São Paulo – Com a inauguração de 33 concessionárias no sábado, 24, a GAC, que deseja ser chamada de gê a cê, inicia suas operações no mercado brasileiro, com a promessa de R$ 7,4 bilhões em investimentos e a produção local em Goiás. Outros cinquenta pontos de vendas, em shopping centers, também oferecem os modelos.
Cinco carros já estão à disposição do consumidor brasileiro: os SUVs elétricos Aion V, Ayon Y e Hyptec HT, o híbrido GS4 e o sedã elétrico Ayon ES. Mas novos modelos deverão chegar em doze meses: segundo o presidente Wei Haigang serão oito veículos no portfólio. A rede crescerá para 120 concessionárias até dezembro e duzentas em 2027.
A meta é comercializar 8 mil unidades em 2025 e 29 mil no ano que vem.
Como uma marca nova a GAC desembarcou por aqui com diferenciais que buscam ganhar a confiança do consumidor local. A garantia será de 8 anos para modelos elétricos e 5 anos para híbridos. A empresa se compromete, também, a recomprar os modelos por 90% do valor da tabela Fipe. E chega com programa de assinatura, mínima de doze meses, para aqueles que ainda não queiram desembolsar o valor total.
Os modelos
As lojas abriram com cinco modelos à disposição. São eles:
. GS4: SUV médio híbrido, traz motor elétrico e 2.0 a gasolina que, combinados, geram 173cv. Por R$ 190 mil a versão Premium e R$ 200 mil a Elite.
. Aion Y: SUV médio elétrico, com 205cv e autonomia de 318 km pelo ciclo do Inmetro. Por R$ 175 mil a versão Premium e R$ 185 mil a Elite.
. Aion V: SUV médio elétrico, com 205cv e autonomia de 389 km pelo Inmetro. Tem como diferencial bancos que rebatem totalmente, fazem massagem, uma geladeira e a possibilidade de até esquentar comida. Por R$ 215 mil.
. Aion ES: sedã elétrico com 136cv e 314 km de autonomia pelo Inmetro. R$ 170 mil, especial de lançamento.
. Hyptec HT: SUV elétrico com o diferencial de ter asas de gaivota nas portas traseiras. Gera 245 cv e oferece 362 km de autonomia pelo Inmetro. Por R$ 300 mil a versão de entrada e R$ 350 mil a com porta de asa de gaivotas.
No lançamento o carregador e wallbox são gratuitos.
São Paulo – A FPT estipulou como meta ser neutra em carbono até 2040. O planejamento envolve todo o trabalho de desenho dos seus produtos, produção e logística, com foco na eficiência energética e no uso de fontes renováveis.
O programa faz parte do Rota 2040, projeto de descarbonização de todo o grupo Iveco, que deverá passar por motores a diesel mais eficientes, biocombustíveis, eletrificação e pesquisa em tecnologias como célula de combustível. Ele também envolve todo o ciclo de vida dos produtos, desde o seu desenvolvimento, manutenção, remanufatura e reciclagem ao final da vida útil.
São Paulo – O Fiat Ducato é mais um modelo da Stellantis que ganhou nova motorização na linha 2026. O furgão passou a ser vendido com motor turbodiesel 2.2 de 140 cv de potência, 8% mais econômico do que o anterior, segundo a empresa. Seu consumo agora é de 10,8 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada.
O veículo também passou por mudanças externas, com para-choque dianteiro redesenhado, novos retrovisores externos e novas calotas. Internamente o Fiat Ducato ganhou nova direção elétrica e novos quadro de instrumentos, rádio e acabamento das portas.
Veja abaixo todos os preços e versões do Fiat Ducato 2026:
Ducato Cargo – R$ 292 mil Ducato Maxicargo – R$ 296 mil Ducato Comfort – R$ 376 mil Ducato Luxo – R$ 385 mil
São Paulo — O avanço tecnológico estabeleceu dilema relacionado à mão de obra no setor de veículos: a que está disponível nem sempre atende às novas demandas ou busca o posto, e a qualificada às funções são escassas e disputadas também por outros setores, por vezes mais atrativos financeiramente. Este momento que a indústria atravessa levou a Robert Half, consultoria especializada em recrutamento, a estruturar o Panorama Setorial Automotivo 2025.
