São Paulo – A Stellantis divulgou, em seu balanço preliminar e não auditado do primeiro semestre, prejuízo de € 2,3 bilhões, ocasionado por custos de reestruturação e por reflexos iniciais da sobretaxação do governo dos Estados Unidos. A companhia afirmou que o tarifaço custou € 300 milhões devido a importações menores e cortes na produção.
A estimativa de entregas consolidadas globais no segundo trimestre era de 1,4 milhão de unidades, volume de veículos que seriam entregues a concessionárias, distribuidores ou diretamente pela companhia aos clientes de varejo e frotistas. O número representa queda de 6% frente ao mesmo período do ano passado.
O comunicado da companhia assinalou que “este resultado reflete as paralisações na produção na América do Norte no início do trimestre em razão das tarifas, além de impactos ainda negativos – embora reduzidos – da transição de produtos na Europa Ampliada, onde diversos modelos importantes estão em fase de aceleração após lançamentos recentes, ou aguardando o início da produção programado para o segundo semestre de 2025”.
Na América do Norte houve recuo de 25% nas entregas, o equivalente a 109 mil unidades com relação ao terceiro trimestre do ano passado, o que foi justificado como reflexo da redução da fabricação e das entregas de veículos importados.
“As vendas totais caíram 10% com relação ao ano anterior, com as vendas no varejo dos Estados Unidos permanecendo relativamente estáveis. As duas maiores marcas da região, Jeep e Ram, no entanto, apresentaram, juntas, alta de 13%.”
Na América do Sul, onde a Stellantis mantém sua liderança, houve acréscimo de 20%, com 43 mil unidades a mais, beneficiada por volumes mais elevados no setor, especialmente Argentina e Brasil.
Resultado confronta expressivo lucro de um ano atrás
Os resultados preliminares do primeiro semestre da empresa, comparados ao lucro líquido de € 5,6 bilhões do ano anterior, ressaltam o desafio para o novo CEO Antonio Filosa, nomeado em maio depois que os resultados ruins em 2024 levaram à demissão de Carlos Tavares.
De acordo com reportagem da Reuters publicada pela Automotive News, em uma carta aos funcionários Filosa disse que os primeiros seis meses de 2025 foram “difíceis… com crescentes obstáculos externos, incluindo tarifas, efeitos cambiais e condições macroeconômicas desafiadoras. Apesar das dificuldades também foram seis meses de progresso significativo em comparação ao segundo semestre de 2024”, acrescentou, destacando os lançamentos de novos produtos e as decisões de cortar programas de baixo desempenho.
Com Tavares à frente do negócio especialistas do setor disseram que a Stellantis havia se excedido no mercado estadunidense e que não conseguiu atualizar modelos populares, deixando a empresa com um grande número de carros não vendidos.
No ano passado a Stellantis importou mais de 40% dos 1,2 milhão de veículos vendidos nos Estados Unidos, principalmente do México e do Canadá. Em abril anunciou que reduzira as importações de veículos em resposta às tarifas e que ajustaria “a produção e o emprego para reduzir os impactos na lucratividade”.
Resultado reflete cancelamento de projetos
A companhia obteve receita líquida global de US$ 74,3 bilhões de janeiro a junho, abaixo dos € 85 bilhões do primeiro semestre de 2024, mas acima do segundo semestre, € 71,8 bilhões.
A Stellantis informou que registrou € 3,3 bilhões em encargos antes dos impostos relacionados principalmente a custos de cancelamento de programas, incluindo um projeto de célula de combustível de hidrogênio, ao mesmo tempo em que investiu mais em carros híbridos populares na Europa e em grandes modelos movidos a gasolina nos Estados Unidos.
No início de julho a Stellantis anunciou um Fiat 500 híbrido de € 17 mil, que sucederá o modelo a combustão e no qual a montadora está apostando para retomar a produção debilitada na Itália.
Na ausência de projeções financeiras, suspensas pela companhia em 30 de abril, as previsões de consenso dos analistas financeiros constituem atualmente a principal métrica para as expectativas do mercado.