São Paulo – Após deflagrar crise que colocou em risco a produção da indústria automotiva de diversos países, o Brasil inclusive, a fabricante de semicondutores Nexperia teve seu controle devolvido à China. A decisão partiu do governo holandês, que recuou após ter tomado as rédeas da empresa, subsidiária da chinesa Wingtech. Em resposta a China bloqueou as exportações dos chips, o que demandou esforço diplomático do governo brasileiro e da Anfavea ao solicitarem caráter de exceção para o suprimento às empresas fabricantes no País.
A intervenção da Holanda baseava-se em preocupações acerca de propriedade intelectual, mas o efeito colateral da nova crise dos chips traria grandes danos à indústria brasileira, uma vez que a Nexperia é responsável por cerca de 40% dos semicondutores fornecidos à cadeia local, a companhias como Bosch, ZF, Mahle e Marelli.
De acordo com reportagem da agência de notícias Ansa o ministro holandês da Economia, Vincent Karremans, afirmou que “à luz dos recentes desdobramentos acredito que seja o momento certo de dar um passo construtivo, suspendendo minha ordem relativa à Nexperia, em estreita consulta com nossos parceiros europeus e internacionais”.
Segundo Karremans o governo holandês está otimista com as medidas já tomadas pelas autoridades chinesas a fim de garantir o fornecimento de chips para a Europa e o resto do mundo: “Consideramos isto uma demonstração de boa vontade e continuaremos a manter um diálogo construtivo com as autoridades chinesas no futuro”.
O comissário de Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, avaliou a restituição do controle da Nexperia à Wingtech como “mais um passo fundamental para a estabilização das cadeias de abastecimento estratégicas de microchips”.