Toyota inicia exportaçõs do Corolla

A Toyota planeja para setembro a exportação do Corolla para Chile e Colômbia, mercados que hoje são atendidos por unidades produzidas nos Estados Unidos. O automóvel mais vendido do País em sua categoria, e que teve versão mais recente lançada por aqui em março, é considerado peça fundamental na estratégia de expansão da empresa na região, que quer aumentar as exportações em 6,4% neste ano.

De acordo com seu vice-presidente executivo, Miguel Fonseca, desde abril está em curso o plano comercial nos dois mercados: “As remessas começam no segundo semestre, mais precisamente em setembro, e são resultado de um trabalho da área de vendas de fortalecer as qualidades do veículo produzido aqui. Contaram a favor os acordos bilaterais”.

Em abril Brasil e Colômbia validaram acordo de livre comércio no setor automotivo, o qual deverá entrar em vigor em janeiro de 2018 e colocar a Colômbia, por causa do tamanho do seu mercado, como um dos principais parceiros comerciais em automóveis do País ao lado de Argentina e México. Até junho foram exportados para a Colômbia 11 mil veículos, segundo dados da Anfavea.

A expectativa da Toyota é a de que as primeiras unidades do Corolla exportadas provoquem um salto de 43,5 mil para 46,5 mil no volume exportado neste ano. Na Colômbia a Toyota fechou o semestre na oitava posição em volume de vendas: 4 mil 28 unidades, alta de 18% com relação ao primeiro semestre de 2016.

Modelo de entrada da empresa na região o Etios é exportado para seis países: Argentina, Costa Rica, Honduras, Paraguai, Peru e Uruguai. Até abril houve crescimento de 16% no total exportado, com 15 mil 681 veículos ante 13 mil 473 em igual período de 2016. Do total 10 mil 441 unidades correspondem ao modelo Etios, aumento de 29% com relação às 8 mil 46 exportadas no período de janeiro a abril do ano passado. Em 2016 saíram das fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, SP, 43,5 mil unidades, ante 39,8 mil em 2015. Desse total o Etios representou o maior volume, 25 mil unidades.

A Anfavea revisou suas estimativas para as exportações. As novas expectativas da entidade apontam um crescimento de 35,6%, o que significa chegar ao fim deste ano com 705 mil unidades enviadas para outros países. A projeção anterior era de crescimento de 7,2%. Até junho, os embarques totalizaram 72 mil 828 veículos.

Vendas nos Estados Unidos aceleram produção no México

A produção e a exportação de veículos mexicanos apresentaram, no primeiro semestre, aumento de 12,6% e de 14%, respectivamente, com relação ao mesmo período do ano passado, alcançando cifras recordes, revelou a Amia, Associação Mexicana da Indústria Automotiva. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela. A venda de veículos no mercado interno também cresceu 2,9% de janeiro a junho.

A produção chegou a 334 mil 606 unidades em julho, volume superior em 4,9% no comparativo com o mesmo mês de 2016. No semestre foram produzidos 1 milhão 880 mil veículos, segundo dados da Amia.

As exportações, conforme a entidade, “também registra cifras recordes, tanto para o mês quanto para o acumulado do ano”. De janeiro a junho foram exportados 1 milhão 510 mil veículos, aumento de 14% com relação ao mesmo período do ano passado. Já em junho o crescimento foi de 12% sobre maio: “Os dados de exportação por região no primeiro semestre mostram um maior crescimento para os Estados Unidos, América Latina e Europa”.

Os Estados Unidos receberam mais veículos mexicanos no primeiro semestre, 76,8% do total exportado, seguido pelo Canadá, com 8,4%, a América Latina, com 7%. As exportações para a Europa somaram 4,7% da produção.

Já as vendas ao mercado interno de janeiro a junho registraram incremento de 2,9% no comparativo com o mesmo período do ano passado, chegando a 743 mil 51 unidades. A Amia o considerou o melhor volume da história para o primeiro semestre. Dessas vendas 42% foram de veículos produzidos no México. Em junho foram licenciadas 127 mil 410 unidades, queda de 5,3% no comparativo com a mesma base do ano passado.

