São Paulo – O mercado colombiano de veículos vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que o país incentiva a eletrificação e, neste ano, é o maior comprador de modelos 100% elétricos na América Latina e o terceiro maior em híbridos, sua frota está envelhecendo. A idade média é superior a 17 anos porque as vendas de carros novos está estagnada e não há estímulos à troca de usados pelos 0 KM.
Esta situação foi exposta por Oliveiro Enrique Garcia Basurto, presidente da Andemos, Associação Nacional de Mobilidade Sustentável, que representa importadores e fabricantes de veículos instalados na Colômbia, em sua apresentação na quinta-feira, 18, no 4º Congresso Latino-Americano de Negócios da Indústria Automotiva, evento on-line promovido por AutoData de 15 a 19 de agosto.
Segundo demonstrou Basurto apesar de ser o quinto maior mercado da América Latina a Colômbia tem baixo índice de motorização, de 126,5 veículos para cada 1 mil habitantes. Em 2021 a relação de 4,9 emplacamentos de modelos 0 KM por 1 mil habitantes foi a segunda mais baixa da região, só acima do Paraguai e muito distante da taxa do Brasil com 9,9/1 mil, Uruguai com 14,8 e Chile com 21,6.
“Para um país de 50 milhões de habitantes temos um mercado de veículos novos muito pequeno, estabilizado há anos na faixa de 250 mil unidades/ano. Existe potencial para chegar ao menos a 450 mil se houver políticas de estímulo à renovação da frota. O Chile tem menos da metade da população [19 milhões] e quase o dobro das vendas [415 mil veículos em 2021]”, compara Basurto. “Isso ocorre porque na Colômbia não há incentivo para renovação de frota, o imposto de posse [equivalente ao IPVA brasileiro] cai a cada ano e é menor quanto mais velho fica o carro.”
A Colômbia contabiliza frota de 6,6 milhões de veículos e de 10,2 milhões de motos em circulação. A estimativa da Andemos para 2022 é de 270 mil vendas de automóveis, utilitários, caminhões e ônibus novos, em pequeno crescimento de 7,8% sobre 2021. O mercado de motos é bem mais pujante, deve alcançar 900 mil unidades, em expansão de 21% ante o ano anterior.
Estímulo aos elétricos – Ao contrário do que acontece no estagnado mercado geral as vendas de veículos eletrificados na Colômbia estão acelerando mais rápido do que em qualquer outro país latino-americano. Segundo a Andemos no primeiro semestre foram emplacados 1,8 mil modelos 100% elétricos, em crescimento de 256% sobre 2021, fazendo do mercado colombiano o maior de toda a América Latina para BEVs, Battery Electric Vehicles.
A estes se somam 1,3 mil híbridos plug-in e 5,7 mil híbridos fechados, também com expressivo crescimento de 89% e 87%, respectivamente, em comparação com 2021, colocando a Colômbia como terceiro maior mercado de eletrificados na América Latina.
Em 2021, segundo estatísticas da Andemos, os emplacamentos de elétricos e híbridos na Colômbia totalizaram 17,7 mil unidades e representaram 7% do mercado, porcentual que deve quase dobrar para 13% este ano com a projeção de vendas de 35,1 mil veículos eletrificados, um salto de 98% sobre o ano passado.
Basurto contou que a Colômbia adotou diversos incentivos aos elétricos nos últimos anos. A carga tributária de um BEV chega a ser 14 pontos porcentuais mais baixa comparada à cobrada por um modelo com motor a combustão. A alíquota de importação foi zerada para veículos 100% elétricos, sem limitação de volumes, e para híbridos foi reduzida a 5% limitada a uma cota máxima de 2,3 mil unidades este ano e 3 mil em 2023 – este número que seguirá subindo até 2027.
Boa parte do impulso à frota de elétricos virá do mercado de ônibus, pois o país estabeleceu meta de eletrificar no mínimo 10% da frota até 2025 e 100% em 2035: “As licitações de compra feitas desde 2019 já preveem isso e este ano já deveremos ter 1,6 mil ônibus elétricos em circulação. Deverá ser a maior frota depois da China.”
Comércio bilateral – Ainda é baixa a penetração na Colômbia de veículos produzidos no Mercosul, pois o acordo de livre comércio do bloco com o país estabelece cota máxima, sem cobrança de imposto, de 50 mil carros vindos do Brasil, não incluindo veículos pesados, e 42 mil importados da Argentina, sendo 30 mil automóveis e 12 mil caminhões e ônibus.
Para aumentar esse fluxo comercial, na avaliação de Basurto, seria necessário que os dois fabricantes instalados na Colômbia, General Motors e Renault, também pudessem exportar mais de lá ao Brasil e à Argentina. Outra possibilidade seria o aumento de importações pelos dois países de outros produtos colombianos, para equilibrar melhor a balança comercial do país.
Nesse sentido o Mercosul concorre com muitos outros países e blocos com os quais a Colômbia já mantém acordos de livre comércio ou de preferência aduaneira, como Europa, Coreia, Japão e China.