Parceria Renault Geely estreia em julho com EX5 e 23 concessionárias

São Paulo – A primeira de três etapas da parceria da Renault com a Geely no mercado brasileiro, anunciada em fevereiro, terá início efetivo em julho, quando 23 concessionárias serão abertas em dezenove cidades para comercializar o EX5, SUV 100% elétrico montado sobre a mais moderna plataforma da montadora chinesa.

Como contou Luiz Fernando Pedrucci, CEO da Renault América Latina, com o acordo a Geely “pegou um atalho” para alcançar o consumidor brasileiro: toda a estrutura da Renault na área de distribuição e pós-venda será compartilhada com os chineses. Grupos concessionários com parceria com a Renault têm a preferência, neste momento, para representar a Geely.

“São mais de 25 anos de experiência no Brasil”, disse Michael Gao, diretor geral da operação Geely na América Latina. “É uma empresa que conhece muito bem, estamos nas mãos de quem sabe como vender aos brasileiros”.

As negociações começaram há cerca de dois anos, de acordo com Pedrucci, em extremo sigilo: os executivos chegavam a viajar disfarçados para que as conversas não vazassem. A ideia é, em uma segunda etapa, que a Geely adquira uma fatia da Renault do Brasil e tenha acesso ao Complexo Ayrton Senna, para que possa produzir seus modelos em São José dos Pinhais, PR. Tudo depende, no entanto, das aprovações dos órgãos reguladores em diversos países, razão pela qual os executivos alegam não poder entrar em pormenores.

O que foi anunciado é que, após a inauguração das 23 revendas na primeira fase, seja feita a expansão até que se chegue a 105 concessionárias. Naturalmente o portfólio aumentará, sempre com veículos eletrificados – híbridos também estão nos planos.

A parceria não significa complementaridade de portfólios, no entanto: Pedrucci enfatizou que em alguns casos produtos Renault e Geely competirão no mercado: “A Geely buscará seus clientes da mesma forma que a Renault faz com os seus. A diferença é que o Grupo Renault, no Brasil, trabalha com duas marcas e fará uso das sinergias possivelmente alcançadas”.

Gao, da Geely, ressaltou também que as operações das outras duas marcas do Grupo presentes no País, Volvo Cars e Zeekr, são independentes. A Geely ainda tem em seu guarda-chuva global Link&Co, Polestar, Lotus e Smart.

Concessionárias Geely serão instaladas próximas a casas Renault, mas sempre com showroom e equipe de vendas separadas. Em alguns casos poderá haver compartilhamento da área do pós-vendas, e em outros as revendas Geely serão independentes. Os desembarques dos EX5 serão feitos por Paranaguá, PR, onde a Renault faz suas operações de comércio exterior.

Os primeiros modelos que chegarem deverão ainda pagar o imposto de importação mais baixo: a partir de julho os eletrificados pagarão alíquota mais alta.

Toyota reforça aposta no etanol como caminho para a descarbonização

São Paulo – Com as obras de expansão da unidade produtiva de Sorocaba, SP, a todo o vapor, a Toyota reforçou, durante o Congresso AutoData Megatendências 2025, sua confiança no etanol como a trilha para alcançar metas de descarbonização. Roberto Braun, seu diretor de comunicação corporativa e ESG, disse que a aposta da companhia é de soluções diferentes para cada local, a depender de sua matriz energética e das necessidades dos consumidores.

O Brasil, com ampla produção de biocombustíveis e uma longa história no uso de etanol, é apresentado como um exemplo positivo, pois evita a concorrência da produção de alimentos com a de biocombustíveis. 

“Um exemplo muito claro: um Corolla com motor híbrido flex abastecido com etanol emite cerca de 70% menos CO2 do que um veículo com motor convencional abastecido com gasolina.”

A solução brasileira gera interesse crescente por biocombustíveis em outros países, como a Índia e o Japão, que buscam seguir o modelo brasileiro, segundo informou Braun. 

Expansão em Sorocaba e exportações

Com relação à operação no Brasil o diretor garantiu que o SUV compacto, com tecnologia híbrida flex, será lançado este ano – ele era aguardado para o final de 2024. A produção em Sorocaba é estratégica para os negócios da Toyota, que em 2024 exportou 34% de seu volume para 23 países.

“Temos planos de manter nossas exportações nesta faixa, de 34% a 40%, diante de um setor que exporta em média 15% de sua produção.”

Fotos: Patrícia Caggegi.