Apresentado em primeira mão à Agência AutoData o estudo busca trazer informações e sugestões sobre como as empresas podem se adequar ao cenário e superar os desafios. Segundo Caio Rodrigues, especialista em recrutamento da Robert Half, o cenário atual do setor está relacionado não somente à intrínseca automação como ao histórico dos últimos quinze anos.
“As montadoras colocam os projetos de veículos, muitos deles agora relacionados à eletrificação, hibridização, novas plataformas de motor e tecnologias embarcadas nos veículos, acionam a cadeia toda, e o que temos visto é uma grande mudança no perfil que elas procuram. Temos tido problema de trazer esses trabalhadores com novas habilidades e competências exigidos pelas empresas.”
O mesmo vale para mão de obra tradicional, disse Rodrigues. O mercado global mudou muito e, inclusive, o perfil de consumidor é outro: “As pessoas têm comprado menos carros, o que faz com que as montadoras e os sistemistas precisem reinventar um pouco a forma de produzir veículos, de se conectar mais com esses consumidores e a se colocarem como empresas de mobilidade”.
Por um lado a indústria tradicional segue precisando de funcionários para o chão de fábrica, o que mantém oportunidades para operadores de máquinas, empilhadeiras, de logística e analistas de produção. Por outro a geração Z, dos nascidos de 1997 a 2012, busca empregos que estão conectados com tecnologia, enxerga o mundo por meio de um smartphone.
“Eles entendem que a carreira no chão de fábrica talvez não seja a melhor, e em alguns casos a veem como algo temporário. Não à toa há alta rotação nestas áreas. A própria proposta de valor da carreira dentro da montadora, de vinte, trinta anos, já não tem o mesmo peso que antigamente.”
Este pensamento torna desafiadora a atração às fábricas mesmo em posições convencionais, assim como a retenção da mão de obra. É aí que se reforça a necessidade de engajamento à nova geração por meio de planos que vão além de bater o ponto e entregar a meta de produção: “É preciso pensar um pouco mais em como construir uma carreira que faça sentido, dar essa sensação de movimento, de projeto, de conexão com tecnologia”.
Outro ponto sensível abordado no estudo é a dificuldade de transferir conhecimento das gerações que estão há décadas na mesma companhia. Estes trabalhadores estão se aposentando e, com eles, o conhecimento do processo fabril. Até porque o perfil de maquinário mudou mas ainda há equipamentos de quarenta anos em operação, e o ensino técnico foca nas novas tecnologias.
O acesso à informação, inclusive aos salários, está mais factível, diferentemente de anos atrás, portanto, é mais fácil para o profissional escolher em qual setor trabalhar.
“Hoje uma pessoa que está no automotivo tem conhecimento de outros pacotes de remuneração, consegue observar, por exemplo, que no óleo e gás ou na mineração são ofertados múltiplos de bônus no fim do ano muito melhores, apesar das atraentes PLRs. As indústrias farmacêutica e alimentícia também têm feito frente, com boas ofertas.”
Caio Rodrigues, especialista em recrutamento da Robert Half no ABC Paulista. Foto: Divulgação.
Empresas do setor tendem a apostar mais em capacitação interna
Rodrigues contou que as empresas têm demandado maior orientação e que a capacitação e o desenvolvimento interno têm surgido como o caminho mais eficiente de se desenvolver mão de obra e qualificar dentro de casa . O fato de a nova geração ser mais questionadora e ouvir menos desaforos também são ganhos importantes ao ambiente de trabalho, apontou o especialista.
“Vemos muito o viés de que o crescimento profissional está atrelado a uma boa comunicação, ao equilíbrio da vida na empresa e a pessoal. Então a construção de um bom ambiente, com valores sólidos, também está muito conectado a planos de retenção.”
Apesar das instabilidades vivenciadas o especialista acredita que a indústria automotiva tem muita resiliência, mesmo com certa sensibilidade por estar exposta ao consumidor: “O setor está passando por reestruturação e transformação. Mas eu não vejo que não sairá mais forte disso, é muito resiliente. E tem capital humano e tecnológico muito fortes”.
Rodrigues entende que, como resposta natural ao avanço da automatização há enxugamento de vagas, assim como postos com maior valor agregado: “Eu deixo de demandar um operador, mas preciso que ele se capacite para trabalhar com automação. Hoje falamos muito de profissões mais multidisciplinares e generalistas. Então é preciso dar também esta mobilidade para que os profissionais se atualizem para outras áreas dentro da empresa”.