Vendas da Volkswagen crescem 4% em junho

A Volkswagen vendeu 512,7 mil veículos no mundo em junho, o que representou aumento de 4% no comparativo com o mesmo mês do ano anterior. Já as vendas globais atingiram 2 milhões 935 mil 100 unidades no primeiro semestre, leve aumento no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Jürgen Stackmann, chefe de vendas e marketing da Volkswagen, comemorou o resultado de junho, bem como no primeiro semestre do ano, além de um forte crescimento na China e em outras regiões consideradas chave para a empresa.

“Na América do Sul tivemos um forte crescimento, embora os lançamentos ocorram apenas no fim do ano. Nos Estados Unidos o Atlas teve trajetória de sucesso nos seus dois primeiros meses de vendas e nos ajudou a superar o crescimento do mercado. O Tiguan é um importante catalisador global e será lançado no mercado dos Estados Unidos no segundo semestre. Outros novos modelos, como Polo, Arteon e Tiguan Allspace, nos deram motivos para ter otimismo no segundo semestre.”

Na Europa as vendas, em junho, permaneceram estáveis, totalizando 163,5 mil unidades. Os maiores crescimentos foram sentidos na Áustria, com 10,7%, Dinamarca, 10,6%, Finlândia, 6,6%, e Suíça, 6%. Na Alemanha as vendas caíram 5,2%, afetando o desempenho na Europa Ocidental, que apresentou queda de 2,1%. O crescimento VW nas Europas Central e Oriental foi bastante significativo, atingindo 15,2% – o principal motivo para o aumento foi a Rússia, onde as vendas subiram 18,3%.

As vendas nos Estados Unidos alcançaram 27,4 mil unidades, 15% acima do mesmo mês do ano anterior. A VW agora tem presença em outro segmento chave daquele mercado com o lançamento do Atlas SUV, cujas vendas começaram em maio.

Na América do Sul a VW registrou aumento de 21,5% nas vendas. A Argentina alavancou boa parte disso, com 10,5 mil veículos, aumento de 46,9%. No Brasil, principal mercado sul-americano, as vendas alcançaram 21,4 mil unidades em junho, alta de 11,2%.

Na China as vendas continuam em alta. Foram vendidos 232,4 mil veículos em junho, representando aumento de 5,4%. O Magotan foi um dos responsáveis pela alta das vendas, com 18,3 mil unidades comercializadas, o que corresponde a aumento de 62,7%. Em seu terceiro mês de vendas o novo SUV Teramont alcançou 5,3 mil unidades. E o modelo Tiguan continua bastante procurado, com vendas de 27,3 mil unidades.

VW opera cinco dias por semana em Taubaté. Em agosto.

A fábrica da Volkswagen em Taubaté, SP, operará cinco dias por semana a partir de agosto. A empresa suspenderá a redução de jornada e de salário, que era de 25%. O PSE, Programa Seguro Emprego, foi adotado em maio e deveria terminar em outubro. Mas, com o bom desempenho dos modelos produzidos lá e a transferência da montagem do Gol, o retorno à operação normal foi antecipada. A VW mantém cerca de 4 mil empregados em Taubaté.

David Powels, seu presidente para o Brasil e CEO para a América do Sul, disse que com a melhora do mercado a produção na unidade será maior neste ano:

“Olhando para os resultados de maio e junho a expectativa para o ano cresceu, de 1 a 2 pontos porcentuais com relação à expectativa que tínhamos em janeiro. Esperamos que o mercado cresça de 4% a 5% em 2017. Já para 2018 estimamos elevação de 5% a 8%. Durante esse ano reduziremos, sim. nossa ociosidade, mas ainda não sabemos em que porcentual de forma precisa”.

Em Taubaté se produzirá só os modelos Gol, up! e Voyage.