Híbridos flex são enviados comercialmente apenas para o Paraguai, país que já detém uma boa infraestrutura de abastecimento de etanol. Mas a Toyota também enviou protótipos para testes para Indonésia, Índia e Colômbia. 

Na Índia, especialmente, Braun percebeu o setor automotivo e o governo muito interessados na tecnologia do etanol. Eles também estiveram no Brasil em missões para entender como funciona o ecossistema do etanol brasileiro. Foram à usina de etanol, visitaram uma distribuidora e entenderam ser uma solução viável.

“O Brasil tem uma indústria, tecnologia que utiliza o etanol e a gasolina em qualquer proporção no tanque de combustível. E também uma série de políticas públicas que foram adotadas para promover produção, venda de etanol e venda de veículos flex. Então não basta a Índia produzir etanol e introduzir os carros flex: eles têm que entender todo esse arcabouço regulatório que o Brasil tem, e que isso realmente foi determinante para a gente chegar onde está hoje.”

Braun cita ainda a Colômbia como grande produtor de cana-de-açúcar. Se uma parte desta produção for utilizada para o etanol ele enxerga um grande potencial para virar essa chave, passar a ter etanol distribuído pelos postos de combustível e a comercializar por lá o carro flex e o carro híbrido flex.

“Nesta condição o Brasil já exporta para a Colômbia. Passaria, então, a exportar o veículo flex e o híbrido flex produzido aqui no Brasil. Da mesma forma a Bolívia, que tem produção de cana, e a Argentina, que tem produção de etanol, com cerca de 50% do etanol vindos da cana e 50% do milho. Por lá há uma mistura de 12% de etanol, que poderia aumentar.”

Exportações do primeiro trimestre crescem 41%, estimuladas por recuperação da Argentina

São Paulo – As exportações de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus avançaram 40,6% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2024, com o embarque de 115,6 mil unidades. O resultado retoma o patamar de 2023, quando haviam sido enviados a outros países 114,2 mil veículos.

De acordo com dados da Anfavea, divulgados em coletiva de imprensa na terça-feira, 8, o desempenho foi impulsionado pela recuperação do mercado argentino, que ampliou em 120% as compras de veículos brasileiros, com 67,3 mil unidades, respondendo por fatia de 58%. Nos primeiros três meses do ano passado o país adquiriu 30,7 mil veículos, ou 37% do total.

“Há sete anos o mercado da Argentina projetava 1 milhão de veículos”, afirmou Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea. “No entanto chegou a 300 mil unidades e, em 2025, deverá alcançar 500 mil unidades. E o Brasil é o principal exportador de veículos para o país”.

As vendas para o Uruguai, terceiro maior cliente do Brasil, com fatia de 8%, também cresceram 14%, para 8,8 mil unidades, e para o Chile avançaram 8%, para 5,7 mil unidades e participação de 5%.

Na análise mensal, no entanto, houve recuo de 19% nas exportações em março frente a fevereiro, somando 38,9 mil veículos. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, porém, as vendas externas cresceram 19%.

Lima Leite chamou atenção ao fato de que, com a decisão de Donald Trump de sobretaxar diversas economias pelo mundo, inclusive o México, que tem um mercado de 2 milhões de unidades mas exporta 3,2 milhões de veículos, o volume ocioso deverá ser enviado a países da América Latina.

“O mais grave nisto é que para utilizar a capacidade ociosa do México investimentos que seriam feitos em países latinos, inclusive o Brasil, deverão ser redirecionados para as fábricas mexicanas.”

Em valores as exportações do trimestre cresceram 30%, para US$ 3,1 milhões, ao passo que as de março empataram com as de fevereiro, com US$ 1,1 milhão, e cresceram 26,5% com relação ao mesmo mês de 2024.

Quanto às importações a expansão nos três primeiros meses de 2025 foi de 25,1%, totalizando 112,8 mil veículos. A maior parte, 47%, veio da Argentina, quase 53 mil unidades. Seguida da China, que respondeu por fatia de 28%, com 32,1 mil — “Apenas 22,6 mil unidades vieram de outros países que não Argentina e China”.

GWM confirma inauguração de Iracemápolis no primeiro semestre

São Paulo – Em meio a tensões das guerra tarifárias Andy Zhang, presidente da GWM Brasil e México, reforçou os planos da empresa para o Brasil. Durante o Congresso AutoData Megatendências 2025 o executivo confirmou que o início do processo de produção da fábrica de Iracemápolis, SP, está agendado para o primeiro semestre, com capacidade instalada inicial de 30 mil veículos por ano, chegando a 50 mil unidades.

