Produção de chassis de ônibus cresce 8% até abril

São Paulo – A produção brasileira de chassis de ônibus somou 10 mil unidades de janeiro a abril, alta de 8% na comparação com igual período do ano passado. O grande responsável por esse crescimento foi o programa Caminho da Escola, do governo federal, que registrou grande incremento nas entregas, como lembrou o seu vice-presidente Alexandre Parker:

“O Caminho da Escola tem puxado bastante o avanço da produção, uma vez que no ano passado tivemos poucas entregas e, em 2025, o volume entregue para o programa cresceu 450% até abril”.

Em abril foram produzidos 2,9 mil chassis, volume 2,4% superior ao de abril do ano passado, mas levemente menor do que o fabricado em março, com queda de 0,2%. 

As vendas somaram 7,7 mil unidades no primeiro quadrimestre, avanço de 32,4% na comparação com iguais meses do ano passado. Em abril foram emplacados 2,2 mil ônibus, alta de 26,8% sobre abril do ano passado e de 22,8% com relação a março:

“Junto com o crescimento puxado pelo Caminho da Escola também notamos que o segmento ainda se recupera da pandemia e algumas empresas estão renovando suas frotas de ônibus urbanos, rodoviários e de fretamento”.

As exportações somaram 2 mil unidades de janeiro a abril, incremento de 51,7% na comparação com iguais meses do ano passado. No mês passado foram embarcados 577 chassis de ônibus, volume 28,8% maior do que o de abril do ano passado, e 10,1% menor do que o embarcado em março.

Produção de caminhões volta a cair em abril e sinal de alerta é aceso

São Paulo – A produção de caminhões registrou mais uma queda em abril, com 11,7 mil unidades, recuo de 5,5% na comparação com igual mês do ano passado e de 6% com relação a março, de acordo com dados da Anfavea. Segundo Alexandre Parker, vice-presidente da entidade, a retração é reflexo de um ajuste realizado pelas montadoras:

“A produção foi menor para ajustar os estoques das fábricas e da rede de concessionários, uma vez que a demanda está baixa. Esse movimento reforça o sinal de alerta para o segmento e nos preocupa, mas ainda não é motivo para muita preocupação: temos que acompanhar o mercado de perto e entender como está a procura”.

No acumulado do ano a produção ainda é positiva em 4,3% na comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado, com 42,8 mil unidades. O crescimento foi sustentado pelo avanço das exportações: cresceram 79,3% de janeiro a abril, com 8,1 mil unidades. Em abril foram exportados 2,1 mil caminhões, volume 80,2% maior do que em idêntico mês do ano passado e 18,3% menor do que o resultado de março.

O mercado interno de caminhões somou 9,3 mil vendas em abril, volume 13,1% menor do que o de igual período do ano passado e 0,3% menor do que o vendido em março. O acumulado do ano, que era positivo até março, caiu para 0,4% até abril, com 37,1 mil caminhões. 

Esses números comprovam a demanda menor citada por Parker e, mesmo com a previsão de uma safra recorde de grãos em 2025, os transportadores não estão investindo em novos caminhões porque a taxa de juros está muito alta e tem afastado os clientes:

“Caminhão é ferramenta de trabalho e quem compra precisa de financiamento, seja por meio do Finame, que representa o maior volume das vendas, ou pelo CDC. Compras à vista representam uma pequena parcela e nos caminhões leves, pois dos médios para cima as compras a prazo são o que movimentam o mercado”.

Puxadas pela Argentina exportações crescem 45% no primeiro quadrimestre

São Paulo – As exportações de veículos brasileiros, que somaram 161,9 mil unidades de janeiro a abril, superaram em 44,8% o volume registrado no mesmo período do ano passado, 109,6 mil unidades. A razão: maior demanda da Argentina, principal parceira comercial do Brasil no setor.