Gol é o modelo mais exportado da VW. De janeiro a junho aproximadamente 42 mil unidades foram embarcadas, registrando aumento de 98% com relação ao mesmo período de 2016. O Voyage é o segundo, com mais de 14 mil unidades, O up! é o quarto modelo da lista. DE acordo com comunicado da empresa “com Gol, Voyage e up! a unidade de Taubaté será ainda mais relevante e forte para a nossa estratégia”.

PSE em outras unidades – Segundo a VW as fábricas de São Bernardo do Campo e São Carlos, SP, e a de São José dos Pinhais, PR, manterão o PSE até que outra decisão surja.

Em São Bernardo do Campo a companhia passará a produzir dois novos modelos da plataforma MQB: o Polo, que chega ao mercado no último trimestre do ano, e o Virtus, previsto para o primeiro semestre de 2018. A Saveiro, que é o seu terceiro veículo mais exportado, continuará a ser produzida na unidade de São Bernardo. E a unidade do Paraná continua com o Golf: “Dessa forma conseguiremos ter ainda mais produtividade em nossas unidades, com um maior foco logístico e maior eficiência”.

thyssenkrupp encolherá no mundo

No dia em que o CEO mundial da thyssenkrupp está no Brasil, para sua visita anual às fábricas sul-americanas e para participar do seu fórum regional, a companhia anunciou a intenção de reduzir os gastos em suas operações no mundo com processos, estruturas gerais e administrativas em € 400 milhões. Esse custo anual chega a € 2,4 bilhões. As medidas para atingir a meta devem ser adotadas nos próximos três anos, até setembro de 2020. O plano de demissões ainda está em estudo, mas o grupo já anunciou que “apesar dos esforços a adoção das medidas de ajuste não será possível sem redução de pessoal”.

A estimativa é que de 2 mil a 2,5 mil dos 18 mil empregos administrativos do grupo sejam afetados, sendo metade na Alemanha.

Com um programa de eficiência iniciado em 2011/2012 a thyssenkrupp já obtivera economia anual de € 1 bilhão. A empresa afirmou, no entanto, que a economia não foi suficiente para gerar fluxo de caixa sustentável. Giovanni Pozzoli, CEO da empresa na América do Sul, acredita que o anúncio não afetará o Brasil: “Perto dos efeitos já causados pela crise do mercado, esse corte deve ter um efeito imperceptível”.

Segundo Pozzoli as seguidas quedas nas vendas nos últimos anos são muito mais impactantes do que o corte anunciado.

José Carlos Cappuccelli, CEO da fábrica da thyssenkrup em Campo Limpo Paulista, SP, disse que cortes no Brasil ainda dependem dos estudos que serão feitos nos oitenta países onde a empresa está presente. Aqui a companhia possui onze unidades, em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Nas diversas áreas, do chão de fábrica ao setor administrativo, são 8 mil funcionários. Segundo Cappuccelli a medida já vem sendo trabalhada há muitos meses e não causou surpresa: “A verdade é que as empresas precisam se adaptar ao mercado”.

De 2016 e 2017 a fábrica em Santa Luzia, MG, fez um corte de 90% dos funcionários, de seiscentos para 58:

“Nossa vantagem em Campo Limpo é que estamos sempre atualizados, com alta tecnologia nas linhas, e fazendo o necessário para sobreviver. É a única forma de se manter nesse mercado. Não é preciso os dedos sequer de uma mão para contar quantas forjarias estão trabalhando no Brasil. Nós sempre fizemos a lição de casa. Então pode ser que não aconteça nada aqui”.

O executivo diz que nós últimos três anos, em Campo Limpo, que conta com força de trabalho de 2,5 mil pessoas, a empresa já demitiu e recontratou quatrocentas. Com o mercado interno em baixa a unidade paulista, que fabrica principalmente virabrequins para veículos pesados, exporta 65% de sua produção.