Mas o início da produção não significa a chegada dos carros nacionais às concessionárias: de acordo com Zhang a cerimônia de inauguração e os primeiros protótipos saindo da linha de montagem estão marcados para o primeiro semestre, mas ainda em fase de pré-produção. No terceiro trimestre chegam os veículos finais, aqueles que serão enviados às concessionárias.

O total de trabalhadores chegará aos oitocentos até o fim do ano. Somado a isto são mais de cem fornecedores locais cadastrados, incluindo de baterias para híbridos. A meta de conteúdo nacional é de 60%, mas haverá um escalonamento.

Os primeiros modelos que serão fabricados são os da linha Haval H6. Todas as versões do SUV serão produzidas no País, incluindo os HEV2, PHEV19, PHEV 34 e GT, todos híbridos. Para iniciar a produção o mais rápido possível os utilitários serão lançados com motores a combustão movidos a gasolina: os híbridos flex serão lançados em 2026.

“Nós produziremos no Brasil uma tecnologia híbrida no estado da arte dentre as disponíveis globalmente, indo do híbrido puro ao GT plug-in híbrido, com uma autonomia elétrica de 170 quilômetros”.

Fotos: Patrícia Caggegi.

A localização da produção do Haval é uma aposta segura na opinião de Zhang, porque foram vendidas mais de 9,5 milhões de unidades do SUV desde o seu lançamento. Na China a linha é líder de mercado há onze anos consecutivos. É um volume que ganha contornos mais expressivos ao analisarmos o total de carros GMW vendidos historicamente: “Após 41 anos de desenvolvimento a GWM ganhou a confiança de 15 milhões de usuários ao redor do mundo”.

A linha de produção não será dedicada apenas aos Haval pois a picape média Poer também está confirmada: sua chegada pode ser no fim do ano ou no início do ano que vem, ainda a confirmar. É outra jogada segura, uma vez que o segmento é um dos mais aquecidos, disse o presidente: “As picapes da GWM venderam mais de 2,7 milhões de unidades globalmente, mantendo a liderança, tanto em vendas quanto exportações, por 27 anos consecutivos”.

Zhang lembrou da trajetória da empresa até os dias atuais: “A GWM foi fundada em 1984 e, ao longo dos anos, cresceu de uma companhia pequena com sessenta funcionários para uma corporação global com 90 mil empregados no mundo todo”.

O executivo ainda reforçou que as “vendas anuais cresceram de apenas 1 mil unidades para mais de 1 milhão, enquanto a receita chegou aos US$ 27,9 bilhões”.

Uma das razões do crescimento rápido estaria no investimento maciço em pesquisa e desenvolvimento, segundo Zhang: “Nós investimos US$ 1,4 bilhão em pesquisa e desenvolvimento, com 30% da nossa força de trabalho dedicada a isso. Nós temos centros de P&D em sete países, incluindo o Estados Unidos, Japão e Alemanha”.

O Brasil será o próximo país a receber seu centro, no mesmo terreno da fábrica paulista.

Foton inicia montagem de caminhões em Caxias do Sul

São Paulo – A Foton iniciou sua operação em CKD no Brasil na terça-feira, 8: a linha de montagem foi instalada na fábrica da Agrale em Caxias do Sul, RS. Serão montados os modelos os leves Aumark S 715 e S 916, o semileve Aumark S 315 e o médio Aumark S 121. Todos são comercializados aqui pela Foton desde 2024.

De acordo com Fábio Pontes, diretor de operações da Foton, que será responsável por coordenar a fábrica, a linha de montagem é moderna e altamente eficiente, uma estrutura totalmente nova:

“Ela será abastecida com peças e componentes de alta tecnologia. Cada caminhão percorrerá oito estações em linha e quatro estações fora da linha, garantindo máxima qualidade em cada pormenor. Em um ciclo de apenas 20 horas transformaremos peças, tecnologia e inovação em veículos eficientes e robustos, prontos para rodar pelas estradas do Brasil”.

Caminho da Escola e urbanos puxam produção de chassis de ônibus

São Paulo – A produção de chassis de ônibus no primeiro trimestre somou 7,2 mil unidades, expansão de 10,5% sobre iguais meses do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na terça-feira, 8. Segundo Igor Calvet, diretor executivo, o avanço na produção é reflexo da alta demanda em alguns segmentos:

“O programa Caminho da Escola deu um impulso relevante para a produção e para as vendas até março. O segmento urbano também foi relevante, mas em menor proporção”.

Em março foram fabricados 2,9 mil chassis, expansão de 9,7% sobre março do ano passado e alta de 15,9% na comparação com fevereiro.

