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Jomed instala ponto de abastecimento de biometano em sua sede

Carlos Ferreira, gerente de sustentabilidade da transportadora, disse ao Agência AD Entrevista que em rotas mais curtas, pela Grande São Paulo, objetivo é utilizar 100% do combustível renovável e de menor emissão de CO2

Guarulhos, SP – Uma das pioneiras na adoção de caminhões a gás da Scania, tendo comprado uma das primeiras unidades no Brasil, a Jomed Transportes saiu na frente também para resolver um problema encontrado durante a operação: instalou em sua unidade de Guarulhos um ponto de abastecimento de biometano. A intenção, segundo Carlos Ferreira, seu gerente de sustentabilidade, é garantir abastecimento com o combustível que menos emite CO2, o biometano.

As rotas mais curtas, especialmente pela Grande São Paulo, serão totalmente atendidas com o combustível que reduz em até 90% as emissões dos gases do efeito estufa quando comparado com o diesel: “Nas rotas mais longas abasteceremos aqui com o biometano e depois faremos um mix com o GNV, que encontramos mais facilmente nas estradas”.

Quem fez toda a instalação do ponto e fornecerá o combustível à transportadora é a Ultragaz. O biometano será produzido em Caieiras, SP, e transportado pela empresa até a garagem da Jomed. Em 14 minutos um caminhão será totalmente reabastecido, tempo bem abaixo do abastecimento tradicional de um modelo a gás.

“Pedimos aos motoristas que tentem retornar à garagem com pouco combustível, para que possamos utilizar ao máximo o biometano”, disse Ferreira, que concedeu entrevista, durante a inauguração do ponto de abastecimento em Guarulhos na sexta-feira, 17, ao Agência AD Entrevista.

Carlos Ferreira, gerente de sustentabilidade da Jomed

Por que a Jomed decidiu criar um sistema de abastecimento de biometano na sua sede? 

Foi necessidade que a empresa enxergou no mercado. Falta infraestrutura, não temos disponibilidade de gás nas rodovias nas rotas que a Jomed atende. Então entendemos que precisávamos dar um passo mais alinhado com as nossas metas de descarbonização e surgiu a oportunidade de termos essa estrutura oferecida pela Ultragaz. Demos início ao projeto, fizemos a análise de viabilidade e entendemos que era justificável criar um ponto de abastecimento interno para ganhar em produtividade e reduzir as emissões, para alcançarmos as nossas metas globais junto ao Pacto Global da ONU, ao Movimento Ambição NetZero e à nossa cadeia de clientes.

Como funciona esse ponto de abastecimento? Quanto tempo demora para abastecer um caminhão? 

Em um posto de combustível comum para abastecer com gás o tempo de parada gira em torno de 45 a 50 minutos. Dentro de casa, agora, conseguimos reduzir para 14 minutos, com biometano, graças à tecnologia Ultragaz. Nosso ponto tem um bico de alta vazão, padrão europeu, que faz a gente ganhar muito tempo e acaba com aquele problema de não conseguir atender as janelas de entrega dos nossos clientes.

De onde vem o biometano? 

O biometano é gerado por meio do processamento da biodegradação de materiais. Esta versão exclusiva que estamos consumindo vem de Caieiras, a Ultragaz a traz até nosso ponto de abastecimento. Cada carreta injeta em torno de 5,5 mil a 6 mil m3 de biometano no sistema.

É possível seguir abastecendo com o combustível renovável durante a operação ou será feito um mix? 

Para longas distâncias, infelizmente, não conseguimos abastecer 100% com biometano. Mas para as rotas de curtas distâncias, como na Capital e na Grande São Paulo, já estamos atendendo com 100% de biometano, reduzindo em mais de 90% as emissões. 

É suficiente para atender toda a frota de caminhões GNV da Jomed? 

Sim. Quando fizemos a parceria com a Ultragaz garantimos uma capacidade a mais de moléculas de biometano, já contando com o aumento de nossa frota a gás.

Qual é o tamanho da frota de caminhão GNV da Jomed hoje? Tem plano de aumentar? 

Temos cinquenta veículos movidos a gás. Dentro de doze meses teremos mais 31 novos veículos movidos a gás na nossa frota. Esta é a estimativa da Jomed. 

E quanto representa na frota? 

Isso representará em torno de 15% da nossa frota. 

Manter uma frota movida a GNV ou biometano é sustentável ecologicamente. E economicamente? 

Todo projeto relativo à sustentabilidade tem que ter o equilíbrio em três áreas: social, ambiental e econômica. Quando fizemos a análise da viabilidade [do ponto de carregamento de biometano] constatamos que conseguiríamos ter um preço atrativo junto ao fornecedor. Hoje o metro cúbico de gás é 14,5% mais barato do que o diesel.

Quais outras iniciativas sustentáveis que a Jomed tem na operação?

Dentro do contexto que chamamos de transporte sustentável, não só a questão dos veículos rodando com combustível a gás, mas toda a agenda ESG implementada dentro da organização, temos projetos sociais, auxílio junto a ONGs e toda a parte de gerenciamento de resíduos. Hoje 100% dos resíduos gerados em nossas operações são destinados de forma ambientalmente correta. A Jomed tem uma grande participação na economia circular com as embalagens, a água usada para a lavagem dos veículos na nossa matriz, em Guarulhos, e temos um ponto de lavagem na unidade de Cariacica [ES] que tem 100% do sistema de tratamento e reuso de água, captação de água de chuva e água de poço. 

A Jomed foi pioneira no biometano e no GNV, um dos primeiros clientes da Scania. Têm estudo para eletrificação da frota?

Nós estudamos todos os cenários possíveis porque a ideia realmente é alcançar a descarbonização. Mas não pensamos em eletrificação a curto prazo. Até pela falta de infraestrutura não sabemos como será essa questão. E devido ao fato de as entregas hoje serem todas urgentes, quando falamos principalmente na questão de e-commerce, não dá pra você ficar com o veículo tanto tempo parado, sem produzir, porque o cliente precisa ser atendido do outro lado. E enxergamos o biometano como o combustível do presente e do futuro a longo prazo.

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