Profissões com protagonismo no setor
Há posições que são bem particulares do mundo automotivo brasileiro, um dos poucos segmentos que realmente colocam estes profissionais para se desenvolverem no Brasil, seja engenheiro de produto, de P&D ou de simulação, ressaltou o especialista da Robert Half. Na área tecnológica há espaço aos desenvolvedores, engenheiros de software embarcado, de hardware, de testes, de inteligência artificial.
No chão de fábrica o engenheiro de automação está muito conectado a mecânicos e a profissionais de manutenção. E, na área financeira, a tendências macro, não necessariamente para o automotivo, dada a pressão por redução de custos e até para capturar oportunidade, o que por vezes exige mudança de fornecedor, há viés forte com o ambiente de controladoria e contábil e tributário. Isto atrelado à posição de compras. Postos de analista sênior, coordenador especialista e gerente deverão ser mais demandados.
São Paulo – A Hyundai inicia nas próximas semanas as vendas do SUV híbrido Kona em duas versões, Ultimate e Signature, com preços de R$ 215 mil e R$ 235 mil, respectivamente. É o primeiro modelo da marca no País com a nova linguagem visual Seamless Lighting, com faróis que se conectam na dianteira em sua versão mais cara.
A motorização híbrida é a mais moderna que a Hyundai dispõe globalmente, combinando um motor aspirado Kappa 1.6 com um elétrico e uma bateria com capacidade de armazenamento de 1,32 kWh. Esse conjunto gera potência de 141 cv e concede consumo de 18,4 km/l na cidade e 16 km/l na estrada, de acordo com as medições do PBEV, Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.
Sua lista de itens de série oferece quadro de instrumentos digital de 12,3 polegadas, integrado ao kit multimídia com tela de 12,3 polegadas, ar-condicionado de zona dupla, câmera 360º, ajuste elétrico do banco do motorista e função auto hold.
São Paulo – A Ford ampliou o portfólio da picape F-150 com a nova configuração Tremor, que chega ao mercado brasileiro com uma proposta mais fora de estrada. Ela oferece pneus para todo tipo de terreno, suspensão exclusiva, tração integral 4×4, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e diferencial dianteiro Torsen.
Outra novidade da F-150 Tremor é o sistema Pro Power Onboard, com um gerador embarcado com tomadas de 127 volts, que permite a conexão de equipamentos e ferramentas elétricas.
Interior da F-150 Tremor possui acabamento exclusivo
A nova versão topo de linha da F-150 será vendida por R$ 580 mil, acima das versões Lariat e Lariat Black, com acabamento externo exclusivo e o motor Coyote 5.0 V8 de 405 cv de potência, acoplado a câmbio automático de dez marchas.
São Paulo – A Toyota reuniu, na Argentina, representantes de mais de 250 fornecedores, brasileiros e argentinos, para sua TLAC, Toyota Latin American and Caribbean Suppliers Conference. Na ocasião, além de compartilhar seu planejamento anual, premiou os melhores fornecedores do ano em quatro categorias principais.
As empresas foram avaliadas em critérios como segurança, qualidade, sustentabilidade, entrega de peças, gerenciamento de custos, operações e aplicação ao TPS, Sistema Toyota de Produção.
Vejas as empresas premiadas
Melhores Fornecedores Mueller Autoneum
Contribuição Regional GKN Indústrias Guidi
ESG Ambiental: Bosch e Autoneum Social: Cooper e Esteban Cordero Governança: Adient e Indústria Guidi
Excelentes Fornecedores Brasil Adient Autometal Barossi Benteler Bosch Cooper Denso GDBR GKT-TB Intertrim Inylbra Itaesbra JSP Jtekt Kautex Metagal Op Mobility Pecval Purem Schaeffler SEG Automotive Sogefi Stanley Sumidenso Vuteq Yazaki ZF
Um ano após a promulgação da lei que institui o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, em 15 de abril o governo publicou o decreto que dá as diretrizes para a regulamentação final de metas de eficiência energética, adoção de sistemas de segurança e reciclagem. São regras obrigatórias para todos os veículos novos, nacionais ou importados, vendidos no Brasil a partir de 2027.
Embora o balanço do programa seja positivo até aqui a legislação ainda precisa de padrões mais específicos que deverão ser estabelecidos por meio de oito portarias a serem publicadas ao longo dos próximos meses. Destas três estão prontas e serão publicadas até meados de maio, assegurou o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, em conversa com a Agência AutoData na cerimônia de abertura da Automec, em 22 de abril.
