Caxias do Sul, RS – O transporte escolar será o principal responsável pelo incremento no nível de produção da indústria de chassis e carroçarias de ônibus no segundo semestre do ano. A expectativa é a de que sejam entregues em torno de 3 mil unidades de um total de 6 mil licitadas pela Caminho da Escola no ano passado.
Com isso a projeção é a de que o emplacamento total para o ano varie de 10 mil a 11 mil unidades, queda de 52% sobre a expectativa inicial de 23 mil unidades. Para os demais segmentos o cenário é de incerteza total, principalmente por não haver, ainda, visão clara sobre como se comportará a covid-19 nos próximos meses.
A avaliação foi feita na quarta-feira, 15, por Walter Barbosa, diretor comercial e de marketing do segmento ônibus da Mercedes-Benz, durante encontro virtual com a mídia especializada. Segundo ele a retomada já está em andamento, de forma gradual, mas sem uniformidade nos setores.
Barbosa indicou abril como o pior momento, quando o faturamento caiu para pouco mais de 10% do normal. Maio apresentou resultado pouco melhor e, em junho, o faturamento variou de 30% a 50%. Até este momento julho já opera com nível de 50%: “Acreditamos ser possível chegar ao fim do ano com 80%. Retorno ao patamar anterior à pandemia somente em 2021”.
A partir de dados da Anfavea, Barbosa registrou que o mercado nacional de chassis para ônibus caiu 40,8%, de 9 mil 511 unidades, no primeiro semestre de 2019, para 5 mil 626 no mesmo período deste ano: “Tínhamos uma expectativa positiva para o ano, que começou bem, alinhado com os bons resultados de 2019. Mas uma situação imprevisível desmontou completamente este cenário”.
Todos os segmentos tiveram variações negativas. Micros, 52%, escolar, 56%, urbanos, 33%, fretamento, 20%, e rodoviários, 28%. De acordo com o executivo o mercado de fretamento foi o menos prejudicado pois houve, em função das medidas de isolamento, redução no número de passageiros transportados por ônibus, o que exigiu maior uso da frota. Nos últimos dois meses em torno de 150 unidades foram vendidas para atendimento deste tipo de transporte em várias regiões do País: “Os empresários compraram carros novos, locaram e usaram também os que estavam parados".
Mas Barbosa entende que esta situação é pontual e deve mudar em setembro, outubro, quando a pandemia já estiver mais controlada.
A maior preocupação do executivo é com o segmento de urbanos, que teve recuo de quase 1,3 mil emplacamentos no semestre. Barbosa lembrou que esta atividade já vinha apresentando problemas anteriores à pandemia, com perdas anuais médias de 8% a 10% no número de passageiros transportados. Com as medidas de isolamento o recuo chegou a 75% em parte das grandes cidades. Mesmo assim, dependendo dos contratos firmados, as prefeituras exigem que a frota em circulação seja mantida de 50% a 90%: “É uma situação difícil de equilibrar, que terá de ser discutida para garantir a sobrevivência da operação”.
Quanto aos rodoviários o executivo acredita em normalização natural, com o retorno dos passageiros assim que a pandemia estabilizar. Mas destaca que o setor perdeu quase 90% do movimento. A situação é menos complicada do que no segmento urbano pelo fato de não haver a obrigatoriedade da circulação normal.
O volume de vendas da Mercedes-Benz também sofreu impacto no semestre, mas em índice inferior aos totais, o que fez a companhia ganhar pontos de participação. De acordo com Barbosa a marca emplacou 3 mil 165 unidades, recuo de 37% sobre as 4 mil 948 do primeiro semestre de 2019.
A empresa fechou com participação de 56,3% contra 52,5% na mesma base de comparação. O executivo citou o desenvolvimento de nova motorização, já disponível no mercado, e antecipou que haverá novidades.
Barbosa será um dos participantes do Workshop AutoData Perspectivas Ônibus, que será realizado de forma virtual na segunda-feira, 27 de julho. Para se inscrever clique aqui.
Foto: Divulgação.