Empresa também busca estreitar laços com empresas para estimular a demanda
São Paulo — Após dar o primeiro passo, ao inaugurar o seu primeiro eletroposto no Brasil, o Shell Recharge, na segunda-feira, 13, no bairro do Limão, na Capital paulista, a Raízen anunciou plano de instalar, ao todo, 35 pontos de recarga de bateria até o fim do ano em São Paulo. Não divulgou o investimento.
O mapa da eletrificação da companhia prevê passar pela cidade e pelas rodovias que a interligam, como a avenida marginal dos rio Pinheiros, e as vias Ayrton Senna, Bandeirantes, Dutra e Regis Bittencourt. No Grande ABC haverá um em São Bernardo do Campo, SP. Nas próximas semanas deverá ser anunciado o segundo eletroposto.
O diretor de soluções de energia e renováveis da empresa, Rafael Rebello, contou que o momento é de identificar a infraestrutura desses pontos, acertar pormenores finais de contrato e realizar a integração deles com o aplicativo.
“Entendemos que o consumidor que faz viagens de 200 quilômetros a 400 quilômetros talvez seja o que mais necessita de um ponto de suporte hoje. Dessa maneira não somente vamos cobrir a Capital de forma radial, nos principais pontos, como nas principais saídas e chegadas da cidade, a fim de proporcionar mais confiança ao condutor do carro elétrico para atingir seu destino final.”
Em 2030 5,5% da frota brasileira serão elétricos, afirmou Rebello. Ele disse que, embora pareça algo pequeno do ponto de vista de volume de veículos, trata-se de algo significativo no movimento rumo à descarbonização. Dados da Anfavea mostram que, de janeiro a maio, 2,4% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves foram de veículos eletrificados, porcentual que alcança 0,9% de representatividade nos pesados. Os 11 mil 934 veículos comercializados no período superam todo o resultado de 2019.
Segundo a ABVE a frota brasileira de eletrificados soma 93 mil 496 veículos, que passará dos 100 mil até o fim de julho. Rebello acredita que até dezembro haverá acréscimo de 10 mil veículos com novas tecnologias de propulsão. Essa velocidade, para ele, será empurrada tanto pelas empresas como pelo consumidor.
“Entramos com oferta de infraestrutura, de aplicativo e de energia renovável. E é fundamental ter ao nosso lado empresas que também buscam pela transição energética, como a 99 Táxi, DHL, Audi, Porsche, que são muito relevantes nessa jornada.”
O executivo disse que conversa-se com outras montadoras, como Stellantis, Renault, locadoras e empresas de logística. Com a Volkswagen a parceria é ainda mais ampla, pois contemplará ainda o fornecimento de biometano para abastecer linhas de produção, de energia renovável para as concessionárias e o desenvolvimento de fórmulas de etanol a serem testadas em seus veículos, cuja frota é abastecida somente com etanol. O eletroposto de São Bernardo, a propósito, ficará próximo à planta Anchieta.
Rebello contou que a companhia dispõe de soluções complementares, como o serviço instalado dentro dos depósitos, a exemplo do que atende a Ambev em Campo Grande, MS, mas segundo ele, dependendo do veículo e de sua roteirização, é possível suprir a necessidade de abastecimento ao longo das rotas.
Está sendo costurado acordo com uma prestadora de serviços do ramo de telecomunicações que pretende ampliar sua frota elétrica: “Ela já eletrificou uma parte e sua maior dificuldade é ter pontos de abastecimento nas rotas dos veículos. É aí que vamos entrar”.
Primeiro eletroposto da marca no País, Shell Recharge de 50 kW foi inaugurado na segunda-feira, 13, no bairro do Limão, em São Paulo. Crédito: Divulgação
A quem se destina – O terminal Shell Recharge abastece tanto veículos B2B de pequeno porte, como VUCs e caminhões de pequeno porte de até 15 toneladas, como B2C.
Os carregadores que ainda serão instalados terão também capacidade de 150 kW de potência, o que reduzirá o tempo gasto para recompor 80% da bateria, de 30 a 40 minutos no caso do carregador de 50 kW para de 7 A 15 minutos.
“Optamos por colocar dentro da cidade o de 50 kW porque muitas vezes o motorista busca apenas complementar sua carga. Já na estrada muitas vezes necessita completar a carga, como se fosse encher o tanque, e é onde instalaremos carregadores mais potentes. E tem ainda a questão de infraestrutura, da rede de energia. Um posto como o que inauguramos hoje, de baixa tensão, não está preparado para receber equipamento de 150 kW. Na estrada geralmente há maior infraestrutura.”
A prioridade, entretanto, assegurou o diretor, será instalar carregadores de 150 kW.