São Paulo – Não será por falta de opção ou de área para plantação que os biocombustíveis deixarão de avançar como alternativa energética. Enquanto se debate, dentro de escritórios e salas de reuniões governamentais, a viabilidade econômica da sua aplicação, pesquisadores brasileiros avançam em novas frentes, encontrando novas fontes de produção de biomassa.
O professor e líder do laboratório de genômica e bioenergia da Unicamp, Gonçalo Pereira, apresentou algumas dessas inovações em sua palestra no Seminário Brasil Eletrificação e Descarbonização, organizado por AutoData na terça-feira, 21. Afora o já conhecido agave, a planta de onde vem a tequila e que é objeto do projeto Brave, encabeçado pelo professor, outras estão em estudo, como o dendezeiro – já conhecido por produzir o tradicional óleo de dendê.
Pereira tenta colaborar para resolver o que considera as três crises que o planeta enfrenta em decorrência da necessidade de se produzir cada vez mais energia: a climática, a ambiental e a de desigualdade social. Produzindo biomassa a partir de plantas, em ciclo renovável, resolve-se as três, porque algumas dessas possíveis futuras fontes de energia estão em regiões pobres, o que colabora para geração de emprego e renda nessas áreas.
“A biomassa é uma bateria, recarregada pelo Sol por meio da conversão de CO2 e H2O em glicose, via fotossíntese”, afirmou o professor, fazendo uma alusão ao principal símbolo da eletrificação. “Com tecnologia conseguimos converter essa bateria sólida em baterias líquidas e gasosas, como o etanol e o biometano, e esses podem ser usados para gerar as energias da mobilidade, tanto de forma solo como a partir da combinação com motores elétricos, gerando o que há de mais eficiente no planeta: os motores híbridos movidos a biocombustível.”
Para veículos pesados, continua o professor, a solução também está na mesa, é renovável e colabora para a captura de CO2 da atmosfera: o biometano: “O biometano pode ser produzido a partir de qualquer resíduo. Já temos ciência suficiente para produzir biogás em alta escala e potencial para entregar volume equivalente ao que sai de gasodutos que vêm da Bolívia”.
Sugestão para usar mais etanol
De nada adianta este leque de soluções se na hora de encher o tanque na bomba do posto de combustível o consumidor optar pela gasolina, que tem apenas 30% de etanol em sua mistura. Pereira afirmou que, com as CBIOs, uma solução seria premiar o motorista que utilizar biocombustível.
“Podemos criar um aplicativo que rende CBIOs, que pode ser transformado em bônus mais à frente, como se fosse um jogo.”
E brincou, após criticar as casas de apostas online que vêm se proliferando pelo País sem geração de riqueza e prejudicando a renda de muitas famílias: “Vamos criar a Renovabet, deixar os nossos instintos trabalharem para o bem, para a valorização e liquidez da moeda de carbono, o que puxa toda a indústria”.