De acordo com dados divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 8, na primeira entrevista coletiva à imprensa concedida pelo seu primeiro presidente executivo, Igor Calvet, a participação do mercado argentino nas exportações subiu de 34,8% no primeiro quadrimestre de 2024 para 59,1% este ano. A quantidade de veículos adquirida aumentou em 151% no período, para 95,7 mil unidades.

“Os dados que nos surpreendem e alegram foram influenciados pelo fim do imposto Pais, em dezembro do ano passado, aliado à alteração na legislação argentina para que veículos importados possam ser pagos em até trinta dias, e ajudado pela valorização do peso e pela desvalorização do real.”

O dirigente assinalou que trabalhará para fortalecer ainda mais as relações comerciais bilaterais, uma vez que as previsões para o mercado argentino, que eram de 500 mil unidades no ano, já apontam para 600 mil a 650 mil unidades, o que pode ser suprido, em parte, pelos produtos brasileiros e, assim, continuar estimulando os embarques.

Nos quatro meses iniciais do ano também se destacaram os envios ao Chile, com 8 mil unidades, alta de 22,9% diante de igual período de 2024, e ao Uruguai, com 11,5 mil unidades, incremento de 5,4%. A Colômbia comprou 9 mil veículos, aumento de 3%.

O México, em virtude das questões geopolíticas que envolvem o tarifaço de Donald Trump, reduziu as aquisições em 14,1%, totalizando 24,3 mil unidades.

Somente em abril foram embarcados 46,3 mil veículos, 69,3% acima do mesmo mês em 2024, 27,3 mil unidades, e 18,9% além de março, 38,9 mil.

Produção de veículos tem o melhor primeiro quadrimestre desde 2019

São Paulo – A produção brasileira de veículos somou, de janeiro a abril, 811,2 mil unidades, divulgou a Anfavea na quinta-feira, 8. O volume representa crescimento de 6,7% sobre o mesmo período do ano passado, 760,1 mil veículos, e o melhor primeiro quadrimestre desde 2019, antes da pandemia, 965,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus.

O desempenho do mercado doméstico e, mais ainda, a recuperação das exportações puxaram o ritmo das fábricas brasileiras, segundo o presidente executivo, Igor Calvet. Em abril foram produzidos 228,2 mil veículos, avanço de 2,8% sobre o mesmo mês do ano passado e de 20,1% sobre março.

Foi também o melhor abril desde 2019, quando a produção somou 267,6 mil veículos. E o maior volume de produção desde novembro, que registrou 236,1 mil unidades.

Calvet destacou a criação de 7,5 mil postos de trabalho, somente pelas montadoras, nos últimos doze meses. A indústria emprega 109,5 mil pessoas diretamente: “E há ainda o efeito indireto na cadeia”.

Fatores como o aumento da Selic, entretanto, ainda acendem o sinal amarelo. Segundo Calvet será avaliado o desempenho do segundo trimestre para, então, a Anfavea decidir se mexerá ou não em suas projeções, que indicam 2 milhões 750 mil veículos produzidos em 2025, alta de 7,8% sobre o volume do ano passado.

Ford sobe preços de carros nos Estados Unidos após tarifas de Trump

São Paulo – Os três modelos fabricados pela Ford no México terão seus preços reajustados nos Estados Unidos por causa das tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump. A montadora foi uma das primeiras a ajustar sua tabela de preços, segundo a Agência Reuters.

A picape Maverick, o Bronco Sport e o elétrico Mustang Mach-E terão reajustes de até US$ 2 mil em algumas versões. É o que consta em aviso enviado a concessionárias obtido pela agência de notícias.

A decisão se deu poucos dias após a empresa anunciar que os efeitos da guerra comercial de Trump adicionariam cerca de US$ 2,5 bilhões aos custos totais para 2025, e depois de suspender sua projeção de lucros anual.

Um porta-voz da Ford afirmou que os aumentos de preços afetarão os veículos fabricados após 2 de maio, que chegarão às concessionárias no fim de junho. Disse ainda que refletem as ações usuais de preços de meio de ano, combinadas com tarifas que estão enfrentando e que “não repassamos o custo total das tarifas aos nossos clientes”.