Também falta regrar o IPI Verde, sistema de descontos e adições ao imposto de acordo com potência, eficiência energética e sistemas de segurança de cada veículo, objeto de discórdia no conjunto das empresas fabricantes. Moreira informou que a medida já foi elaborada no MDIC e estava sob exame de técnicos do Ministério da Fazenda.
As regras do decreto assinado em abril passam a valer já a partir de 1º de junho deste ano e as primeiras obrigações, marcadas para serem cumpridas a partir do próximo 1º de outubro, referem-se à segurança veicular, com medição do índice InTec de desempenho estrutural e de adoção de tecnologias assistivas à direção.
MAIS SEGURANÇA
Esta reportagem foi publicada na edição 421 da revista AutoData, de Maio de 2025. Para ler ela completa clique aqui.
É preciso passar um tempo na China para compreender que os negócios terão uma nova dinâmica a partir do protagonismo deles em todos os setores, de roupas a artigos esportivos, de celulares a câmaras de vigilância, da corrida ao espaço ao futuro da sustentabilidade. E o universo automotivo não vai fugir desta lógica.
Aquilo que a indústria ocidental almeja há décadas, e enfatiza principalmente em períodos de crise, mas em poucos locais encontra condições ideais, é um dos pilares da indústria chinesa: o custo de produção, que lá é imbatível. Isso tem a ver, dentre outros fatores com o ambiente de negócios regulado pelo governo, com o volume de produção, outro pilar definido pelos empresários chineses como essencial na tomada de decisões de investimentos.
A China é hoje o maior mercado consumidor do planeta. O último dado, de 2024, apresenta uma classe média com renda anual de US$ 15 mil a US$ 75 mil, em torno de 400 milhões de pessoas. E de acordo com o que disse Li Qiang, primeiro-ministro chinês, no Fórum Econômico Mundial no ano passado, espera-se que a classe média dobre em uma década.
Por isto basta visitar a China e conversar com os executivos das empresas fabricantes para compreender a consolidação de um cenário com boas possibilidades de apurar lucro. E este desempenho, na visão deles, tem potencial de continuar crescendo ano a ano.
Rápida evolução e o exemplo do Brasil
O que acontece agora no setor automotivo chinês é reflexo da globalização da década de 1990, que catapultou sua indústria e agora deixa o resto do mundo numa saia justa, pois seus veículos atingiram padrões de qualidade e de design estabelecidos pela indústria tradicional, além de custos mais competitivos, principalmente nos veículos eletrificados.
Desta forma projetos de internacionalização da produção chinesa só acontecerão integralmente quando os pilares estiverem alinhados com o que passa ser a referência. É bom que se saiba: por enquanto não há qualquer razão para um movimento forte de internacionalização integral das marcas chinesas. A conta é simples: não há boné, tênis, processador de dados, baterias, telas de silício, malas de viagem e até massageador para as costas feitos em grandes volumes fora da China.
Mesmo assim temos no Brasil bons exemplos dos primeiros passos da indústria automotiva chinesa fora do seu país. Mas não esperem os ocidentais que eles jogarão este jogo de acordo com as suas regras antiquadas. O mundo mudou e agora é a vez de os chineses darem as cartas.
Não faz o menor sentido para eles nacionalizar uma operação completa de produção para qualquer outro lugar, por isto vemos as empresas que estão chegando importando kits montados ou desmontados de seus produtos. Fabricantes que não contam com a participação do governo da China em seus negócios são, neste momento, as mais interessadas em internacionalizar sua operação, diversificando seus ativos e construindo uma imagem fora do seu país. Há tecnologia de ponta envolvida neste processo, os produtos são realmente muito bons e os preços devem ser competitivos.
Mas enquanto o custo permanecer imbatível será improvável um carro chinês feito em sua maioria com autopartes nacionais.
Jack Wei, um dos empresários mais bem-sucedidos na China, com fortuna estimada em US$ 12 bilhões, faz parte de uma família que construiu diversas empresas do ramo metal-mecânico e de autopartes, além da GWM. Após a privatização no fim dos anos 1990 ele se tornou o chairman da GWM e expandiu a operação criando diversas marcas e posicionando a empresa no meio das dez maiores fabricantes chinesas, com pouco mais de 1 milhão 230 mil unidades vendidas no ano passado.
