São Paulo — A maior edição da Fenatran já realizada em todos os tempos deverá gerar R$ 9 bilhões em negócios, valor que serve de termômetro para medir o aquecimento do mercado de veículos comerciais de carga no País e de seus setores agregados. A estimativa é da RX, empresa organizadora do evento que será realizado de 7 a 11 de novembro no São Paulo Expo, reunindo em 100 mil m2 de exposição mais de quinhentas marcas de fabricantes de caminhões, implementos e outros fornecedores de componentes e serviços ligados ao setor de transporte de carga.
A última edição do evento bienal aconteceu em 2019 e por causa do agravamento da pandemia de covid-19 a feira de 2021 foi transferida para este ano. Com isso a Fenatran volta a ser realizada com mais força, 20% maior do que foi há três anos, com expectativa de fechar negócios na escala dos bilhões e atrair 65 mil visitantes do Brasil e de vários países da América Latina.
Na apresentação prévia do evento realizada na terça-feira, 23, na sede da NTC&Logística, Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, em São Paulo, Ana Paula Pinto, gerente da RX responsável pela organização da Fenatran, informou que após o intervalo de três anos as expectativas cresceram e todos os espaços da feira deste ano foram reservados: “A Fenatran é a maior feira do setor de transportes da América Latina e a segunda maior em valores de negócios fechados”.
Pelos expositores todo o espaço do São Paulo Expo será ocupado por oito fabricantes de caminhões e veículos leves de carga, além de cerca de cinquenta fabricantes de implementos rodoviários. De acordo com José Carlos Spricigo, presidente da Anfir, entidade que reúne as empresas fabricantes de carretas e de carrocerias de carga, “queremos participar ativamente deste bolo de R$ 9 bilhões”.
Novidades – Todas as maiores fabricantes de caminhões instaladas no País estarão no SP Expo em novembro para mostrar suas novidades, incluindo DAF, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Volvo e Volkswagen. Além destes a Fenatran deste ano marcará a volta ao evento da Ford, desta vez para mostrar os furgões Transit montados no Uruguai, e também da chinesa JAC, que trará seu portfólio de nove veículos comerciais 100% elétricos, incluindo furgões e caminhões para entregas urbanas.
No evento de apresentação da Fenatran representantes de seis fabricantes de caminhões falaram sobre as expectativas e novidades que deverão trazer à feira. Não será um salão dominado por veículos elétricos, mas quase todas as montadoras pretendem mostrar alternativas elétricas de seu portfólio, como a Volkswagen Caminhões e Ônibus com o seu e-Delivery que frequenta o evento desde 2017 e já está em circulação pelas ruas de São Paulo.
Caminhões a gás também devem estar na mostra como alternativa de descarbonização do transporte – e não só no estande da Scania, que aposta na alternativa desde a última edição da Fenatran e já vende veículos com esta tecnologia. Fabricantes como a Iveco também estão prestes a introduzir modelos a gás no portfólio nacional.
Mas o que de fato estará em 100% dos estandes são as novas linhas de caminhões com motorização diesel Euro 6, que atendem à nova fase da legislação brasileira de emissões para veículos pesados, o Proconve P8, que entra em vigor a partir de janeiro de 2023.
Expectativas – Para Wagner Tillmann, gerente de vendas da Iveco, a intenção é “entregar a solução certa de descarbonização, com a mesma eficiência do diesel, o que inclui portfólio com alternativas a gás e elétricos, mas também significa oferecer motores Euro 6 com menor consumo de combustível”.
Dentre as novidades a Iveco deverá apresentar a linha renovada de caminhões médios e semipesados Tector: “Chegamos ao evento para consolidar dois anos de crescimento exponencial. Queremos aproveitar este bom momento na Fenatran, na qual trabalhamos uma semana para colher meses de resultados. É uma oportunidade única de atender clientes de muitas regiões ao mesmo tempo em um só lugar”.
“É preciso lembrar que motores Euro 6 com redução de consumo de diesel também são uma alternativa importante de descarbonização”, indicou Marcos Andrade, gerente sênior de marketing de produto e estratégia da divisão de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. “Aproveitaremos o bom momento do mercado para apresentar nossa linha Euro 6 aos clientes e ouvir o que eles têm a dizer.”
Como bem lembrou Clóvis Lopes, gerente nacional de vendas de caminhões Volvo, “a Fenatran sempre foi um momento importante de vendas e para mostrar todas as tecnologias mais atuais. Este ano queremos aproveitar para acelerar a produção. O pior já passou e conseguimos passar de forma bastante satisfatória pela falta de semicondutores, o que causou algumas interrupções na fábrica, mas não paramos nenhum dia”.
A Scania pretende fazer o mesmo, aproveitando para tirar pedidos após superar os momentos de maior instabilidade no fornecimento de chips e outros componentes, afirmou Márcio Furlan. gerente de marketing e comunicação: “Já estamos produzindo a quase 100% para atender toda a demanda que esperamos ter”.
“A falta de componentes não está resolvida, mas está equacionada”, observou Gabriel Fernandes, diretor de vendas da DAF. “Não devemos ter falta de produtos para entregar e na Fenatran esperamos consolidar mais uma etapa nosso crescimento ano após ano, que vem acontecendo desde nossa primeira apresentação no evento, ainda em 2011.”
Para Sérgio Pugliese, diretor de vendas de caminhões Volkswagen, “esta Fenatran é diferente porque antecede a mudança de tecnologia para o Euro 6, mas a pré-compra de veículos que isso provoca [para escapar do aumento de preços] não aconteceu este ano porque a falta de componentes não permitiu a formação de estoques”.
Esse fator poderá induzir mais negócios com a nova linha de veículos Euro 6, pois haverá poucos modelos Euro 5 em estoque.
Pugliese avaliou que “o ano eleitoral e a mudança de tecnologia são fatores que deixam os investidores retraídos, mas o setor de transportes é pujante no País e, por isto, somos otimistas com os resultados deste ano e do próximo, pois a Fenatran é como uma tocha olímpica que fica acesa por alguns meses adiante”.