As tarifas de Trump desencadearam semanas de incerteza no setor automotivo, pois grandes montadoras nos Estados Unidos e na Europa reduziram suas previsões, mudaram a produção e fizeram com que empresas paralisassem fábricas.

Após semanas de resistência o presidente dos Estados Unidos suavizou suas tarifas sobre importações de autopeças estrangeiras para conceder às montadoras créditos pelo que é produzido localmente e evitar tarifas duplas sobre matérias-primas usadas na produção de automóveis.

No entanto o governo não revogou a tarifa de 25% sobre os 8 milhões de veículos importados anualmente.

Receita do Grupo BMW cai no trimestre, mas margem de lucro fica dentro do esperado

São Paulo — No primeiro trimestre de 2025 o Grupo BMW entregou 586,1 mil veículos premium aos clientes, leve recuo de 1,4% com relação aos primeiros três meses do ano passado, apesar da forte concorrência persistente na China. Em importantes mercados para a companhia, como Europa e Estados Unidos houve crescimentos de 6,2% e 4%, respectivamente.

Mais de um quarto destes veículos foram eletrificados, 27% ao todo, tendo os modelos 100% a bateria aumentado 32,4%. A margem EBIT no segmento automotivo, um dos principais indicadores de lucro da empresa, de acordo com ela própria, ficou em 6,9%, colocando-a no limite superior da faixa alvo de 5% a 7% para este ano. Em 2024 o porcentual foi 8,8%.

As receitas, de € 29,2 milhões, porém, ficaram 5,6% abaixo do mesmo período do ano passado.

O faturamento total do grupo no primeiro trimestre alcançou € 33,7 bilhões, queda de 8,7% em comparação a igual período no ano passado, o que foi atribuído ao mercado chinês altamente competitivo. O EBT, lucro antes de impostos, alcançou € 3,1 bilhões, recuo de 25,2%. A margem EBT neste período foi de 9,2%, enquanto que no mesmo período do ano passado foi de 11,4%. 

O lucro líquido do grupo no primeiro trimestre totalizou € 2 bilhões 173 milhões, diminuição de 26,4% frente ao período de janeiro a março de 2024.

As tarifas antissubsídios sobre veículos elétricos produzidos na China, introduzidas pela Comissão Europeia em outubro, aumentaram o custo das vendas, criando obstáculo na faixa de três dígitos de milhões de euros, conforme previsto pela companhia.

Para Oliver Zipse, presidente do Conselho de Administração da BMW AG, quanto mais desafiador o ambiente mais crucial é ter produtos atraentes, uma estratégia consistente e um alto grau de flexibilidade: “Nossa abordagem de tecnologia aberta continua sendo um fator-chave de sucesso: com nossos novos modelos e ampla gama de propulsores somos capazes de atender às diversas necessidades dos clientes em todo o mundo”.

Considerando apenas a marca BMW foram entregues 520,1 mil veículos de janeiro a março, 2% abaixo dos mesmos meses em 2024. A Mini, que atualizou sua gama de produtos ao longo do ano passado, vendeu 64,6 mil unidades, incremento de 4,1% no trimestre. A Rolls-Royce apresentou recuo de 9,4%, para 1,3 mil unidades.

Ram registra crescimento de 10% em abril

São Paulo – A Ram vendeu em abril 2,4 mil unidades, avanço de 9,5% na comparação com março. Com esse resultado a marca foi a décima-quinta mais vendida do ranking de automóveis e comerciais leves, de acordo com dados divulgados pela Fenabrave.

A Rampage, produzida em Goiana, PE, foi o modelo mais vendido, com 2 mil unidades emplacadas em abril. Este volume foi 9,4% maior do que o registrado em março e 13,2% acima do comercializado em abril do ano passado. 

