Maior salão do automóvel do planeta ainda está voltado para seu público interno, mas empresas demostram que escala, custos e lucratividade serão os fatores que decidirão a internacionalização das marcas chinesas
Xangai, China – O Auto Shanghai 2025 não é um evento global, mas uma exposição com foco no maior mercado de veículos do mundo, a própria China. Mesmo assim as diversas marcas pouco conhecidas, e as que os brasileiros já conhecem um pouco, estão cada vez mais internacionalizando suas operações. E o Brasil, considerado relevante por muitas fabricantes chinesas, receberá alguns novos produtos a partir do segundo semestre.
A grandiosidade do National Convention Center, com oito pavilhões organizados como se fossem pétalas de uma flor de lótus, e seus mais de 360 mil m², exibe não apenas automóveis, picapes e até caminhões das marcas chinesas e de algumas grifes internacionais que não deixam de participar do maior mercado do mundo, responsável pela venda de pouco mais de 23 milhões de unidades quase todos os anos. Os sistemistas chineses demonstraram que estão prontos para o jogo automotivo global e que suas tecnologias, escala de produção e agora a qualidade os tornarão imbatíveis. É apenas uma questão de tempo.
Nos dois dias exclusivos para a imprensa nacional e internacional foram 193 apresentações, com diversos lançamentos de produtos e tecnologias. No entanto, como se trata de uma exposição com foco quase que total no mercado interno, todas foram conduzidas em mandarim e os materiais para a imprensa também estavam disponíveis somente na língua local.
Ficou claro em Xangai que a estratégia das marcas que pretendem internacionalizar suas operações está ancorada em dois pilares: grandes volumes e custo competitivo. Não faz sentido para eles produzirem em qualquer outro lugar com impostos e custos de mão de obra e componentes maiores do que encontram em seu país.
Sobre a possibilidade da Leapmotor produzir no Brasil algum dia, por exemplo, seu fundador, Zhu Jiangming, não descartou totalmente a hipótese, mas explicou que “65% das partes de um carro são produzidos internamente, o que colabora para a nossa operação ser lucrativa: controlamos os custos e este é um dos segredos da Leapmotor”.
Numa conversa descontraída com Jack Wei, fundador da Great Wall Motor, também ficou clara a necessidade de escala para dar passos mais contundentes num processo de internacionalização: “Vemos potencial de no futuro produzir no Brasil veículos das nossas marcas para exportar para toda a América Latina. No entanto os custos de produção são muito altos e os volumes estão longe de suportar essa estratégia”.
Dessa forma o início da produção em Iracemápolis, SP, que deve ser inaugurada em junho, julho, será de kits CKD do SUV Haval – a geração anterior, que já está no Brasil, pois aqui lançaram uma nova só para o mercado chinês –, com pouco conteúdo nacional. A picape Poer também foi confirmada para ser produzida no Brasil ainda este ano, assim que as operações fabris ganhem ritmo mais acelerado.
Poer. Foto: Leandro Alves.
Além disso a GWM importará no segundo semestre o Wey 07, SUV de luxo, um dos destaques em seu estande.
Wey 07. Foto: Leandro Alves.
A lucratividade é outro ponto-chave para aqueles que pretendem expandir suas operações além da China. Wei e Jiangming reforçaram a imposição de gerarem valor nos projetos de internacionalização e, sem citar outras marcas locais, disseram que aqueles que já se aventuraram estão tendo que lidar com perdas por carro produzido.
Na sexta-feira, 25, e sábado, 26, o Auto Shanghai 2025 estará aberto apenas para os profissionais do setor automotivo credenciados. O público geral terá de 27 a 2 de maio para conhecer o futuro para o mercado chinês neste que já é o maior salão do automóvel do planeta.