São Paulo – Começou na quinta-feira, 1º, a décima-sétima edição do Veículo Elétrico Latino-Americano, o Salão de Mobilidade Elétrica, que vai até sábado, 3. É uma oportunidade para conhecer – e testar – o que há de mais moderno quando o assunto é eletromobilidade. A tônica dos debates promovidos pelo C-Move, Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos, contudo, realizado em paralelo, girou em torno da hibridização como porta de entrada à tecnologia 100% elétrica.
Veículos eletrificados já são uma realidade, com frota de cerca de 100 mil unidades no País. De janeiro a julho foram emplacados 23,5 mil automóveis e comerciais leves com tecnologias eletrificadas, sendo 19,7 mil híbridos e 3,8 mil elétricos.
Diante dos números executivos das montadoras e da própria ABVE, Associação Brasileira de Veículos Elétricos, reconhecem que o caminho para popularizar o conceito e o uso, e consequentemente reduzir emissões, passa pelo híbrido, mais acessível à população.
Antônio Calcagnotto, presidente interino da ABVE, assinalou que os biocombustíveis serão fundamentais para gerar energia limpa e que a sugestão é não matar alternativas e focar no elétrico de uma vez: “Os biocombustíveis podem ser a porta de entrada para a eletrificação”.
A Toyota, por exemplo, que aposta fortemente nos híbridos, é pioneira na tecnologia de unir etanol e eletrificação, ao oferecê-la nos seus Corolla, desde 2019, e Corolla Cross, desde 2021, ambos fabricados no Brasil.
Segundo Thiago Sugahara, gerente de assuntos governamentais da Toyota, o motor híbrido flex faz com que esses carros sejam um dos mais limpos do mundo. Até 2025, ele afirmou, todos os modelos da marca terão pelo menos uma versão eletrificada:
“Os clientes têm demandado cada vez mais veículos híbridos. E não só os brasileiros. Hoje 30% da produção de Sorocaba é exportada. Se antes das novas tecnologias vendíamos para quatro países, hoje vendemos para 22”.
É consenso que um dos pontos que mais atemoriza o consumidor na hora de apostar no elétrico – além do seu alto custo, que concentra seu acesso à população de alta renda –, é a ausência de infraestrutura para recarregar a bateria, embora muitas empresas estejam investindo em eletropostos.
E isso não é exclusividade brasileira. Rodrigo Anjel, da Andemos, disse que na Colômbia para que haja o avanço da eletrificação falta melhorar a capacidade de instalar carregadores domésticos. “Algumas residências têm restrições quanto a isso. E precisaremos de mais carregadores elétricos. Mas mudanças geram desafios. E precisamos encará-los.”
A Volvo, por exemplo, possui cerca de 1 mil eletropostos de carga rápida instalados em pontos como shopping centers e postos de combustível e, até o fim de outubro, outros treze serão abertos, contou Luís Rezende, presidente da Volvo Cars: “Trata-se de uma área de trabalho que, em tese, não deveria ser de responsabilidade nossa. Mas também entendo que não teria de ser só do governo”.
A política da Volvo é a de se descarbonizar até 2040. E, até 2050, vender somente veículos 100% elétricos: “Precisamos correr com isso no Brasil também, se não o País corre o risco de sair do mapa da montadora. Apostamos em uma tecnologia global, e o que temos no Brasil é o que há na Noruega também. Entendemos que não adianta nada a tecnologia estar globalizada: a sociedade é que vai decidir com qual delas se locomoverá”.
Rezende contou que, hoje, o cliente chega pelo híbrido, que mesmo no segmento de luxo é uma porta de entrada para a eletrificação: “Ainda que haja movimento de inflação global os clientes seguem vendo vantagem na adoção da tecnologia. E 90% dos que optam pelos híbridos não voltaram para o veículo a combustão. É um caminho sem volta”.
Caminhos ecléticos – A coordenadora geral de Implementação e Fiscalização de Regimes Automotivos do Ministério da Economia, Margarete Gandini, assinalou que o objetivo é fomentar a adoção de tecnologias cada vez mais limpas e não focar em uma modalidade:
“O foco é promover a descarbonização de forma eclética. A trajetória usada será uma decisão da sociedade. Desde o Inovar Auto o governo estimula a redução de emissões. Em 2014 e 2015 reduziu o imposto de importação sobre o elétrico e facilitou a entrada de autopeças para esse tipo de veículo. E o Rota 2030 estimula o desenvolvimento de pesquisas que tenham mais eficiência energética”.
Embora não haja política especial para elétricos da parte do governo Gandini admitiu que há grupos de trabalho para debater formas distintas de tributação para estimular o setor: “Faremos reunião com as montadoras para falar sobre as melhores formas de agir”.
Ela não acredita que o País ficará aquém em relação a outros mercados, e citou que o segmento de ônibus, por exemplo, está caminhando a passos largos na eletrificação, com a produção local sendo adotada por mais empresas.
“Não creio no conceito de que a indústria ficará atrasada, pois ela evoluiu muito nos últimos anos. Em uma década tivemos avanços significativos em segurança e eficiência energética. Nossa engenharia em nada deve a outros países”.