De janeiro a abril a Ram também apareceu como a décima-quinta marca mais vendida de acordo com o ranking da Fenabrave, somando 8,9 mil unidades emplacadas. Nesse período a Rampage acumulou 7,2 mil vendas.

No segmento de picapes grandes, no qual a Ram oferta as 1500, 2500 e 3500, a marca encerrou o quadrimestre na liderança de vendas, segundo comunicado.

Nova versão

Durante a trigésima Agrishow a Ram apresentou a nova configuração da 1500, a Laramie Night Edition, com motor 3.0 biturbo de 426 cv de potência e acabamento exclusivo.

Mercado chileno reverte queda e cresce no primeiro quadrimestre

São Paulo – Após o fechamento de abril o mercado de automóveis e comerciais leves do Chile reverteu a queda registrada até março, com alta de 0,4% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2024. De janeiro a abril foram comercializados 97 mil veículos, segundo dados divulgados pela Anac, entidade que representa o setor automotivo local.

A recuperação foi puxada pelo bom resultado de abril, o segundo mês seguido de alta nas vendas, com 26,1 mil unidades, expansão de 2,5% sobre igual mês do ano passado. Com relação a março houve alta de 8,7%. 

No primeiro quadrimestre a Toyota liderou o mercado com 7,7 mil vendas, seguida de perto pela Suzuki que vendeu 7,6 mil. Em terceiro lugar ficou a Hyundai com 6,4 mil.

Pesados

O mercado de caminhões, que vive momento diferente e registrou crescimento desde o começo do ano, encerrou o primeiro quadrimestre com alta de 10% sobre igual período do ano passado e 4,1 mil unidades vendidas. Em abril as vendas somaram 1 mil caminhões, alta de 1,6% na comparação com o mesmo mês de 2024 e de 6,8% sobre março.

No segmento de ônibus as vendas de janeiro a abril chegaram a 750 unidades, alta de 4% com relação a idêntico meses do ano passado. Em abril foram vendidos 183, crescimento de 22% sobre abril de 2024 — na comparação com março houve queda de 11,2%.

Mobensani investe em tecnologia para seguir crescendo dois dígitos por ano

São Paulo – A história da Mobensani, que fabrica peças em metal borracha para suspensões em Guarulhos, SP, mostra que não há idade para empreender. E que a gestão familiar pode, sim, dar certo. O ano era 1987 e Amir de Azevedo, então sócio de grupo empresarial que incluía a Mobensani, com 1% do capital, ficou com a empresa, existente desde 1964, quando houve a cisão. Aos 50 anos de idade incluiu suas duas filhas no negócio e, após recalcular a rota do que seria produzido, optou por fornecer ao setor automotivo, e exclusivamente ao mercado de reposição.

38 anos depois a empresa, que há 15 cresce dois dígitos anualmente, busca ampliar em 27% seu faturamento, para R$ 500 milhões, a partir da fabricação de 25 milhões de itens em 2025, quando serão investidos R$ 25 milhões, principalmente em tecnologia, na aquisição de maquinários, a fim de deixar a fábrica em linha com a indústria 4.0.

Para os próximos dois anos o plano é dobrar a parcela exportada para 10% da produção e inaugurar novo centro de distribuição que acomode melhor os produtos e ofereça maior automação, o que está orçado em outros R$ 50 milhões.

Quem destacou os números e relembrou a trajetória a Agência AutoData foi Simone de Azevedo Franzo, diretora e sócia da Mobensani, hoje com 55 anos, que ingressou na empresa aos 19. Tudo começou em galpão alugado de 1 mil m² no bairro guarulhense de Cumbica. Da linha de metal borracha, carro-chefe dos dias atuais, havia apenas catorze itens. À época eram produzidas peças de bomba vibratória para puxar água de poço e borracha de freio de bicicletas.