DIREÇÃO ELÉTRICA – Heinrich Hiensinger, CEO global da companhia, voltou a dizer na terça-feira, 11, que a empresa deverá produzir sistemas de direção elétrica em São José dos Pinhais, a partir de 2018 A fábrica fornece colunas de direção convencionais para Fiat, General Motors, Renault e Volkswagen. Como a thyssenkrupp tem contrato com outras montadoras em diversas partes do mundo e as empresas no Brasil precisam aumentar seu índice de nacionalização, há a possibilidade, observa Cappuccelli, de outras marcas, como BMW e Mercedes-Benz, passarem a comprar o sistema a ser produzido no Paraná:

“É uma evolução natural da indústria. Se quiser ter produto de última geração para equipar os novos carros que estão saindo da linha de montagem tem que se adaptar”.

Hidrover já opera em Flores da Cunha

As áreas administrativa, financeira e comercial da Hidrover, empresa com origem em Caxias do Sul, RS, já estão funcionando em nova sede, na vizinha Flores da Cunha. Em reunião com o prefeito Lídio Scortegagna os diretores falaram sobre a atual situação de mercado, sobre a transferência das atividades da empresa e o andamento das obras da fábrica.

A expectativa é a de que toda a produção, hoje concentrada em Caxias do Sul e em Rio do Sul, SC, seja transferida até o fim do semestre. Quando começar a operar a Hidrover empregará mais de duzentas pessoas, sendo que a maior parte trabalhadores florenses.

O investimento total na nova estrutura passa dos R$ 45 milhões, incluindo a compra do terreno de 18 hectares. A Hidrover fabrica cilindros hidráulicos, principalmente para a linha amarela – máquinas agrícolas e caminhões –, atuando também com sistemas hidráulicos.

Com a chegada de novas oportunidades no mercado de trabalho a Prefeitura planeja, em parceria com o Senai, a vinda da Carreta Escola para qualificação profissional, principalmente na área metalmecânica. Os cursos devem ser oferecidos em setembro. A Hidrover é a segunda empresa do setor automotivo que mantinha operações em Caxias do Sul e se transferiu para Flores da Cunha. A primeira foi a Keko Acessórios.

Bosch investe no México de olho nos Estados Unidos

Com investimento de US$ 80 milhões o Grupo Bosch abrirá nova fábrica em Querétaro, México, em dezembro, na forma de uma unidade de sistemas de direção. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

A empresa, hoje, tem fábrica de sistemas de direção no Kentucky, Estados Unidos, com 1,5 mil empregados, mas para aumentar a sua capacidade de produção na América do Norte decidiu construir essa nova unidade no México para suprir também o mercado dos Estados Unidos.

A fábrica entra em operação no fim do ano e gerará seiscentos empregos em 2019, quando chegará a usar a sua capacidade máxima de produção. Em Querétaro serão produzidas colunas de direção eletricamente assistidas e outros produtos.

Gonzalo Simental, vice-presidente de finanças da Bosch no México, disse que com essa nova unidade a empresa estará mais próximas dos clientes mexicanos: “Atualmente nosso foco é Querétaro, mas teremos uma presença muito importante em Bajío e, sobretudo, porque nos dará uma aproximação maior com nossos clientes”.

Em março, durante a Campus Party 2017, ele destacou o acesso que a empresa terá a partir de Querétaro a diferentes clientes no corredor de Bajío, como Volkswagen, General Motors, Mazda, Honda, Toyota e depois a fábrica da BMW em São Luis Potosí.

Hoje a Bosch conta com 450 empregados em seu centro de engenharia de Jalisco, e o objetivo é chegar a 1 mil funcionários em 2020.

Tesla se prepara para o Model 3

A Tesla está expandindo suas operações de serviços e contratando técnicos à espera da demanda que será criada pelo Model 3, seu novo sedã. As vendas do carro mais barato da Tesla começam este mês e devem atrair centenas de milhares de novos consumidores. Segundo o jornal The Detroit New para recebê-los a companhia está abrindo cem novos centros de serviços no mundo ao longo do ano que vem, elevando a rede para 250 casas. As novas revendas serão em áreas onde está a maioria das reservas feitas para o modelo.

