São Paulo — O poder de compra do consumidor brasileiro que busca um automóvel recuou nos últimos quatro anos. Usando como exemplo o público que pretendia investir R$ 55 mil em 2018 era possível adquirir um seminovo com dois anos, que tinha preço médio de R$ 53,5 mil. Mas, em 2021, esse valor reajustado só permitiu a compra de um modelo com cinco anos de uso.
As informações foram divulgadas pela OLX, que utilizou como base para seu estudo todos os veículos seminovos disponíveis em sua plataforma. A quantidade de veículos cadastrados não foi divulgado pela empresa. Segundo a OLX, em 2019 os mesmos R$ 55 mil não seriam suficientes para adquirir um automóvel com as mesmas características, considerando os reajustes do salário mínimo ou da inflação, pelo IPCA.
Em 2019 um carro seminovo com dois anos de uso tinha preço médio de R$ 59,7 mil na OLX, contra R$ 53,5 mil em 2018. Ajustando os R$ 55 mil pelo salário mínimo ou pelo IPCA, R$ 57,9 mil e R$ 58,5 mil respectivamente, o consumidor teve que olhar para veículos com três anos de uso e preço médio de R$ 49,9 mil.
Em 2020 o cenário melhorou porque se manteve a possibilidade de comprar um carro de três anos com o mesmo investimento de 2018. Os preços reajustados dois anos depois saem de R$ 55 mil para R$ 60,6 mil, considerando o salário mínimo, e R$ 60,3 mil pelo IPCA, enquanto o preço médio de um seminovo de três anos chegou a R$ 59,1 mil.
Em 2021, após quase dois anos de pandemia e uma forte crise na cadeia de fornecimento do setor automotivo, principalmente na entrega de componentes eletrônicos, os preços voltaram a subir deteriorando o poder de compra dos consumidores. O investimento inicial reajustado permite agora a aquisição de um automóvel similar com cinco anos de uso.
A correção pelo salário mínimo elevou o valor de investimento para R$ 63,4 mil e para R$ 66,5 mil pelo IPCA, montante pouco acima da média pedida pelos veículos 2017 na plataforma. Um seminovo com dois anos chegou a custar R$ 79,6 mil.
Danilo Igliori, vice-presidente e economista chefe da OLX no País, disse, a respeito do aumento no preço médio dos veículos seminovos, que, "com a escassez de veículos novos nas lojas e a pressão sobre a renda, houve uma migração do consumidor para o mercado de seminovos. A demanda maior acabou gerando elevação nos preços médios e falta de carros nesta categoria. Com isso os consumidores passaram a buscar automóveis mais antigos, provocando um efeito cascata".
Segundo ele enquanto o indústria seguir com problemas para produzir e atender à demanda por carros novos, o mercado de seminovos e usados "permanecerá aquecido".
O que alimenta o mercado de seminovos é a venda de veículo zero quilômetro e, mesmo com todas as dificuldades causadas pela pandemia, houve aumento no estoque dos principais vendedores que operam na plataforma OLX, com o volume disponível para comercialização saindo de 1,6 milhão no primeiro trimestre do ano passado para 2 milhões no último trimestre.
O volume de anúncios na plataforma cresceu 24% em 2021 ante 2020, chegando a 9,1 milhões. As vendas somaram 1,8 milhão de unidades.
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