Com o passar do tempo importante cliente verticalizou a fabricação de componentes da bomba e os chineses invadiram o mercado com os itens de ciclismo a preços competitivos, o que levou os Azevedo a redirecionarem a produção ao setor automotivo, ramo em que o pai tinha experiência profissional.

O portfólio então passou a cinquenta itens, posteriormente dobrou de tamanho, e a empresa mudou-se para São Paulo, em área de 2 mil m². Como o espaço não era horizontal e estava em área residencial, o retorno a Guarulhos não tardou muito.

Fábrica de peças em metal borracha para suspensão da Mobensani em Guarulhos, instalada em área total de 33 mil m². Foto: Divulgação.

Em 2005 a família adquiriu galpão em outro bairro, Bonsucesso, e alugou o terreno ao lado, em espaço ocupado até hoje, composto por área de 33 mil m², em que 3 mil variedades de itens são produzidas, como coxins de câmbio, coifas de amortecedor e buchas de suspensão que atendem ao aftermarket de carros de passeio, caminhonetes e VUCs.

E desde o ano passado, relatou a diretora, tornou-se crescente a preocupação com compliance, governança e sustentabilidade, o que motivou a reformulação da marca: “Hoje somos uma empresa alinhada com ESG. Este ano a Mobensani foi chancelada com o selo A+ pela Receita Federal, o que significa que estamos em conformidade com o pagamento de impostos e livre de problemas com a aduana. Isto dá credibilidade”.

Ela mencionou também iniciativas como o tratamento de resíduos e o que chama de sua menina dos olhos, o projeto Abraça Brasil, em que todos os meses um porcentual do faturamento é dedicado a instituições indicadas por clientes.

Motivada pela maior produtividade e também pela dificuldade de ampliar a mão de obra Franzo contou que a empresa, hoje com seiscentos profissionais e 32 vagas em aberto, tem focado no investimento para a aquisição de máquinas, como injetoras, scanner 3D, e de pintura – tudo importado de Taiwan.

No ano passado foram aportados R$ 23 milhões, quando a produção alcançou 20 milhões de unidades e o faturamento cresceu 23%. Para este ano é projetada a expansão de 27% na receita, para R$ 500 milhões, em meio a investimento de R$ 25 milhões e com o objetivo de fabricar 25 milhões de peças.

“O mercado de reposição no Brasil é único, é igual jabuticaba. Por este motivo só vemos crescimento para a Mobensani. E mesmo com o avanço da eletrificação nada muda no nosso faturamento, pois carros elétricos também têm suspensões e peças de borracha.”

Atual centro de distribuição da Mobensani está próximo de ocupar capacidade total, o que demanda novo espaço, previsto para 2027. Foto: Divulgação.

A empresa explora, ainda, a reposição na América do Sul, sendo que em torno de 5% do que é fabricado em Guarulhos é embarcado a países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Equador, Venezuela. O plano é dobrar o porcentual em dois anos, ao buscar também o mercado estadunidense:

“Nos Estados Unidos as peças são diferentes. Vamos desenvolver itens específicos para lá, pois desde a pandemia notamos maior procura por novos fornecedores”.

Com volume de lançamentos de cem a 130 peças por ano o centro de distribuição está ficando pequeno e, para tanto, Azevedo contou que está orçando a construção de novo armazém em área de 15 mil m², “com o máximo de automação”. Com investimento necessário de R$ 50 milhões plano é começar a construí-lo até 2027.

Ano de festa para a Yamaha

São Paulo – O ano é de festa para a Yamaha: a fábrica de Manaus, AM, completa, em 2025, 40 anos. No Brasil a empresa está há um pouquinho mais de tempo, chegou em 1970 e quatro anos depois começou a produzir em Guarulhos, SP, sua primeira unidade produtiva fora do Japão. De lá saiu a RD-50, a primeira motocicleta nacional.

