SUV, que deixará de ser produzido até o fim do ano, está disponível por R$ 280 mil
Indaiatuba, SP – Há poucas semanas a CEO global da General Motors, Mary Barra, anunciou que os modelos 100% elétricos Chevrolet Bolt EV e Bolt EUV deixarão de ser produzidos até o fim do ano nos Estados Unidos. Pois após este anúncio chegaram às oitenta lojas da rede Chevrolet que vendem os elétricos no Brasil duzentas unidades do Bolt EUV, o utilitário esportivo da gama, que está à disposição do consumidor que desembolsar R$ 279 mil 990. E por que a GM resolveu lançar, no mercado brasileiro, um carro que tem seu fim de produção decretada nos Estados Unidos?, deve estar se perguntando o caro leitor. O presidente Santiago Chamorro deu a sua resposta: fidelização.
Ele fez uma comparação com os smartphones: disse ter adquirido no passado, a poucos dias do lançamento da segunda geração, um aparelho da primeira geração, mesmo sabendo da transição: “E desde então só compro desta marca. Tornei-me um cliente fiel”.
Chamorro acredita que o mesmo poderá acontecer com o cliente do Bolt EUV: “Quem compra um elétrico não pensa em voltar a comprar um modelo a combustão. E não é um palpite, pois conseguimos medir isto em pesquisas. Pesquisas que indicam que 82% dos consumidores brasileiros que pretendem comprar um carro consideram um modelo elétrico”.
Santiago Chamorro
E, apesar do discurso alinhado com a sua matriz de que o 100% elétrico é o futuro, sem alternativa como híbrido flex na transição nem mesmo nos países ao Sul do Equador, que têm menor poder aquisitivo, a Chevrolet ainda está devendo ao consumidor opções elétricas.
Em 2019 a companhia comercializou por aqui uma versão anterior do Bolt EV. Foram em torno de 250 unidades licenciadas, segundo levantamento que a Agência AutoData fez nos relatórios de emplacamentos da Fenabrave. Em 2022 foram vendidos apenas dez Bolt EV. Neste ano, até abril, 22 unidades.
As duzentas disponíveis ao consumidor do Bolt EUV podem ajudar a fisgar algum cliente que, hoje, busca alternativas em outras marcas. Resta saber se ele estará disposto a investir em um automóvel que, mesmo sendo novidade local, já teve o seu fim decretado.
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O salto da GM nos elétricos no Brasil deverá se iniciar com os próximos lançamentos, já montados sobre a moderna plataforma Ultium. Modular, permite construir sobre a mesma base uma picape Hummer e um SUV do porte do Equinox. Estreará no mercado nacional com o Blazer EV, que atrasou e ficará para 2024 – nos Estados Unidos deverá ser lançada nos próximos meses.
A reportagem viu um protótipo do modelo no laboratório de testes de ruídos do Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba, SP. O porte do veículo é grande, acima até dos SUVs da categoria D. Pormenores técnicos não foram divulgados, mas a Ultium permite até três motores elétricos para tracionar o veículo.
Há alguns Blazer rodando nas instalações de Indaiatuba, que integra a rede global de desenvolvimento de elétricos da GM. As adaptações para o mercado nacional estão sendo feitas e testadas lá.
Depois do Blazer chegará o Equinox, que Chamorro disse ser o modelo de entrada da linha elétrica. Para ele é fundamental manter o imposto de importação zerado para estes tipos de modelos: “Precisamos que a tecnologia seja melhor apresentada ao consumidor, gerar uma pequena frota e depois pensar em industrializar”.
Mas o presidente da GM América do Sul admite que alguma correção possa ser feita pelo governo ainda este ano: “É possível que o imposto seja recomposto de forma parcial, mas nossos planos não mudam”.