São Paulo – Em período de juros elevados, com a Selic em 15% ao ano, foram liberados para o financiamento de veículos R$ 283,4 bilhões em 2025, alta de 3,5% com relação ao volume do ano anterior, de R$ 273,7 bilhões. Foi o que divulgou a Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. O resultado ficou abaixo da projeção da entidade, que no meio do ano passado a mantivera em alta de 8,5%.
A maior parte dos recursos foi emprestada para pessoas físicas por meio do CDC. A modalidade concedeu R$ 281,4 bilhões, sendo que R$ 222,7 bilhões refletiram o consumo financiado pelas famílias, alta de 5,6% frente a 2024.
O total de recursos liberados pelo leasing, R$ 1,9 bilhão, avançou 39,1%. Os principais tomadores de crédito desta modalidade foram pessoas jurídicas.
O saldo total do financiamento de veículos, R$ 544,4 bilhões, representou crescimento de 12% em 2025 frente ao ano anterior, quando a carteira alcançou R$ 486,2 bilhões. De acordo com a entidade, em termos porcentuais, o incremento superou a expansão do crédito total do SFN, Sistema Financeiro Nacional de 10,2% no período, conforme divulgado pelo Banco Central em dezembro.
O presidente da Anef, Enílson Sales, salientou que a taxa de juros do financiamento de veículos diminuiu de 24,4% no início de 2025 para 21,5% no fim do ano, mesmo em cenário de Selic em 15% ao ano. Para ele esta redução deve-se às campanhas comerciais lideradas pelos bancos das montadoras, que ofereceram taxas mais atrativas e reduziram seus spreads.
“O movimento reflete a dinâmica competitiva do mercado que, por meio de incentivos, atraiu compradores com perfis de menor risco.”
Em 2025 a inadimplência avançou 1,4 ponto porcentual, para 5,6%.
Vendas à vista caem para 48% em 2025
As vendas à vista, que chegaram a atingir patamar de 64% em 2022, em meio à pandemia, continuaram a decrescer. Caíram de 50% em 2024 para 48% em 2025. O financiamento também reduziu sua participação, em 3 pontos porcentuais, de 46% para 43%. Já o consórcio subiu de 4% para 9%.
No segmento de pesados o leasing voltou a ganhar espaço, com avanço de 2 pontos porcentuais. O consórcio dobrou sua participação, de 4% para 8%. O CDC manteve-se estável em 31% e o Finame recuou de 31% para 22%.
Para 2026 alta moderada
Para este ano a Anef projeta crescimento de 3,9% nos recursos liberados para financiamento de veículos: “Após a resiliência demonstrada em 2025, mesmo com juros elevados, o setor deve avançar com cautela, apoiado na gradual melhora das condições de crédito, mas ainda sob um cenário macroeconômico desafiador.”
O presidente da Anef ressaltou que a seletividade dos bancos na concessão do crédito deve se manter: “Haverá, porém, a maior competitividade das modalidades de financiamento, uma vez que o consórcio e o leasing vêm aumentando sua participação”.