Recentemente a companhia promoveu a reorganização de sua estrutura local ao transferir sua sede, que ainda estava em Guarulhos, para a Capital paulista, em um escritório no bairro Cidade Jardim:

“Não fazia muito sentido continuar lá: estávamos em uma fábrica que não era mais fábrica”, disse Rafael Lourenço, gerente de relações institucionais da Yamaha. “Mas Guarulhos tem um lugar especial no coração da Yamaha”.

A conversa com Lourenço marca o início da seção Agência AD Entrevista, com oferecimento da Stellantis. Todos os meses a Agência AutoData fará entrevistas de segmentos que não estão necessariamente no centro, mas são importantes para a cadeia automotiva. Começamos com o de motocicletas que já vem há anos registrando crescimento consistente.

Acompanhe os principais momentos da conversa com Rafael Lourenço, gerente de relações institucionais da Yamaha.

As vendas de motocicletas chegaram perto de 2 milhões de unidades no ano passado. A Fenabrave e a Abraciclo acreditam que deverão superar este volume pela primeira vez na história em 2025, que, até março, registrou quase 500 mil motocicletas vendidas. O que vem puxando as vendas da indústria?

O mercado vive um momento positivo desde antes da pandemia. Todo mundo caiu durante a pandemia e as vendas de motocicletas continuaram crescendo. E existem alguns fatores que puxam. Um deles é o preço do veículo de quatro rodas: o carro ficou caro no Brasil. Então você adquirir, fazer manutenção, abastecer um carro é caro. A motocicleta é uma alternativa mais econômica, o custo de aquisição é menor, a manutenção e o abastecimento também. Temos outro motivo que é o mercado de delivery no Brasil, e eu acho que por último, e não menos importante, é que a motocicleta caiu no gosto do brasileiro e também das brasileiras. São dados da Abraciclo: quando você pega a última década houve aumento de mais de 60% de emissões de habilitações A por mulheres e para homens na faixa de 30% a 35%. A gente que está aqui, em São Paulo, vê isso no dia a dia.

Quais faixas de mercado estão com melhor desempenho?

Quase 80% do mercado estão naquela faixa de 100 a 250 cm3 de cilindrada. É este segmento que continua crescendo quando a gente fala do mercado de delivery: a grande maioria das motocicletas vendidas para estes profissionais está dentro deste segmento. E tem o de scooters: a motocicleta caiu no gosto brasileiro e o scooter ainda mais. Antigamente você não tinha no Brasil um grande mercado, até culturalmente não fazia parte da cultura do motociclismo brasileiro. Sempre foi uma coisa muito mais da Ásia. Mas de 2015, 2016 pra cá isto vem mudando. Hoje a quantidade de scooters na rua é enorme.

Um dos importantes motores do mercado de motocicletas é o financiamento. Com o aumento da Selic, que já chegou a 14,25%, existe algum risco de desaquecimento nas vendas do segmento? Qual poderá ser o impacto na Yamaha?

Se você pegar o histórico da Selic desde 2022 ela está num patamar acima de 13%, bastante elevado. E apesar deste patamar elevado continuamos vendo o crescimento do mercado de motocicletas. Na prática, então, este aumento não tem afetado as vendas. Claro que estamos olhando para este aumento da Selic com cautela, o mercado é muito dependente do financiamento, mas o fato é que não tem impactado de forma tão significativa o mercado de motocicletas. 

Nos últimos anos a falta de chuvas na região de Manaus, onde está instalado o Polo Industrial de duas rodas brasileiro, chegou a afetar a produção. Como a Yamaha fez para contornar, ou minimizar, a situação? O que está planejado para 2025?

