Foi o que afirmou o Taiwan Trade Center do Brasil, que responde ao Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan
Taipei, Taiwan – Prestes a aterrissar na ilha rebelde, como é chamada Taiwan, por renegar o controle da República Popular da China e pleitear sua independência, o avião nos brinda com uma bela imagem de extensa fazenda eólica. Trata-se de uma das iniciativas que seu governo coloca as fichas para avançar em sustentabilidade ao ampliar a participação na matriz energética predominantemente fóssil, principalmente de fontes como carvão, gás natural e energia nuclear.
Esta energia eólica vai diretamente para a rede elétrica nacional, gerenciada pela Taipower, Companhia de Energia de Taiwan, o que é reforçado pela geografia do Estreito de Taiwan, considerado um dos lugares onde mais venta no mundo por ser canalizado por montanhas de Taiwan e da China continental, onde é criado efeito conhecido como túnel de vento.
Embora seja um pilar fundamental para o plano da ilha de avançar na descarbonização, calcado no objetivo de que a energia renovável passe a representar cerca de 20% da matriz energética total em um futuro próximo, até o momento a dependência por derivados do petróleo ainda é realidade local.
Em entrevista a Agência AutoData Sandra Shih, diretora da Taiwan Trade Center do Brasil, que responde ao Taitra, Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan, afirmou que embora a instabilidade no Oriente Médio represente desafios logísticos e energéticos globais a indústria automotiva taiwanesa tem demonstrado “notável resiliência” em meio a este cenário.
Segundo Shi as empresas do setor estão mitigando os riscos da cadeia de suprimentos por meio da diversificação de fornecedores e do aproveitamento da avançada gestão logística digital da ilha. “Em vez de um revés estes desafios estão, na verdade, acelerando a transição para veículos elétricos e mobilidade inteligente, à medida que a segurança energética se torna uma prioridade nacional. Taiwan continua sendo parceiro confiável para investidores globais, oferecendo estabilidade por meio da superioridade tecnológica.”
De fato, impulsionada pelos setores em expansão de inteligência artificial e semicondutores, a projeção de crescimento do PIB, recentemente revisada para cima, é de 7,7%. No ano passado alcançou a maior taxa de expansão do PIB nos últimos quinze anos, 8,68%. As incertezas do ambiente econômico, no entanto, fizeram com que as vendas de veículos recuassem em 2025.
Dados da TTVMA, associação que reúne as montadoras, aponta que no ano passado a comercialização de veículos fabricados localmente, tanto no mercado doméstico quanto no externo, recuou 14,1%, passando de 274,9 mil unidades para 236,1 mil. Shih afirmou que a expectativa é de crescimento este ano, impulsionada por lançamentos de veículos elétricos da Foxconn com seu crossover Foxtron Bria, nova geração do Luxgen n7 e do SUV Model C.
Tarifas dos Estados Unidos recuaram a 15%
Sobre as mudanças no comércio global e o vaivém de tarifas dos Estados Unidos – que inicialmente não perdoou nem Taiwan, importante parceiro comercial, e chegou a anunciar sobretaxa de 32% há cerca de um ano – em fevereiro foi batido o martelo, pelos governos, de imposto de 15% sobre os produtos taiwanese. Em contrapartida a ilha pode adotar cronograma para reduzir ou eliminar tarifas sobre os bens estadunidenses.
O acordo compromete Taiwan, ainda, a aumentar significativamente as compras de produtos dos Estados Unidos, de 2025 a 2029, incluindo US$ 44,4 bilhões em gás natural liquefeito e petróleo bruto.
Sobre o tema a diretora reconhece que as novas tarifas certamente representam um desafio de custo para peças tradicionais. No entanto apontou que a indústria está se dedicando a componentes de alto valor agregado – como Adas, cabines inteligentes e chips automotivos – “nos quais Taiwan detém vantagem tecnológica dominante que supera os impactos das tarifas”.
Possibilidade de comércio com Brasil aumentam à medida que frota é modernizada
Sobre possível aprofundamento das sinergias do Brasil com Taiwan, proposto ao incentivar a missão de empresários brasileiros e de representante da ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Shih ressaltou que o Brasil é um parceiro vital, particularmente para a eletrônica automotiva avançada e os componentes semicondutores de Taiwan: “Vemos um imenso potencial de crescimento à medida que o Brasil moderniza sua frota doméstica”.
Taiwan, a propósito, está atualmente no ponto de inflexão da adoção de veículos elétricos, segundo a diretora, ao situar que muitos consumidores taiwaneses permanecem pragmáticos, preferindo veículos elétricos híbridos como uma ponte.
Com a produção em massa de plataformas domésticas de EVs pretendidas, no entanto, a intenção é que haja rápido aumento na presença de veículos elétricos após 2026. No ano passado 32,6 mil ou fatia 8,1% de todos os veículos comercializados na ilha, incluídos os importados, foi a bateria.