A Tesla está ainda adicionando 350 vans à sua frota de serviços, a maior parte nos Estados Unidos. As vans servem para levar os técnicos para reparar os carros em caso de necessidade. Elas são equipadas com ferramentas, peças de reposição, máquinas de café expresso, sanduíches e brinquedos infantis.

A empresa conta com trinta vans, usadas principalmente quando o cliente mora longe de um centro de serviço. Há seis meses a companhia começou essa operação na região de São Francisco, Califórnia, para aliviar o movimento em seus centros de serviço. A alta satisfação dos clientes com a novidade fez com que a Tesla oferecesse o serviço móvel em mais lugares. A Tesla informou que está contratando 1,4 mil novos técnicos para a equipe dos centros serviços e para as vans.

Assim como suas lojas, que pertencem à companhia e não a concessionários franqueados, o modelo de serviço da Tesla não é usual. Elon Musk, CEO da empresa, disse diversas vezes que ao contrário das concessionárias tradicionais a Tesla não pretende lucrar com os serviços e reparos, em parte porque carros elétricos não precisam trocas regulares de óleo ou de outras manutenções comuns em carros movidos a gasolina. O valor cobrado pela empresa para reparos fora da garantia nos centros de serviço é o mesmo do cobrado nas vans.

Metade do preço – Com preços a partir de US$ 35 mil o Model 3 custa cerca de metade dos outros dois modelos da empresa. A Tesla não disse quantas pessoas fizeram a reserva reembolsável de US$ 1 mil. Disse apenas que espera produzir 500 mil veículos em 2018, ante 84 mil no ano passado.

A empresa não divulgou por completo como será o plano de garantia para o novo modelo. Seus outros carros, o S e o X, oferecem garantia de quatro anos e 80 mil quilômetros. Para a bateria, a garantia é de oito anos sem limite de quilometragem.

Enquanto outras marcas de luxo, como Lincoln e Genesis, retiram os veículos dos clientes para levá-los aos centros de serviços, a Tesla não quer ver os carros em seus centros de serviço se o reparo puder ser feito remotamente. A companhia diz que 80% dos consertos, inclusive a troca de pneus e a correção de falhas eletrônicas, podem ser feitos sem a necessidade de levantá-los, o que faz com que os serviços possam ser feitos pela van. Isso deixa os centros de serviço livres para reparos mais complicados, que requerem um elevador, como problemas de motor ou bateria.

O sistema não é perfeito. Em fóruns online clientes têm reclamado de longas esperas por serviços e da dificuldade de usar lojas de reparos locais por elas não serem certificadas pela Tesla.

Do ABC para a terra de Gagarin

A busca constante por novos mercados, para não depender tanto das vendas internas, está sempre desafiando o planejamento das montadoras instaladas aqui. Na Scania, por exemplo, o volume exportado já representa 70% de sua produção em São Bernardo do Campo, SP. Este ano já conquistou os embarques de cabines para fábricas na Holanda e, no mês passado, exportou seiscentos caminhões para a Rússia. Em 2016 os envios para a Rússia não ultrapassaram trinta unidades.

Segundo a empresa a fábrica opera em modelo global de produção e sempre exportou, mas a partir de 2015 passou a direcionar a maior parte do seu volume para outros mercados como forma de mitigar a queda no mercado brasileiro. Dos seus principais mercados estão África do Sul e Chile no segmento de caminhões. E no segmento de ônibus Argentina e México. De acordo com comunicado da empresa “a partir deste ano também estamos atendendo à demanda de novos países europeus como, por exemplo, a exportação de cabines para Holanda”.

O volume para a Rússia representou cerca de 20% do total de caminhões exportado pelas montadoras no mês passado e foi motivo de comemoração de Antônio Megale, presidente da Anfavea, durante a divulgação dos resultados do setor para junho e para o semestre, na semana passada: “Foi um dos destaques para o mês”.

