Ex-embaixador, que participou do Megatendências, enxerga riscos e oportunidades para a indústria e o setor produtivo brasileiro
São Paulo – Após analisar as medidas mais recentes do governo Donald Trump, em especial o tarifaço aplicado a quase todos os mercados globais, o ex-embaixador e CEO do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa, situou o mercado brasileiro e os impactos sobre os diferentes setores durante o Congresso AutoData Megatendências 2025, realizado em São Paulo, na terça-feira, 8.
Os produtos diretamente afetados pelas tarifas foram o aço, o alumínio, automóveis e autopeças em 25%. Por exemplo: o etanol, que tinha tarifa de importação de 2%, passou para 12%. Na visão de Barbosa poderá ocorrer ainda uma coordenação com o setor privado, sobretudo o automotivo, para encaminhar uma posição e para negociar com os Estados Unidos.
Fotos: Patrícia Caggegi.
“O Brasil não tem cacife para retaliar, tomar medidas que possam determinar contramedidas americanas que poderão incidir sobre a economia brasileira.”
Na sua visão o Brasil tem que negociar, ver o que é possível fazer, ver o que acontecerá nos Estados Unidos, porque a negociação será para, no caso do Brasil, rebaixar os 10%.
Oportunidades e riscos
O ex-embaixador enxerga oportunidades e riscos nessa situação. Ele vê uma grande oportunidade para o agronegócio brasileiro porque a China buscará em outros mercados e o Brasil poderá se beneficiar disto. Poderá também haver uma negociação para menor tarifa do aço, o que interessa à indústria dos Estados Unidos.
Com relação aos riscos o setor automotivo poderá ser um dos afetados com o desvio de comércio à medida que países afetados, como os europeus, China e México, procurarão novos mercados e o brasileiro é um dos alvos.
Além desta questão do desvio de comércio o Brasil sofrerá com o menor crescimento global, e essa desaceleração levará a uma queda das exportações brasileiras.
A inflação nos Estados Unidos deverá aumentar, as taxas de juros continuarão elevadas e poderão levar a um efeito no preço das commodities, o que é muito importante para o Brasil.
Por outro lado, esta nova geopolítica deve acelerar novos acordos e principalmente da União Europeia com o Brasil: “Temos que procurar outros países asiáticos. Nós assinamos um acordo com Cingapura, e vemos oportunidades com Vietnã e Indonésia”.
Proatividade
Nesse contexto conturbado no mundo inteiro e nas dificuldades que o Brasil enfrenta na formulação de políticas públicas, o setor privado brasileiro depende muito das ações governamentais.
O recado de Barbosa para o setor automotivo é: “Vocês deveriam se coordenar e não esperar ações do governo. O setor privado não deve pensar apenas em medidas defensivas e sim em medidas proativas, uma agenda na área de comércio exterior para pensar na competitividade e na produtividade”.