São Paulo – A indústria de veículos comerciais pesados olha com atenção para o desempenho do setor no decorrer do ano. Perto do fechamento do primeiro trimestre as vendas, de caminhões em alta de 10,5% e de ônibus de 86,2% em janeiro e fevereiro na comparação com os dois primeiros meses de 2022, foram puxadas ainda pelo estoque e emplacamentos de modelos com a tecnologia Euro 5. A produção, por sua vez, recuou 41,6% em caminhões e 37,3% em ônibus no período. O tema foi debatido foi por Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Christopher Podgorski, presidente da Scania Latin América, e Márcio Querichelli, presidente da Iveco, na terça-feira, 21, segundo dia do Seminário Megatendências 2023 – O Novo Brasil, organizado pela AutoData Editora.
Cortes, da VW Caminhões e Ônibus, tradicionalmente otimista com relação às vendas e o desempenho da economia brasileira, disse que o momento atual é repleto de desafios por causa de alguns fatores: “Novo governo, instabilidade política causada pelos atos do 8 de Janeiro, instabilidade no mercado financeiro, juros altos, falta de crédito disponível. Tudo isso se soma à projeção de crescimento moderado do PIB em 2023 e torna o momento complicado”.
O executivo destacou que o grosso das vendas do primeiro trimestre foi de modelos Euro 5, que ainda podem ser licenciados até o fim de março. Já a produção sofreu queda importante, reflexo da nova tecnologia dos motores Euro 6, que elevou o preço dos veículos.
Querichelli, da Iveco, também considera o cenário desafiador: “Ainda estamos otimistas, mas com preocupação triplicada para os próximos meses. Cenário político e econômico precisa melhorar um pouco para que o setor ganhe força”.
O presidente da Iveco lembrou que as montadoras se prepararam para o impacto da chegada do Euro 6: já era esperado e tinha como base a mudança do Euro 3 para o Euro 5. Só que agora o cenário traz outros desafios além da mudança na motorização.
Para Podgorski, da Scania, a demanda base está presente no mercado, que a partir de abril terá 309 milhões de toneladas de grãos para transportar, que demandarão expansão ou renovação de frota dos transportadores, pois muitos estão com seus veículos envelhecidos, faltando um pequeno impulso para o setor voltar a operar próximo da sua normalidade. Mas ele reconhece as dificuldades do cenário atual:
“Produzimos os caminhões globais da Scania e os nossos veículos estão homologados em trinta países, o que nos ajuda a desafogar nossa produção local, mas o cenário pode mudar e podemos ter dificuldades no futuro. Por isto o mercado local precisa retomar também. Se não fosse o acordo bilateral com o México, hoje, a situação da nossa produção em São Bernardo do Campo seria muito pior”.