As vendas no primeiro trimestre somaram 5,5 mil unidades, volume 34,7% maior do que o comercializado em iguais meses de 2024. Em março os emplacamentos chegaram a 1,8 mil chassis, alta de 11,1% sobre igual mês do ano passado e queda de 8,1% com relação a fevereiro. 

Foram exportados 1,4 mil chassis de janeiro a março, incremento de 63,4% sobre iguais meses do ano passado. Em março os embarques somaram 642 unidades, volume 58,9% maior do que o de idêntico mês do ano passado e 31,6% maior do que o embarcado em fevereiro.

Rubens Barbosa analisa os efeitos do tarifaço de Trump sobre o Brasil

São Paulo – Após analisar as medidas mais recentes do governo Donald Trump, em especial o tarifaço aplicado a quase todos os mercados globais, o ex-embaixador e CEO do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa, situou o mercado brasileiro e os impactos sobre os diferentes setores durante o Congresso AutoData Megatendências 2025, realizado em São Paulo, na terça-feira, 8. 

Os produtos diretamente afetados pelas tarifas foram o aço, o alumínio, automóveis e autopeças em 25%. Por exemplo: o etanol, que tinha tarifa de importação de 2%, passou para 12%. Na visão de Barbosa poderá ocorrer ainda uma coordenação com o setor privado, sobretudo o automotivo, para encaminhar uma posição e para negociar com os Estados Unidos.

Fotos: Patrícia Caggegi.

“O Brasil não tem cacife para retaliar, tomar medidas que possam determinar contramedidas americanas que poderão incidir sobre a economia brasileira.” 

Na sua visão o Brasil tem que negociar, ver o que é possível fazer, ver o que acontecerá nos Estados Unidos, porque a negociação será para, no caso do Brasil, rebaixar os 10%. 

Oportunidades e riscos

O ex-embaixador enxerga oportunidades e riscos nessa situação. Ele vê uma grande oportunidade para o agronegócio brasileiro porque a China buscará em outros mercados e o Brasil poderá se beneficiar disto. Poderá também haver uma negociação para menor tarifa do aço, o que interessa à indústria dos Estados Unidos. 

Com relação aos riscos o setor automotivo poderá ser um dos afetados com o desvio de comércio à medida que países afetados, como os europeus, China e México, procurarão novos mercados e o brasileiro é um dos alvos.

Além desta questão do desvio de comércio o Brasil sofrerá com o menor crescimento global, e essa desaceleração levará a uma queda das exportações brasileiras. 

A inflação nos Estados Unidos deverá aumentar, as taxas de juros continuarão elevadas e poderão levar a um efeito no preço das commodities, o que é muito importante para o Brasil. 

Por outro lado, esta nova geopolítica deve acelerar novos acordos e principalmente da União Europeia com o Brasil: “Temos que procurar outros países asiáticos. Nós assinamos um acordo com Cingapura, e vemos oportunidades com Vietnã e Indonésia”.

Proatividade

Nesse contexto conturbado no mundo inteiro e nas dificuldades que o Brasil enfrenta na formulação de políticas públicas, o setor privado brasileiro depende muito das ações governamentais. 

O recado de Barbosa para o setor automotivo é: “Vocês deveriam se coordenar e não esperar ações do governo. O setor privado não deve pensar apenas em medidas defensivas e sim em medidas proativas, uma agenda na área de comércio exterior para pensar na competitividade e na produtividade”.

Indústria acende sinal de alerta com a queda na venda de caminhões pesados

São Paulo – As vendas de caminhões pesados caíram 7% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Anfavea. O recuo acendeu luz amarela de acordo com Igor Calvet, diretor executivo da entidade:

“Existe uma tendência de queda para o segmento, pois notamos um recuo desde o começo do ano na demanda. Mesmo com expectativa de super safra em 2025 isto não se refletiu em mais vendas de caminhões pesados para o escoamento da produção”.

Segundo Calvet o agronegócio nacional segue uma tendência de maior endividamento e o preço das commodities está estável. Isso se soma ao cenário global conturbado e a elevação dos juros no Brasil, este o último o principal ponto para uma retração na demanda por caminhões pesados.

Considerando todo o segmento de caminhões, as vendas ainda seguem em alta no acumulado, com crescimento de 4,8% no trimestre e 27,7 mil unidades comercializadas, em linha com o volume dos últimos anos. Mas segundo Calvet o mercado foi sustentado por negócios fechados em 2024 e a expectativa é de volumes menores para os meses seguintes.

