São Paulo – Ao contrário do que foi compreendido na quarta-feira, 30, quando a ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parecia ter deixado o setor automotivo de fora da sobretaxa de 40 pontos porcentuais aos produtos brasileiros exportados para lá, o Sindipeças afirmou que o que ocorreu foi, na verdade, uma inversão do cenário: o grupo de peças que ficou de fora, na verdade, foi apenas o de veículos leves.
Este grupo, quando Trump anunciou uma sobretaxa para automóveis e autopeças, foi sobretaxado em 25 pontos porcentuais, aumentando a alíquota para 27,5%. Desde maio as exportações brasileiras de peças e componentes para veículos leves pagam este porcentual.
Peças para tratores, máquinas agrícolas e caminhões acima de 5 toneladas, por abastecerem muitas indústrias estadunidenses, foram menos onerados na primeira sobretaxa e estavam pagando 12,5%, que era o imposto original, 2,5%, com os 10 pontos porcentuais de tarifa-base. Agora, na compreensão da entidade, este grupo foi sobretaxado em mais 40 pontos porcentuais, subindo a alíquota para 52,5%.
O grupo de peças para veículos leves integra a chamada Seção 232, que incluiu exceções às alíquotas. Na avaliação da entidade novos itens poderão ser incluídos na lista até 6 de agosto, quando as tarifas efetivamente entrarão em vigor.
Até lá vigora esta compreensão: houve uma inversão e as peças que foram poupadas na primeira etapa agora receberão os 40 pontos porcentuais de acréscimo.
As autopeças têm os Estados Unidos como seu segundo maior destino de exportação, atrás apenas da China: de janeiro a junho foram US$ 632,3 milhões exportados, 4,9% abaixo do primeiro semestre de 2024 e 15,7% do total das exportações.