Em destaque

Parlamento europeu judicializa e complica acordo com o Mercosul

Votação apertada decidiu enviar o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, que pode demorar dois anos para emitir um parecer. Mas existe a possibilidade do acordo entrar em vigor de forma provisória.
EP Plenary session - Voting session

São Paulo – Em votação apertada, com diferença de apenas dez votos, o Parlamento Europeu decidiu submeter ao Tribunal de Justiça da União Europeia a revisão do acordo comercial do bloco com o Mercosul, assinado na semana passada. Desta forma torna-se mais complicada ainda a entrada em vigor do tratado, que já demandaria algum tempo pela necessidade de ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos.

O parecer jurídico da Corte europeia poderá demorar até dois anos, estimam especialistas. O acordo já está em discussão há 26 anos. Mas existe a possibilidade, em discussão dentro do Conselho, de que parte das regras entre em vigor imediatamente, de forma provisória, enquanto a Justiça examina o pedido do Parlamento.

De toda forma a expectativa é de mais paciência para que o livre-comércio dos dois blocos comece de forma efetiva. Os prazos estipulados para desgravação tarifária variam até quinze anos, ou mais no caso do automotivo, desde a sua entrada em vigência.

O que muda para o setor automotivo?

Segundo José Pimenta, diretor de relações governamentais e comércio internacional da BMJ Consultoria, os primeiros efeitos práticos para o comércio dos dois blocos é a criação de uma cota de 50 mil veículos, 32 mil para o Brasil, livres de impostos para os primeiros sete anos de vigência do acordo.

Estes veículos, destacou o diretor da BMJ, precisam ter ao menos 55% de conteúdo originário das partes, ou seja, peças, componentes e sistemas produzidos em países da União Europeia ou do Mercosul.

Nos primeiros seis anos os veículos que extrapolarem, ou não se enquadrarem, nesta cota pagarão 35% de imposto de importação, não importando seu powertrain. A partir do sétimo ano as alíquotas começam a cair, gradativamente.

No caso de veículos a combustão reduzem para 28,3% no sétimo ano, 21,6% no oitavo, 15% no nono, 12,4% no décimo, 10% no décimo-primeiro, 7,4% no décimo-segundo, 5% no décimo-terceiro, 2,4% no décimo-quarto e só então, no décimo-quinto, vai a zero.

Em híbridos e elétricos, e a hidrogênio, a desgravação tem ritmo diferente. No caso dos eletrificados a tarifa-base usada foi 25%, que é a atualmente aplicada, mas subirá a 35% no meio do ano. Neste caso, destacou Pimenta, o cronograma deverá mudar um pouco.

Mas o atualmente estabelecido, com base na alíquota em vigor, é: 20% a partir do sexto ano, 15% do nono, 10% do décimo-segundo, 5% do décimo-quinto e zera no décimo-oitavo. 

Os movidos a hidrogênio têm prazo maior, de 25 anos, para zerar a alíquota. Começa em 35% e a partir do sétimo ano cai para 25%, depois 20% no décimo-terceiro, 15% no décimo-sexto, 10% no décimo-nono e 5% no vigésimo-segundo.

Salvaguardas

O cronograma segue caso tudo corra bem e o mercado brasileiro não sofra uma invasão de carros europeus pelo imposto menor. O acordo prevê salvaguardas automotivas, que permitem ao Mercosul suspender a desgravação e retornar à alíquota de 35% a qualquer momento, por um período de três a cinco anos.

A indústria tem, portanto, quase vinte anos para se preparar para a alíquota zero de carros europeus. Em contrapartida, com a virada de chave do continente para a eletrificação, há espaço para crescimento de exportação de tecnologias a combustão para o mercado de reposição europeu.

fiat

Notícias relacionadas

fiat
fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

fiat