Ao todo foram embarcados 2 mil 784 caminhões em junho, alta de 62% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No resultado consolidado do semestre as exportações totalizaram 13 mil 631 unidades, crescimento de 45,4%.

Contratação – Com o aumento do volume exportado, a Scania anunciou, em maio, a contratação de quinhentos funcionários temporários para a produção. O seu quadro de empregados vai saltar de 3,2 mil para 3,7 mil. A Scania informou que as contratações foram pontuais em áreas de produção, não havendo, portanto, relação com contratações para as novas instalações que estão em construção – como a fábrica de soldagem, em obra desde junho de 2015 e ainda não foi finalizada.

A nova unidade conta no plano de investimentos anunciados em 2016, de R$ 400 milhões. Afora este aporte, foi divulgado para este ano, período em que empresa comemora seus 60 anos no Brasil, R$ 2,6 bilhões em recursos para modernização da fábrica e expansão de sua rede de concessionários até 2020.

Financiamentos aumentam 7,4% no semestre

Os financiamentos de veículos cresceram 7,4% no primeiro semestre, com 2 milhões 425 mil 796 unidades, carros, motos e caminhões. Os dados fazem parte do levantamento da B3, empresa que agrega BM&FBovespa e Cetip. Desse total o número de veículos novos financiados foi 845 mil 217 unidades, queda de 3,9% com relação ao mesmo período de 2016, 879 mil 133.

Já os usados apresentaram alta de 14,6%, quando passaram de 1 milhão 379 mil 522 unidades para 1 milhão 580 mil 579.

Considerando as modalidades de financiamento, o CDC, crédito direto ao consumidor, foi a única categoria que avançou no primeiro semestre, além de continuar sendo a mais utilizada pelos consumidores, com 2 milhões 3 mil 569 unidades negociadas, alta de 11,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já o consórcio recuou 7,1% ante os seis primeiros meses de 2016, com 366 mil 637 unidades.

O levantamento reflete o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, que mostra que a procura por crédito aumentou 2,1% no primeiro semestre deste ano no comparativo com o mesmo período de 2016.

Apesar do aumento pela procura os bancos mantêm postura cautelosa, aprovando apenas 40% das fichas de financiamento, de acordo com Antônio Megale, presidente da Anfavea, durante coletiva de imprensa na semana passada: “A entidade está conversando com bancos públicos para aumentar a concessão de crédito”.

Segundo ele o volume de financiamentos, em junho, foi de 49%, sendo que historicamente costuma ser superior a 60%.

Essa atitude mais conservadora por parte dos bancos é explicada pela alta taxa de inadimplência, que aumentou em 1,5 milhão de pessoas no primeiro semestre, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. A estimativa é a de que um total de 59,8 milhões de consumidores brasileiros estejam inadimplentes.

Esse panorama, contudo, pode mudar nos próximos meses, de acordo com o professor Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da cadeia automotiva da Fundação Getúlio Vargas: “Os bancos estão segurando a concessão de crédito para as famílias reduzirem seus endividamentos. Sob a ótica da redução crescente da taxa de juros e a provável queda nas taxas de endividamento a tendência é a de que os bancos aumentem a concessão de crédito”.

CONFIANÇA – A precaução não é apenas de parte dos bancos. O índice de confiança do consumidor, que sinaliza os gastos e poupanças da população, caiu 1,9% de maio para junho, de 84,2% para 82,3%. A queda foi causada pelas incertezas políticas, de acordo com Viviane Seda, coordenadora da sondagem do consumidor do FGV IBRE, responsável pelo levantamento:

“A queda da confiança está atrelada a um menor ímpeto para compras e a uma perspectiva de piora das expectativas sobre as finanças familiares. Isso está relacionado não apenas com o nível de endividamento mas, também, à dificuldade da recuperação do mercado de trabalho com as altas taxas de desemprego”.