados de março. Montadoras, fornecedores, concessionários e demais empresas do setor anteviram a falta de liquidez, uma vez que a perspectiva clara era de freada brusca nas vendas, e buscaram os bancos – que retornaram com taxas consideradas altas, alegando que o risco crescera.

 

A reportagem da Agência AutoData apurou, também, com executivos da indústria que algumas garantias pedidas pelos bancos para liberar linhas de crédito são inalcançáveis no momento. As conversas travaram no fim da semana passada e o cenário começa a se agravar para as empresas, que precisam arcar com as folhas de pagamento no começo do mês.

 

Segundo Assumpção Júnior a Fenabrave se reúne semanalmente com uma equipe da Sepec, Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competividade, do Ministério da Economia, para debater o assunto. As empresas, de acordo com ele, dependem dessas linhas para que tenham condições de manter os negócios até a recuperação do mercado – o que, na avaliação da Fenabrave, demorará algum tempo, mesmo após o controle da pandemia.

 

Lojas já reabriram no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O governo federal incluiu a atividade do setor na lista de atividades essenciais – mas uma decisão do STF, Supremo Tribunal Federal, deu aos estados e municípios autonomia para decidir o que pode ficar aberto durante a crise sanitária: “Em Goiás, onde a quarentena foi flexibilizada, a queda foi menor. Na comparação de abril de 2020 com 2019 caiu 47,7% e no acumulado do ano 6,7%”.

 

O presidente da Fenabrave garantiu que as 7,3 mil concessionárias brasileiras estão prontas para reabrir, seguindo “rigorosamente todos os protocolos de saúde a cuidados sanitários preconizados pela OMS, Ministério da Saúde e demais autoridades sanitárias”:

 

“As concessionárias não são locais onde se provocam aglomerações. Outro argumento irrefutável refere-se à importância das atividades das concessionárias, que garantem a mobilidade e a manutenção de veículos que são primordiais nessa fase, já que transportam cargas e pessoas, por todo o País”.

 

Outra situação que, na avaliação da entidade, vem prejudicando as vendas é o fechamento de alguns Detran e cartórios: “Sem emplacamentos fica complicado concretizar vendas, ainda que remotamente. Pedimos que eles voltem a operar, assim como a disponiblidade efetiva do Renave [Registro Nacional de Veículos e Estoque], que se daria eletronicamente e, portanto, sem qualquer risco”.

 

Foto: Divulgação.