Em averiguação preliminar de irregularidades como ausência de catalisador, cânister e ventilação do cárter, Ministério da Justiça concede vinte dias para que esclarecimentos sejam apresentados
São Paulo – Terceira no ranking do mercado brasileiro de motocicletas, a Shineray, com quase 13 mil unidades emplacadas em janeiro e fatia de 7,2% de mercado, tornou-se alvo de investigação da Senacon, Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, após denúncia realizada pela Abraciclo, que representa as fabricantes de veículos de duas rodas.
Foi instaurada averiguação preliminar para a apuração de irregularidades como a ausência de catalisador, indicando potencial descumprimento das normas de emissão de poluentes, a falta de cânister, o que oferece risco à saúde pública e ao meio ambiente, e a inexistência de ventilação do cárter, o que expõe consumidores a compostos nocivos.
De acordo com informações do processo constam, ainda, referência a testes e laudos técnicos que indicariam que motocicletas Shineray excedem limites de emissões de poluentes e ruído estabelecidos em norma.
O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Osny da Silva Filho, assinou documento que notifica a empresa para que, no prazo de vinte dias corridos, contados da data do recebimento, apresente “esclarecimentos circunstanciados e documentação técnica pertinente sobre os pontos indicados na denúncia, especialmente quanto aos riscos à saúde e à segurança dos consumidores e ao cumprimento das normas ambientais e de trânsito”.
Em nota enviada à imprensa a Abraciclo afirmou que um ambiente de competição saudável é indispensável para o crescimento sustentável da indústria:
“Práticas que desrespeitam a legislação, distorcem a concorrência e colocam no mercado produtos abaixo das especificações exigidas comprometem não apenas a segurança do consumidor mas, também, os investimentos, o desenvolvimento do setor e a credibilidade de toda a cadeia produtiva”.
Ao classificar a situação como “retrocesso ao legado construído pela indústria de duas rodas no País”, afirmou não ser admissível que o descumprimento de normas regulatórias seja tratado como vantagem competitiva por uma empresa em detrimento das demais.
Qual o tamanho da Shineray?
Segundo dados da Fenabrave neste início de ano a Shineray está atrás apenas da líder Honda, com 116,5 mil emplacamentos e market share de 65,2%, e da Yamaha, com 25,2 mil unidades e participação de 14,1%. No ano passado seu desempenho começou a chamar atenção após plano agressivo de expansão da rede concessionária – somente em 2025 foram inaugurados 275 pontos de venda, somando 438 representações.
Quanto às vendas de motocicletas a Shineray alcançou recorde no ano passado, com 130,6 mil unidades – um pouco abaixo das 144 mil unidades pretendidas, mas 70% acima do comercializado no ano anterior, 77 mil unidades. Assim a marca obteve fatia de 5,9% que, este ano, já ampliou para 7,2%.
“Eles passam por processo de adequação para o mercado brasileiro e são comercializados. Não existe uma nacionalização, vamos dizer assim, como grande parte das outras marcas: nós compramos os produtos da Shineray China, eles chegam via navio e recebemos no Porto de Suape, onde está a nossa operação”, afirmou. “Lá é feito todo o processo de separação dos modelos e sua desmontagem, colocados no CKD e distribuídos. Quando chega nas concessionárias é que é feita a montagem, vamos dizer assim, final das motos.”
Segundo Lazko o que justifica a marca estabelecer-se fora do PIM é o fato de que todos os diretores são do Nordeste, onde mantêm outros negócios. Em 2005 surgiu a oportunidade de testar a Shineray na região. E, dez anos depois, vieram as isenções fiscais, o que fez com que o útil se unisse ao agradável e os investimentos em uma estrutura própria fossem realizados por lá.
Scooters são o carro-chefe da marca no Brasil. Foto: Divulgação.
O que diz a Shineray?
Procurada a Shineray optou por não se manifestar sobre os questionamentos: “Reforçamos que os produtos da Shineray do Brasil seguem rigorosamente os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando plenamente regulares”.
Mais: “Esclarecemos que todas as informações oficiais relativas ao portfólio da marca, incluindo modelos comercializados e respectivas especificações técnicas, encontram-se publicamente disponíveis e atualizadas no site oficial da montadora”.