Em 2023 a seca foi a pior seca da história, até aquele momento, e pegou todo mundo no Polo Industrial de Manaus meio de surpresa. Algumas empresas pararam a produção. Não foi o caso da Yamaha, mas precisamos mudar as datas de férias coletivas e tivemos dificuldades para entregar o plano de produção. Acabou sendo um ano de aprendizado para todas as empresas do Polo. Mas aí veio 2024 e novamente a pior seca da história, bateu 2023. A diferença é que tínhamos aprendido as lições, não só a Yamaha: acho que todas as empresas do polo ajustaram seus modelos de negócio, consideraram um porcentual maior de transporte aéreo, geriram melhor o estoque, até aumentaram um pouco o nível para poder ter uma blindagem. Os portos de Manaus também aprenderam a lição, criaram estruturas flutuantes e levaram estas estruturas para o ponto do rio até onde o navio chegava. Muitas empresas daquele ponto dos portos flutuantes em diante já fizeram um transbordo, toda a parte alfandegária, parte de desembaraço e dali muitas vezes seguiam ou em balsas ou em rodovias. Em linhas gerais foi isso: arranjos logísticos, aéreos, entrou um modal rodoviário que talvez não houvesse antes, as autoridades também se ajustaram, algum aumento no nível de estoque e nos ajustamos à nova realidade.

Como está a operação industrial da Yamaha em Manaus? 

Em 2025 completamos 40 anos na Amazônia, é um ano de festa para nós. Temos uma operação lá muito grande, com capacidade instalada da ordem de 350 mil motocicletas por ano, sem ociosidade: a fábrica está rodando a pleno vapor. São quinze galpões, 125 mil m² de área construída, mais de 4 mil empregos gerados pela Yamaha. É uma operação em momento de crescimento.

Há alguma expansão planejada ou por enquanto trabalhará nesta capacidade?

Por ora trabalharemos nesta capacidade e, dependendo de demandas do mercado, avaliaremos internamente se será necessário expandir.

Nos países vizinhos do Brasil é forte a presença de motocicletas asiáticas, sobretudo das chinesas. Sabemos que a falta de harmonização regulatória é um dos motivos para que o produto brasileiro não seja competitivo na região, pois motos menos seguras e mais poluentes são vendidas em outros mercados, a preços mais baixos por terem menos tecnologia. Como a Yamaha tem feito para conseguir exportar? Quais são os mercados alvo?

O Brasil hoje tem uma das regulações de emissões mais sofisticadas do mundo, alinhada com o Euro 5 da Europa. Mas o mesmo não acontece em alguns países vizinhos e gera dificuldade, porque para estar em conformidade com o Promot 5 foi preciso fazer uma série de investimentos tecnológicos na linha de produção e no produto, que fazem com que a motocicleta fique mais cara. Mais tecnologia embarcada, mais custo. E o fato de os países vizinhos não terem essa obrigatoriedade faz com que as suas motocicletas sejam mais baratas. A solução é exportar para países da Europa, Estados Unidos, Canadá, Oceania.

No ano passado a Yamaha apresentou scooters eletrificadas. Qual é a visão de eletrificação da Yamaha para o segmento de duas rodas? E em que velocidade acha que chegará ao Brasil? 

A Yamaha assumiu um compromisso, já há alguns anos, de se tornar carbono neutro até 2050. Então existe uma corrida dentro da companhia para primeiro reduzir, cortar ao máximo as emissões, e quando chegar no limite começar a neutralizá-las. Dentro deste contexto vem a Neo’s, a primeira motocicleta elétrica da Yamaha no mercado brasileiro. Entendemos que a tecnologia elétrica é importantíssima para fazer esta transição para a economia de baixo carbono no segmento de transporte. A Yamaha acredita na eletrificação mas também em outras frentes tecnológicas, como por exemplo os motores de combustão a hidrogênio.

Quais são os planos no curto prazo para a eletrificação no Brasil? 

A produção da Neo’s já começou. Temos orgulho de fabricar esta motocicleta no Polo Industrial de Manaus. Lá cumprimos uma série de obrigações com o governo em termos de industrialização, então esta motocicleta precisará ter mais itens nacionalizados conforme for crescendo o volume de vendas. De toda forma a Yamaha acredita no mercado brasileiro em termos de eletrificação e quem ditará a velocidade do desenvolvimento deste mercado é o consumidor.