Em março foram vendidos 9,4 mil caminhões, alta de 4,5% sobre fevereiro e queda de 5,2% na comparação com março do ano passado. 

A produção já começou a sentir os efeitos de uma demanda menor para os próximos meses, com 11,7 mil unidades fabricadas em março, volume 2,1% menor do que em fevereiro, mas 4,4% maior do que em março do ano passado. O diretor executivo da Anfavea disse que essa desaceleração de um mês para o outro indica que os pedidos chegarão em ritmo menor nos próximos meses. 

Mesmo com esse cenário mais pessimista para os próximos meses no trimestre houve alta de 8,2% na produção, com 31,7 mil veículos fabricados, mas é necessário ressaltar que esse ritmo produtivo foi sustentado por pedidos recebidos no ano passado.

As exportações de caminhões somaram 5,9 mil unidades no trimestre, alta de 79% sobre iguais meses do ano passado. Em março foram embarcadas 2,6 mil unidades, volume 91,5% maior do que o de mesmo mês do ano passado e 13,5% superior ao de fevereiro.

Descarbonização deverá criar 10 milhões de empregos até 2040

São Paulo – Até 10 milhões de empregos deverão ser criados em áreas que promovem a descarbonização na indústria brasileira de 2025 a 2040. É a estimativa da CNI, Confederação Nacional da Indústria, apresentada pelo gerente de transição ecológica em inovação do CNI Senai, Alessandro Pansanato Rizzato, durante a abertura do Congresso AutoData Megatendências 2025 na terça-feira, 8.

Segundo ele a maior parte dos postos de trabalho, 3,5 milhões, deverá ser gerada nos setores de bioeconomia e biotecnologia:

“Aqui no País temos condições de produzir biocombustíveis avançados sem atrapalhar a questão da segurança alimentar. Não à toa o Brasil é o segundo maior produtor de biocombustíveis, atrás dos Estados Unidos”.

Ele contou, sem dar pormenores quanto à identidade, que uma companhia fechou acordo com o Senai para montar um centro de pesquisas, e que possui a intenção de construir vinte unidades para produzir etanol de segunda geração.

“Existe a perspectiva de a empresa contratar duzentos funcionários para cada uma delas, sendo que 30% desses profissionais serão engenheiros de tecnologia”, disse Rizzato, ao lembrar-se do risco de apagão nesta área, uma vez que não há tanta mão de obra disponível na área.

Fotos: Patrícia Caggegi.

Outra parcela significativa de empregos deverá ser criada no segmento de agricultura sustentável, com 2 milhões de vagas: “Vemos, por exemplo, caminhões a biogás avançando para dentro das propriedades, o que é um bom sinal”.

De acordo com o levantamento da CNI segmentos que também deverão gerar números expressivos de postos de trabalho serão infraestrutura e adaptação climática, com 1,6 milhão de vagas, transição energética, com 1,4 milhão, economia circular, com 1,2 milhão, indústria e mobilidade, com 700 mil e, outros, 300 mil.

“Entendemos que políticas de incentivo à ciência, tecnologia e inovação, a exemplo do Programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, poderão potencializar o avanço deste segmento.”

Para Rizzato a indústria é o motor da mudança para a economia de baixo carbono e a Europa pode ser grande parceira do Brasi pois “já temos uma indústria de etanol bem estabelecida e vemos a do biogás e biometano se consolidando. Gosto da lógica de complementariedade como forma de buscar adensamento das cadeias que nos coloquem cada vez mais no cenário global”.

Produção cresce no primeiro trimestre mas cai em março

São Paulo – Apesar da queda na produção em março, 2,9% na comparação anual e 12,6% na mensal, somando 190 mil unidades, o ritmo das linhas de montagem brasileiras foi 8,3% superior no primeiro trimestre, com relação aos primeiros três meses de 2024.

Segundo a Anfavea, que divulgou seu balanço na terça-feira, 8, foram produzidos 582,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus de janeiro a março.

O presidente Márcio de Lima Leite disse que a queda de março foi resultado da menor quantidade de dias úteis, por causa do carnaval, e para ajustar estoques – em março a redução foi de 8 mil unidades, segundo os cálculos da entidade.

Foram criadas 2,3 mil vagas de trabalho desde o começo do ano, ponto que foi destacado pelo presidente da Anfavea. Em um ano foram quase 8 mil novos trabalhadores nas empresas fabricantes de veículos.

“O emprego está crescendo, mas permanecerá diante de todas estas incertezas? Diante de tudo que poderá acontecer? Precisamos de previsibilidade e de conter o ataque de importados.”