São Paulo – O governo chinês concordou em analisar a concessão de autorização especial às empresas brasileiras que estiverem com dificuldades para adquirir chips. Foi o que informou a Anfavea, ao celebrar ação que abre caminho para o fim do embargo às importações de semicondutores da Nexperia, que pode levar ao desabastecimento dos fornecedores de autopeças no país e à consequente paralisação da indústria automotiva.
Segundo informe feito à Anfavea pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, as empresas brasileiras poderão solicitar exceção ao embargo por meio da embaixada ou diretamente com o Ministério do Comércio da China. O país concederá a licença para importação a partir da análise de cada caso.
Na quinta-feira, 30, o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, contou que estava em contato com o embaixador para reforçar o pleito encabeçado pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que prontamente se dispôs a buscar uma solução diante do quadro exposto pela Anfavea de riscos concretos ao setor automotivo.
Na terça-feira, 28, Alckmin se reuniu com Anfavea, Sindipeças, Abipeças e representantes dos trabalhadores, que pediram o apoio do governo brasileiro, junto ao governo chinês, para que o Brasil não seja prejudicado.
“A rápida resposta do governo brasileiro frente ao alerta feito pela Anfavea permitiu a abertura de canais de diálogo antes de o pior cenário se concretizar, que é o de paralisação de fábricas no país”, afirmou Calvet. “Vamos acompanhar os desdobramentos nos próximos dias e dar suporte às empresas da cadeia de suprimentos para que possam restabelecer as compras dos semicondutores o mais rápido possível e normalizar o envio de peças às fabricantes.”
Tudo começou quando, no mês passado, o governo holandês tomou o controle da Nexperia, subsidiária da fabricante de semicondutores chinesa Wingtech. Como resposta a China bloqueou as exportações dos chips vendidos pela empresa. O efeito colateral desta medida foi a interrupção do fornecimento de semicondutores da Nexperia às empresas da cadeia de autopeças no Brasil e o risco de as empresas paralisarem em algumas semanas.
Os chips da Nexperia são usados em peças que compõem os veículos de todas as fabricantes e, como há poucas fornecedoras globais de semicondutores, não há outras opções desses componentes no mercado.