Durante conversa com a imprensa internacional no seu estande, em Shangai, Wei se referiu diversas vezes ao custo de produção como valor principal do seu negócio. Ele construiu sua reputação na China vendendo picapes e SUVs de boa qualidade a preços acessíveis.
Jornalistas europeus e sul-americanos insistiram no tema da localização da produção em seus países, numa lógica claramente ocidental ultrapassada que só faz sentido gerar valor produzindo tudo em seus países, mas Wei foi enfático: “Os pilares de custo altamente competitivo, volumes que justifiquem investimentos e lucratividade da operação, serão inegociáveis na China e em qualquer outro lugar. Só assim as empresas criam condições para prosperar”.
A GWM começa a produzir em sua fábrica no Interior do Eestado de São Paulo a partir de kits CKD importados da China em setembro e tem planos firmes de aumentar a localização das partes de seus veículos para 35% a 40% no prazo de dois anos.
Outra empresa chinesa novata, com apenas dez anos de existência, recebeu aporte da tradicional Stellantis e está criando um modelo de negócios que poderá ser uma tendência daqui em diante: utilizar a experiência de empresas já estabelecidas em mercados estratégicos e vender seus produtos chineses com este apoio logístico e de atendimento ao cliente.
A Leapmotor começa a importar seus veículos, iniciando uma operação comercial no Brasil, a partir de setembro. E seu fundador, Zhu Jiangming, também em conversa com a imprensa internacional, contou que a lucratividade tem a ver com o controle rígido dos custos de produção: “Esse é um dos segredos da Leapmotor. Mais de 65% das partes dos nossos veículos são produzidos internamente”.
Jiangming não descartou a possibilidade de, no futuro, produzir no Brasil ou em outra região. Mas mesmo com o suporte da parceria bilionária da Stellantis só acontecerá se os custos em qualquer outro país forem iguais ou superarem os da China.
E a cadeia de fornecimento?
Durante o Auto Shanghai 2025 o pavilhão menos movimentado foi o dedicado a fornecedores da cadeia automotiva, que estavam ali dando prioridade para fazer negócios com as empresas chinesas. E estas conversas foram pautadas considerando esta premissa da indústria chinesa.
Dois exemplos são as empresas Skyworth e Neusoft. Suas operações não se originaram na indústria automotiva: a Skyworth começou fazendo aparelhos de televisão e a Neusoft surgiu nos laboratórios de uma universidade chinesa que desenvolvia tecnologia de escaneamento para o setor de saúde.
Hoje a Skyworth é um dos principais fornecedores de telas automotivas na China, tendo praticamente todos os fabricantes locais como seus clientes. Estava no Auto Shanghai para mostrar aos seus clientes locais novas possibilidade de telas curvas com tecnologia de ecrã de próxima geração e múltiplas camadas de alto desempenho, proporcionando melhor contraste, ângulos de visão, brilho excepcional e qualidade de imagem.
A Neusoft já é uma gigante da tecnologia da China e no Auto Shanghai apresentou todas as suas soluções de integração da inteligência artificial aos sistemas automotivos. Espera-se, para muito breve; a utilização da IA não apenas no GPS ou no infoentretenimento dos veículos mas em todos os outros sistemas eletrônicos.
Conversando com expositores nestes estandes a explicação para avanço tão grande e tão rápido, atuando em diversos setores da indústria local, tem relação com os custos baixos para aplicação de novas tecnologias em larga escala. Esta é a lógica que os chineses levarão à risca daqui em diante e a indústria ocidental terá que encontrar uma forma de atender as premissas dos novos grandes players globais. Porque se tem algo que o chinês sabe fazer muito bem é conta.
Recife, PE – A conta-gotas a Stellantis começa a revelar seus planos para a fábrica de Goiana, PE, que integram ciclo de investimentos de R$ 13 bilhões – do total de R$ 30 bilhões que a companhia aportará em todas as suas operações no País até 2030. Em reunião com a imprensa na quinta-feira, 22, o presidente do grupo na América do Sul, Emanuele Cappellano, revelou que um modelo híbrido, da arquitetura Bio-Hybrid, entra em produção na planta pernambucana em 2026, e depois dele todo o portfólio de produtos será renovado com seis novos carros.
