Araçariguama, SP – A chinesa XCMG, que produz máquinas da linha amarela no Brasil, em Pouso Alegre, MG, e já investiu mais de US$ 500 milhões no País, lançou o caminhão E7-49T 6×4, primeiro cavalo-mecânico elétrico vendido no País. O veículo será importado da China, inicialmente, mas a empresa possui plano de nacionalização para os próximos dois anos.
“A produção local depende da cadeia de fornecimento. As baterias, por exemplo, hoje não seria possível as ter localmente, mas a parte de chassi e cabine sim, pois o Brasil tem indústria instalada”, disse o vice-presidente Tian Dong. “Já temos conversas com alguns fornecedores mas a questão de volume ainda dificulta o avanço, porque a cadeia também olha para esse ponto.”
Para iniciar as vendas a XCMG importou duzentas unidades que já estão à venda nas sua 45 concessionárias, com expectativa de comercializar todos os veículos até dezembro. Para os próximos anos a empresa também possui plano de construir um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil.
Com o E7-49T a XCMG busca empresas que tenham operações dedicadas de transporte da fábrica para um centro logístico próximo, pois o caminhão possui apenas 150 quilômetros de autonomia quando está 100% carregado com as 49 toneladas de PBT. Desta forma o veículo conseguiria fazer uma viagem de 75 quilômetros de ida e 75 quilômetros de volta com apenas uma carga, sendo que no carregador rápido de 360 kW obtém 100% da sua autonomia em uma hora.
Ricardo Senda, seu gerente de veículos elétricos, disse que existe uma fatia do mercado que realiza este tipo de operação e tem interesse no veículo, sendo que trinta unidades já foram vendidas e mais algumas estão em fase de testes com clientes: “Além do ganho operacional que o veículo entrega e a autonomia necessária para determinadas operações, muitas empresas possuem metas de ESG para atingir e a eletrificação de parte da frota é um dos caminhos”.
O E7-49T possui motor elétrico de 482 cv de potência acoplado a câmbio automático de quatro marchas, que ajuda no menor consumo da energia da bateria, melhorando a autonomia do veículo. O veículo também possui um sistema que permite a troca de 100% do pack de bateria descarregado por um carregado, reduzindo o período do veículo parado para recarga. Contudo apenas a estrutura para realizar esta operação custa alguns milhões, mais o custo de uma bateria extra, que representa mais de 50% do preço do caminhão que custa R$ 1,3 milhão.
A XCMG também possui o elétrico O E7-29T 8×4 rígido, que é bem parecido com outros modelos a combustão usados para operações de mineração, setor no qual a companhia pretende conquistar alguns clientes. Segmentos como distribuição de água e transporte de cimento também são vistos como boas oportunidades para fechar vendas. Esse caminhão não tem autonomia final divulgada porque depende muito do tipo de operação no qual será usado, segundo a XCMG.
Deste modelo foram importadas cem unidades que também deverão ser vendidas até o fim do ano.