Como parte da comemoração dos 10 anos de operação da fábrica de Goiana, Cappelano anunciou a produção de seis novos modelos, a serem lançados possivelmente no intervalo de 2026 a 2028, todos sobre uma nova plataforma, sendo um deles de uma das marcas do grupo que ainda não é fabricada em Pernambuco – atualmente a unidade faz cinco modelos de três marcas: os SUVs Jeep Renegade, Compass e Commander, e as picapes Fiat Toro e Ram Rampage.
Como a Stellantis produz em Pernambuco modelos de sua plataforma média e Cappellano confirma que este seguirá sendo o foco da unidade, as apostas convergem para a introdução de mais um SUV, provavelmente o Peugeot 3008, que é produzido na Europa sobre a plataforma STLA Medium, a mesma sobre a qual também já é montada a nova geração do Jeep Compass.
“Alguns carros serão a nova geração de modelos com nomes já conhecidos, outros são novos nomes”, respondeu Cappellano ao ser perguntado se os produtos já conhecidos da Stellantis em Pernambuco seriam substituídos por uma nova geração dos mesmos modelos ou se eram novidades. Ele acrescentou, ainda, que o plano atual de investimento comtempla o lançamento de quarenta produtos no Brasil, sendo sete deles inéditos.
Eletrificação
Fiat Toro em produção no polo de Goiana: sistema híbrido de 48 V esperado para breve. Fotos: Divulgação.
O executivo evitou divulgar pormenores técnicos desta nova geração de produtos, mas já havia dito que uma nova arquitetura será introduzida na linha de Goiana para assimilar tecnologias de propulsão elétrica. Isto, segundo o presidente da Stellantis América do Sul, pode ser feito com uma simbiose de plataformas, aproveitando a atual Small Wide com módulos da STLA Medium, por exemplo: “Nossa aposta é na flexibilidade de plataformas”.
Cappellano garantiu que “o objetivo é produzir tudo com o máximo de nacionalização, porque reduz os custos e garante preços mais acessíveis aos clientes”. Neste sentido o plano é aproveitar as tecnologias que a Stellantis oferece no mundo “mas com grande participação da engenharia local”, que projetou a plataforma Bio-Hybrid apresentada há dois anos, misturando propulsão eletrificada em diversos níveis de hibridização com motores a combustão bicombustível etanol-gasolina.
“Todos os novos modelos terão algum grau de eletrificação”, confirmou. “Teremos todas as possibilidade mas buscaremos o que tem mais potencial de demanda no Brasil. Apostamos que os híbridos leves [MHEV] e os HEV [híbridos tradicionais sem recarregamento externo] serão os mais vendidos até 2030, enquanto os elétricos puros [BEV] não devem representar mais do que 10% do mercado.”
O executivo também afirmou que o primeiro híbrido a ser produzido em Goiana, em 2026, será um produto da atual geração já em produção na fábrica, e depois dele começa a renovação do portfólio. Pelo que já se sabe está adiantado o projeto de hibridização da picape Fiat Toro com sistema leve de 48 V. Mas Cappellano não confirma, nem nega, nenhuma das possibilidade, diz que tudo será “informado mais adiante”.
Fábrica
Fábrica de Goiana completa 10 anos: 2 milhões de veículos produzidos com investimentos de R$ 18 bilhões. Fotos: Divulgação.
Ao completar 10 anos de operação como uma das fábricas mais produtivas do País, o polo de Goiana soma investimentos já aplicados de R$ 18 bilhões e produção acumulada que este ano deverá passar de 2 milhões de unidades, 250 mil deles exportados para dezesseis países. Trabalhando em três turnos desde 2018, em 2024 a unidade produziu sozinha quase 10% de todos os veículos fabricados no Brasil.
A partir deste ano a fábrica começa a passar por novas transformações, como sugere Cappellano: “Muitos processos passarão por modificações para produzir os novos carros, mas por enquanto não vemos necessidade de ampliar a capacidade atual de 280 mil unidades por ano. O foco do investimento, desta vez, é nos produtos”.
A Stellantis calcula que o polo seja responsável por 60 mil empregos em Pernambuco, 6,4 mil deles diretamente na fábrica – número que dobrou em dez anos de operação – e quase 14 mil nos fornecedores.
A planta já tem 39 fornecedores na região e, segundo Cappellano, segue o plano de atrair pelo menos cem até a virada da década: “Estamos trabalhando nisso. Gostamos de produzir carros, produzir, esta é a nossa força no Brasil. Cerca de 70% de todos os veículos que vendemos hoje na América do Sul foram projetados pela nossa engenharia local”.